Morte de Alanna: dor coletiva pela perda de um sorriso meigo e contagiante

Alanna Ludmilla sumiu do convívio da mãe e de todos que a amavam  no dia 1º de novembro, consagrado a Todos os Santos pela Igreja Católica, no fulgor dos seus dez anos de idade. Ficamos  em silêncio e nada publicamos.  O alarme já havia sido dado por todo tipo de mídia. A indignação e a comoção tomaram conta de todos quantos tiveram conhecimento do fato.. Vimos jovens e adultos de todas as idades, pais e mães chorando,  toda a vez que ouviam algo sobre o indefinido paradeiro da criança. Era como se esperássemos pelo melhor, o que não aconteceu, infelizmente... Alanna Ludmilla tornou-se, de repente, a filha, a irmã, a amiguinha de escola de todos  que têm um coração batendo no peito. Uma menina linda cujo sorriso encantava todos à sua volta. Nos dias recentes, vários casos de violência e morte contra menores encheram as mídias por este Brasil a fora. Claro que todos chamaram a atenção. Mas, pela proximidade, o sumiço de Allana e o consequente medo de que o pior estaria por vir causaram mais aflição e dor, no coletivo das pessoas... Com o desfecho já conhecido nesta manhã (03), cada um reagiu a seu modo. Uns gritaram, outros choraram e  houve quem sofresse em silêncio... Dona Bernarda, minha sábia e saudosa mãe, costumava dizer que suportaria tudo, menos a dor da perda de um de seus filhos. “Que Deus me dê a morte para que eu não possa enterrar nenhum deles”, costumava dizer. Imagine a dor da mãe e dos famíliares de Alanna... Nós todos, que agora nos tornamos parentes próximos dela,  vamos ter de enterrá-la, dando adeus para sempre a esse sorriso lindo, mágico, eterno que, em apenas dois dias, correu o mundo, em especial o Estado do Maranhão, como a querer amortecer em nós o peso das lágrimas e da revolta. “Agora sei que é daquele sorriso que minha alma precisava”, disse Tati Bernardi ao perder um ente querido. Todos nós precisamos do sorriso de pureza, inocência e de esperança de Allana. E só agora começamos a  nos dar conta disso... No momento em que essa certeza nos desce goela abaixo e, feito  faca afiada, perfura o nosso ventre, já que  amamos  igualmente outras Allanas – nominadas de Valentinas,  Marias, Mônicas, Mayaras, Isabelas, Brunas. Micheles; ou Josés,  Isacs, Eduardos, Gabriéis, Lucas, Pedros, e Antonios... – voltemo-nos  para a brutalidade do gesto de quem pecou contra a Humanidade, o infanticida covarde, desalmado e cruel que se aproveitou da fragilidade e da inocência de Allana para consumar sua aberração. Espera-se que seja punido de acordo com a Lei. Vamos dispensar Talião, apesar da vontade que temos de imprimir no assassino a dor proporcional que causara à sua vítima. Neste momento, e com o semblante de Allana na cabeça, melhor lembrarmo-nos de Charles Chaplin: “Creio no sorriso e nas lágrimas como antídotos contra o ódio e o terror”. Uma maneira de termos conforto espiritual, cultivando a crença de que,  apesar de monstros e monstruosidades, há esperança de um futuro melhor, para nós e nossos filhos,  mesmo ainda vivendo esse terrível pesadelo. Enquanto isso não ocorre, protejamos, vigilantes,  nossos pequenos tesouros.

Continuar lendo Morte de Alanna: dor coletiva pela perda de um sorriso meigo e contagiante