Ataque de Bolsonaro a Flávio Dino denota racismo político e pouco caso para com nordestinos!
TOPSHOT - Brazilian President Jair Bolsonaro is silhouetted during the appointment ceremony of the new heads of public banks, at Planalto Palace in Brasilia on January 7, 2019. - Brazil's Finance Minister Paulo Guedes appointed the new presidents of the country's public banks. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Ataque de Bolsonaro a Flávio Dino denota racismo político e pouco caso para com nordestinos!

Bolsonaro parte para um campo perigoso. Ao se insurgir contra a população de uma região tão importante e que tantas contribuições e vultos vem dando ao Brasil em todos os campos da natureza humana, faz coro ao preconceito e discriminação aos nordestinos, já vivos em boa parte do Brasil, e comete uma espécie de “racismo político”. JOSÉ MACHADO A divisão político-administrativa do Brasil, como sabemos, compreende 27 unidades federativas: 26 estados (com seus municípios), e o Distrito Federal. Na República Federativa do Brasil, a sua Constituição ou Carta Magna diz, logo em seu Artigo 3º, que são objetivos fundamentais do nosso ente federativo: “construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.” Ontem, o presidente da República, senhor Jair Bolsonaro, que deveria ser o principal guardião da Constituição, numa só aparição pública, antes e durante entrevista aos correspondentes da imprensa estrangeira, rasgou a Carta Magna por duas vezes: ao declarar que não há fome no país – desincumbindo-se, assim, da obrigação constitucional de erradicar a pobreza – e atacar, de forma discriminatória, todos os nordestinos, na pessoa do governador do maranhão, Flávio Dino. Entendo, apesar da reação do governador da Paraíba, João Azevedo, que este só foi atingido por também ser governador de um dos Estados do Nordeste. Segundo noticiaram todos os grandes jornais e emissoras de TV do país, Bolsonaro conversava informalmente com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, segundos antes do início da mencionada entrevista, durante café da manhã, quando declarou: — “Daqueles governadores de… Paraíba, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara — disse o presidente para o ministro. Pelo áudio da transmissão — distribuída pela TV Brasil, que pertence ao governo federal — não é possível saber o contexto da conversa, porque o Palácio do Planalto informou que não vai comentar o episódio. Dessa forma, o alvo político foi apenas Flávio Dino, governador do Maranhão. Mas a declaração atingiu o coração de todos os nordestinos. Senão, vejamos: “paraíba” é como os preconceituosos do Sul/Sudeste costumam identificar os nordestinos que moram em seus Estados. Se não por essa ‘alcunha’, há outra: “baiano”. Assim, substitua-se “paraíba” por “nordestino”. Além do preconceito, a frase denota o rancor de Bolsonaro por ter sido surrado impiedosamente nas urnas da região, na eleição de 2018. Por Flávio Dino, o presidente Bolsonaro deixa claro que nutre ódio. O maranhense não se cansa de enfrentá-lo, todas as vezes que aquele toma decisões desastrosas ou comete os seus já costumeiros destemperos verbais. Numa democracia, é preciso que haja pessoas com alguma musculatura para, dentro do embate político civilizado, clamar pelo cumprimento de regras mínimas que baseiem os deveres do Estado todas as vezes que aqueles que deveriam fazê-lo cometam desvios de conduta. Entendo que o que Bolsonaro declarou vai muito além do desrespeito à Constituição do país. Demonstrou que conhece muito pouco do Nordeste, e, por isso, pode estar resvalando para algum tipo de xenofobia política. Xenofobia, além de um certo masoquismo silencioso, é o medo do desconhecido. Do Nordeste, o que Bolsonaro compreende é a dor das bordoadas eleitorais que tomou. E Flávio Dino, que também ajudou na sova, como desafeto poderá lhe representar perigo... Bolsonaro parte para um campo perigoso. Ao se insurgir contra a população de uma região tão importante e que tantas contribuições e vultos vem dando ao Brasil em todos os campos da natureza humana – cientistas, políticos, empreendedores comerciais, industriais, agrícolas; escritores, historiadores, poetas, compositores, músicos, cantores, artistas plásticos, publicitários, marqueteiros, cabras machos tipo lampião e Antônio Conselheiro, etc. -, faz coro ao preconceito e discriminação aos nordestinos, já vivos em boa parte do Brasil, e comete uma espécie de “racismo político”. Que pode ser tipificado, dentro do campo do preconceito e do ódio, como xenofobia, homofobia, racismo, dentre outros. Ontem, talvez alertados para essa falta grave, cometida pelo Sr. Bolsonaro, todos os governadores do Nordeste emitiram nota conjunta repudiando a declaração presidencial e conclamando-o a ater-se dentro dos princípios de equidade administrativa, regidos pela Constituição. Mas o momento exige mais que isso. Exige que o presidente venha a público e peça desculpas à nação nordestina.

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