Temer fabrica vitória na CCJ, mas votação decisiva na Câmara fica para agosto

Temer fabrica vitória na CCJ, mas votação decisiva na Câmara fica para agosto

Governo fez ofensiva para mudar integrantes de comissão e derrota parecer favorável à denúnci

Deputados rejeitam relatório contra Temer
Deputados rejeitam relatório contra Temer –  LULA MARQUES AGÊNCIA PT

Agora, dizem que a pressa de votar é dos críticos do Planalto e dizem acreditar que, até lá, novos indicadores econômicos podem fortalecer a gestão peemedebista. “O Governo está trabalhando e vai continuar trabalhando”, afirmou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. “Enquanto não se julga, seguimos governando”, seguiu o deputado Carlos Marun, vice-líder do PMDB.

Já a oposição avaliou que o adiamento pode ajudar sua estratégia de convencimento dos parlamentares para se atingir o placar de 342 votos contrários a Temer. “Até agosto podemos ter a prisão de novos aliados de Temer ou delações que o implique. Além disso, os deputados vão sentir a pressão de suas bases agora no recesso”, afirmou Júlio Delgado (PSB-MG). Na votação em 2 de agosto, haverá debate entre apoiadores e opositores de Temer. Mais: a votação da denúncia será nominal e os defensores de que o presidente deixe o poder apostam que a exposição dos parlamentares pode minar o apoio a um Governo com recorde de desaprovação.

Musculatura no Câmara

Os desejos da oposição ficaram, no entanto, bem longe da realidade da semana dourada para Temer, que, além da vitória na CCJ, sancionou nesta quinta a reforma trabalhista aprovada no Congresso, uma das agendas estratégicas de sua administração. O Planalto selou o momento de alívio ao conseguir derrotar na comissão o parecer elaborado pelo deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que concluiu que havia indícios suficientes para que o STF decidisse se o presidente poderia se sentar no banco dos réus ao ser apontado como receptor de 500.000 reais em propina. Os 11 novos deputados na CCJ foram cruciais para derrota de Zveiter.

Com o placar, um novo relator foi designado para o caso, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), representante de uma minoria entre os tucanos e um fiel defensor do senador Aécio Neves (PSDB-MG). O novo parecer entendeu que a denúncia é inepta. A votação foi de 41 a 24. E é esse relatório que vai ser analisado pelo plenário da Câmara. Se 342 dos 513 deputados votarem contra o parecer Abi-Ackel, o STF poderá julgar o presidente. Caso contrário, Temer só poderá ser julgado por esse delito após o fim de seu mandato, em dezembro de 2018.

“Foi uma vitória de Pirro”, reclamou deputada Maria do Rosário (PT-RS). Sergio Zveiter denunciou em um desabafo pré-abertura da votação na CCJ que o Governo tentou comprar votos por meio da liberação de emendas. “O Executivo não respeita a autonomia e a independência dos poderes”, afirmou.

Um dos deputados trocados na comissão, o Delegado Waldir (PR-GO), acusou o Governo Temer de liberar 8,2 milhões de reais em emendas parlamentares para que ele votasse contrariamente ao relatório de Zveiter. Como não concordou, foi trocado. “A negociata funciona dessa forma. Você dá votos e tem cargos. Se não der, tem o pescoço cortado: guilhotina”, afirmou em entrevista à TV Globo.

Questionado pelo EL PAÍS sobre as trocas na comissão e sobre a “compra de votos de deputados”, o líder do Governo no Congresso Nacional, o deputado André Moura (PSC-SE), negou em tom irritado qualquer irregularidade. Disse que as trocas na CCJ contaram com o apoio dos partidos que fecharam questão, como PR, PSD, PRB e PMDB. Ou seja, legendas que concordaram em punir os que não seguissem as suas determinações.

“A mudança de parlamentares na CCJ é regimental e, acima de tudo, expressa a vontade dos partidos da base que fecharam em questão em torno do Governo e pela rejeição da denúncia”. Moura afirmou ainda que os opositores já usaram desse mesmo artifício quando eram da base governista, nos governos petistas de Dilma Rousseff e Lula da Silva. Agora, expressam “o choro dos derrotados”.

EL PAÍS

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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