Tragédia com os maranhenses em SP: o governo não se toca!

Tragédia com os maranhenses em SP: o governo não se toca!

Eles são milhares. Na verdade, centenas de milhares. São maranhenses que deixam a sua terra natal por falta de oportunidades para sobreviver, crescer na vida. E vão  em busca de sonhos que, na maioria das vezes,  não se concretizam.

O desabamento de um prédio mal projetado em São Paulo, semana passada, pôs o  Maranhão, mais uma vez, em  destaque negativo na mídia nacional. Aquele pequeno espaço de construção tinha conterrâneos nossos suficientes para  liderar a estatística fatídica – oito dos dez trabalhadores mortos eram maranhenses.

Morriam, também,  ali, sob toneladas de escombros removidos pelo Corpo de Bombeiros paulista, os sonhos de cada um deles,  carregados do Maranhão para São Paulo, onde foram em busca de dias melhores  que o seu Estado natal não lhes pôde bancar.

A mídia nacional cansou-se de exibir causas e motivos que acarretaram o final da linha para os maranhenses, expondo as vísceras da pobreza crônica e da falta de perspectivas para quem mora aqui neste fim de mundo.

Dessa vez, São Paulo. Mas também já fomos notícias de tragédias tão decantadas quanto essa, no Brasil e até no exterior. Quem não se  lembra de Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996, quando a maioria dos 19 ‘sem terra’ mortos pela polícia do Pará, numa desocupação, eram maranhenses?

Trabalho escravo… Onde há denúncias e comprovação de trabalho escravo, lá estão os nossos irmãos. Em dezembro de 2009,  fomos encontrar maranhenses num garimpo do Suriname, país fronteiriço, onde brasileiros, chineses e colombianos foram atacados violentamente por um grupo de nativos, revoltados com a exploração de suas riquezas por parte de estrangeiros.

Não passou despercebida a morte do estudante  Antonio Francisco da Costa (22 anos), natural de São Mateus do Maranhão, aluno do 6° período de  Medicina, na Universidade Técnica Privada Cosmo (UNITEPC) em Cochabamba, na Bolívia. Ele  teve 95% do corpo queimado  no dia 21 de agosto passado, após o botijão de gás explodir no apartamento em que morava. Aqui, ele jamais poderia pagar R$ 5 mil para cursar Medicina no Ceuma…

Mas, ao que tudo indica,  o Governo do Maranhão não sente que tenha a mínima parcela de responsabilidade por todas essas tragédias que vitimam maranhenses mundo a fora, ao negar-lhes o mínimo necessário para viver dignamente e garantir-lhes cidadania, através de educação de qualidade, assistência integral  de saúde, oportunidades de emprego e renda, etc.  Por isso, limitou-se a divulgar uma “nota de pesar”  e de “solidariedade” pela morte dos falecidos operários,  naturais dos municípios de Imperatriz,  Caxias, Grajaú e Barra do Corda. E anunciou que a Secretaria de Direitos Humanos, Assistência Social e Cidadania estava “auxiliando as famílias nesse momento de dor e sofrimento”. Ou seja: o governo mandou pagar para enterrar os mortos.

 Claro que os nove maranhenses mortos em São Paulo são mártires da luta contra o descaso com que os filhos do Maranhão são tratados pelos entes públicos que deveriam lhes garantir melhor sorte: o Governo do Estado, a classe política (deputados estaduais, deputados federais, senadores), os prefeitos municipais, e Governo Federal.

Mas lamentamos que ninguém, ninguém mesmo,  “se toque” ao menos para as lições que essa tragédia emite.

A maioria dos políticos vai continuar a fazer coro com a  irresponsabilidade dos governos (municipais, estadual e federal) em relação aos seus deveres para com a população. Um deles é assumir suas obrigações constitucionais e garantir um mínimo de dignidade aos milhões de maranhenses desassistidos – através do trinômio Educação, Saúde, Trabalho –  para que eles não saiam, aos milhares, em busca das oportunidades que jamais teriam aqui.

No mais, é preciso que todos tenham vergonha na cara, ao tratar com os recursos públicos que lhes são dados guardar. Jamais confundir o dinheiro público com o privado. Assim os recursos da população, apurados pelo pagamento de impostos, ainda que escassos, bem aplicados, rendem.

Exemplo de que o governo do Maranhão – comandado hoje pelo mesmo grupo que detém o controle administrativo e político, há dezenas de anos – não tem consciência e responsabilidade para com as carências do Estado é o tal  “governo itinerante”. Quando chega aos municípios, num gesto populista e eleitoreiro, a chefe do Executivo põe-se a perguntar em praça pública, o que a população local gostaria que o governo fizesse, como se tivesse à frente de um leilão de paróquia, e demonstrando que não conhece as necessidades do seu Estado…

Se nem sabe o que fazer, como fazer melhor? Daí concluir-se que Planejamento é palavra riscada do dicionário do nosso comando governamental. Sem ele, como o Estado vai evoluir,  progredir e crescer para que possa  “segurar” seus  filhos aqui,  próximos à família, realizados e felizes?

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem um comentário

  1. Parente

    o Maranhão só terá desenvolvimento social e econômico, paz e harmonia para o seu povo, quando os seus filhos se unirem e expulsarem os opressores do seu território. E tem que ser pelo voto.

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