Jornalista Reinaldo Azevedo pediu demissão, de uma tacada só, da Revista Veja e da Rádio Jovem Pan

Reinaldo Azevedo não é mais colunista da "Veja", de onde pedira pra sair. O mesmo ocorreu com a RádioJovem Pan, onde apresentava o muito ouvido programa "Pingo nos Is". O jornalista, que ficou conhecido por suas publicações críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde o primeiro governo Lula, pediu à direção da revista, nesta terça-feira (23), pelo fim de seu contrato. A decisão foi tomada por causa da divulgação de uma gravação telefônica feita pela Polícia Federal na qual ele conversa com Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB). O site "BuzzFeed" foi quem publicou trechos do diálogo. Na conversa, Reinaldo Azevedo chama a "Veja" de “nojenta” por causa de uma reportagem de capa que abordava o pagamento de uma suposta propina a Aécio em Nova York, em uma conta em nome de Andrea. De acordo com o jornal “O Globo”, a conversa entre Reinaldo e Andrea consta do conjunto de áudios disponibilizado pela Procuradoria Geral da República no inquérito que provocou o afastamento de Aécio. O jornalista não é alvo de investigação e as gravações não têm indícios de crime, o que gerou críticas de entidades de imprensa e até de desafetos do ex-colunista da "Veja" contra a PGR e a PF. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou, em nota, que vê com preocupação a violação de sigilo de fonte protagonizada pela PGR. “A Lei 9.296/1996, que regula o uso de interceptações telefônicas em processos, é clara: a gravação que não interesse à produção de provas em processo deve ser destruída. O próprio Ministério Público, aliás, é que deveria cuidar para que isso aconteça”, diz o comunicado. No texto, a Abraji destaca ainda que a inclusão das conversas entre Reinaldo e Andrea no inquérito ocorre no momento em que o jornalista tece críticas à atuação da PGR, o que sugere a possibilidade, segundo a associação, de o caso “se tratar de uma forma de retaliação ao seu trabalho”. Diante da repercussão do caso, Reinaldo publicou em seu blog, hospedado no site da "Veja", um comunicado sobre o seu pedido de demissão no qual elucidou que Aécio e Andrea são suas fontes. Ele ressaltou também que “em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerada um escândalo”. Conforme o colunista Flávio Ricco, do portal "UOL", Reinaldo Azevedo também vai deixar a rádio Jovem Pan, onde apresentava o programa “Pingos nos Is”. O jornalista continuará o seu trabalho de comentarista no “Rede TV! News”.

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Reinaldo Azevedo: “O golpe da legitimidade”

Resposta à pergunta: A presidente Dilma deve sofrer ação de impeachment em decorrência do escândalo da Petrobras? SIM É uma pena que a gente não possa fazer a Terra girar no sentido anti-horário, como aquele jornalista do "Planeta Diário", para voltar ao passado e impichar Lula, o Pai de Todos. Então é preciso fazer valer a lei na vigência do mandato daquela que foi vendida e comorada como a "mãe" do Brasil. Para quem é incapaz de entender uma tese embutida numa narrativa, esclareço:um processo de impeachment é jurídico sem jamais deixar de ser político. Não sou eu que enrosco com Dilma. Ela não passa na peneira da Constituição. O mesmo diploma que torna legal e legítimo o seu mandato estabelece, no inciso V do artigo 85, que atentar contra a probidade da administração implica crime de responsabilidade...

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Reinaldo Azevedo: “O Ibope cometeu erros monumentais e, até agora, não se explicou. Será que o eleitor é o culpado por suas falhas?”

O Ibope cometeu erros monumentais e, até agora, não se explicou. Será que o eleitor é o culpado por suas falhas? O Datafolha está para divulgar a sua pesquisa eleitoral sobre São Paulo. Vai referendar a do Ibope? Haverá diferenças significativas? Não sei. Nesta quarta, escrevi um pequeno post sobre os números do mais recente levantamento desse segundo instituto. E claro que há lá algumas notas de ironia. “Ah, quando o cara não gosta do resultado, sempre desconfia…” Ok. Não gostei. Sou transparente com os meus leitores. Faz parte do nosso compromisso e do nosso acordo. Digamos que um pouco da minha desconfiança decorra do meu gosto. Mas vamos chamar aquela Senhora a quem frequentemente convoco: a Dona Lógica! O meu gosto ou o meu desgosto mudam os números, mudam os fatos, tornam acertos os erros do Ibope, até agora sem explicação? O máximo que li foi um muxoxo culpando o eleitor. Já fiz esta comparação aqui: é como o médico que, incapaz de fazer um diagnóstico, responsabiliza o doente por sua incompetência. Vamos ver. Em São Paulo, o erro foi grande. O Ibope apontou um triplo empate com 26% dos votos válidos. Celso Russomanno (PRB) ficou com 21,6%; Fernando Haddad (PT), com 28,98%, e José Serra (PSDB), com 30,75% dos válidos. Em São Paulo, o erro foi importante, sim, mas não foi o mais vexaminoso. Em Manaus, os números são escandalosos. O Ibope apontou um empate entre Arthur Virgílio (34%), do PSDB, e Vanessa Grazziotin (32%), do PCdob. Empate? Vejam o que de fato aconteceu. Atenção: neste e nos demais quadros, aqueles pequenos números que aparecem no alto da barra lilás indicam a margem de erro superior e inferior do Ibope; os que aparecem na parte de baixo, o que foi apurado pelo instituto. Os números no alto da barra marrom são os das urnas.

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Reinaldo Azevedo: “Adeus, Sarney!”

Por Reinaldo Azevedo Ai, ai… Lá vamos nós. Como vocês sabem, José Sarney inventou um Estado do qual ele pudesse ser senador: o Amapá. Foi a sua turma que forçou a mão na Constituinte de 1988 para que houvesse a mudança de status do então território. Em 1991, instalou-se o Estado, o político maranhense estabeleceu lá o seu domicílio eleitoral — o que é piada porque, obviamente, nunca morou na região —, elegeu-se um dos senadores e permanece nessa condição até agora, já no seu terceiro mandato. Antes disso, sua carreira toda foi feita no Maranhão, até que a Presidência da República lhe caiu no colo, vocês sabem como. Nesta segunda, fez o anúncio oficial de que não vai disputar a eleição neste ano. A decisão está sendo vendida por sua turma como uma espécie de descanso do guerreiro. Obviamente, não é disso que se trata. Sarney só está largando o osso porque não conseguiria, vejam que vexame!, se reeleger no Amapá. Não é o guerreiro que decidiu se aposentar da luta; é o povo que decidiu aposentá-lo. A situação no Estado, apesar dos esforços de Lula, está conflagrada. O chefão petista tenta impor o apoio do PT a Waldez Goes, do PDT, que é homem de Sarney, mas o PT quer manter a aliança com o governador Camilo Capiberibe, do PSB. A petista Dora Nascimento, vice-governadora, afirma que não há acordo com o grupo do ainda senador. Vamos ver. Não se esqueçam de que Lula quebrou o PT maranhense para impor a aliança com Roseana. Sarney encomendou pesquisas e chegou à conclusão de que não conseguiria se reeleger. A presidente Dilma esteve em Macapá nesta segunda para entregar unidades do programa Minha Casa Minha Vida. Estava devidamente escoltada pelo velho político. Esses eventos, como vocês sabem, têm hoje o público rigidamente controlado pela turma do Planalto. Mesmo assim, Sarney foi vaiado cinco vezes. Pior: Capiberibe estava no palanque e fez um discurso francamente hostil ao senador. Anunciou que as ruas do conjunto habitacional receberiam nomes de pessoas que lutaram contra a ditadura, como Miguel Arraes, avô do presidenciável Eduardo Campos, Leonel Brizola e Vladimir Herzog, entre outros. Parece que citou também Carlos Marighella — aí já vira homenagem a assassino, né? Mas fazer o quê? Referindo-se indiretamente a Sarney, mandou brasa: “É preciso lembrar e reverenciar os que ousaram lutar. A senhora [dirigia-se a Dilma] lutou e pagou um preço alto. Existem aqueles que se aliaram aos ditadores, não podemos esquecer, o Brasil não pode esquecer, senão, poderemos voltar a viver aqueles anos tristes”. Sarney, cujo grupo, se a eleição fosse hoje, perderia também no Maranhão — o favorito é Flávio Dino, do PCdoB — ouviu tudo calado. Resta-lhe agora criar má literatura de ficção, no que ele é bom, para tentar fazer parecer um ato de vontade sua o que é vontade do povo. Chegou a hora de ir para casa. O homem exerce cargo púbico desde 1955. Já está bom, né? Nesses 59 anos, aprendemos a que vieram os Sarneys. O Maranhão, o Estado com os piores indicadores sociais do país, embora não exiba a seca que caracteriza o agreste nordestino, também sabe. E os maranhenses conhecem o atraso literalmente na carne. A pior obra de Sarney, acreditem, não é a literária. Adeus!

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