Intelectuais em alerta! Mesmo ameaçado pela soja, Buriti ainda respira ar puro e poesia!

Dois dias inteiros na cidade de Buriti de Inácia Vaz, a 320 KM de São Luís-MA, respirando ar puro e poesia; ouvindo recitais e histórias do arco da velha; tendo aulas de sustentabilidade e conspirando para que, em breve, um movimento feito à Balaiada consiga impedir o desmatamento criminoso que se faz na região (Chapadinha, Anapurus, Mata Roma, Brejo, Buriti, Santa Quitéria...), onde as plantas nativas (juçaras, buritizeiros, bacurizeiros, pequizeiros, jatobás, mutambas ...) estão dando lugar à soja e ao agrotóxico. Não estava em Buriti por acaso. Nascido a 18 quilômetros dali, na antiga Vila do Garapa (hoje Duque Bacelar), curtia fortes lembranças dos banhos no Rio Parnaíba e nas lagoas que ele criava no inverno. Falo do ambiente criado pelo II Encontro Literário da APA dos Morros Garapenses, sediado em Buriti, agora em junho: “as artes, artistas e a literatura unindo nossa região”. E foi isso mesmo o que aconteceu, da forma como propôs o tema, exceção feita ao choro triste de lamento pela devastação das chapadas da região. Afinal, literatura e meio ambiente coexistem - uma reclama a sobrevivência da outra... Mas, entrando na programação, vi a historiadora e professora doutora da UFMA, Regina Faria, abrir um rasgo na história para explicar quando, onde e por que a Balaiada “rolou” no Maranhão. E esse rasgo atingiu em cheio o Baixo Parnaíba, por onde um bravo vaqueiro Raimundo Gomes, de uma certa Vila da Manga, deu as suas ripadas revoltosas e com ele levou um monte de caboclos, negros e brancos injustiçados, à luta por um Maranhão e um Brasil melhores, ainda no Século XIX. Até que o coronel e rufião Luís Alves de Lima e Silva, apelidado depois de “Duque de Caxias”, sufocou o movimento... Apreciei, também, quando o jornalista, escritor e ambientalista Moisés Matias abriu um cofo cheinho de ideias sobre como uma família grande ou pequena pode viver – e bem – cultivando um pedacinho de chão de 1 a 5 hectares, com trabalho sustentável, ecologicamente correto e sem stress. Foi um show. Vai voltar à região e, didaticamente, ensinar a prática da Ecologia e de como se pode viver muito, sem fadigas. Para isso, levou à tiracolo o livro de sua autoria “Ecologia e Estresse”, quase esgotado.

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