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Ensino integral acelera aprendizado de vulneráveis, diz estudo

ResumoO estudo do Instituto Sonho Grande e Instituto Natura, baseado no Ideb 2025 e no INSE, revela que escolas de ensino integral com baixo nível socioeconômico alcançam vantagem de 0,6 ponto no Ideb. O impacto do modelo integral é 15% maior que o das escolas parciais, acelerando o aprendizado de alunos vulneráveis.

Análise inédita do Instituto Sonho Grande e Instituto Natura cruza Ideb 2025 e INSE e mostra que escolas 100% integrais de baixo nível socioeconômico têm vantagem de 0,6 ponto no Ideb, com impacto 15% maior que as parciais.

Bruno Sá
por Bruno SáEditor de literatura estrangeira · 25 de agosto de 2026
2 min de leitura
Ensino integral acelera aprendizado de vulneráveis, diz estudo

Escolas de ensino médio em tempo integral aceleram o aprendizado de alunos vulneráveis, segundo análise inédita que cruza os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 e o Indicador de Nível Socioeconômico (INSE). O estudo, feito pelo Instituto Sonho Grande e Instituto Natura, mostra que, entre as 100 escolas de menor nível socioeconômico com melhor desempenho, 77 funcionam em formato 100% integral.

A escola de tempo integral tem performance superior em todos os níveis socioeconômicos, mas o maior ganho chega aos mais vulneráveis. As 1.166 escolas 100% integrais com níveis II e III de INSE apresentam vantagem de 0,6 ponto no Ideb em relação às 1.713 escolas parciais do mesmo nível, um desempenho 15% maior. Comparando o ganho com a jornada ampliada entre níveis diferentes, nas mais vulneráveis o impacto é quase 70% superior ao de contextos menos vulneráveis.

Os impactos também aparecem no SAEB 2025. Em matemática, alunos de escolas 100% integrais de baixo nível socioeconômico obtiveram 23 pontos a mais que os do parcial, o que equivale a 4,6 anos a mais de aprendizado. Em língua portuguesa, o ganho foi de 21 pontos, ou 3,2 anos de escolarização adicional. A superintendente de Políticas Educacionais do Instituto Natura, Maria Slemenson, explica que o tempo extra permite recompor aprendizagens defasadas e avançar no conteúdo, algo que quase nunca cabe na grade parcial.

O efeito também é racial. Cerca de 74% das escolas 100% integrais do país atendem maioria de estudantes pretos, pardos ou indígenas (PPIs). Nas unidades com mais de 80% de matrículas PPIs, a nota média do Ideb chega a 4,9 no integral, contra 4,3 no parcial, um avanço de 0,6 ponto. "O tempo integral tem um efeito equalizador racial, além do socioeconômico", celebra Slemenson.

O eixo pedagógico se sustenta em pilares como projeto de vida, acolhimento, aprendizado na prática e orientação de estudos. Em 2025, as 4.235 escolas 100% integrais (21% do total) respondem por cerca de 214 mil matrículas urbanas avaliadas, enquanto o parcial concentra mais de 1 milhão de estudantes. Para o Instituto Natura, a maior barreira não é financeira, mas de gestão governamental sustentada. O Piauí, único estado com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral, é citado como referência, com transformação construída entre 2022 e 2025.

Bruno Sá

Bruno Sá

Editor de literatura estrangeira

Tradutor e leitor poliglota, traz o melhor da literatura mundial pro leitor brasileiro.

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