Aliado de Sarney, delegado Fernando Segovia é demitido por Raul Jungmann do comando da PF
Brazil's newly appointed Director-General of the Federal Police, Fernando Segovia, wipes his brow during his swearing-in ceremony in Brasilia, Brazil, Monday, Nov. 20, 2017. Segovia was sworn-in by unpopular Brazilian President Michel Temer, who is himself being investigated by the force. (AP Photo/Eraldo Peres)

Aliado de Sarney, delegado Fernando Segovia é demitido por Raul Jungmann do comando da PF

Por decisão do ministro Extraordinário da Segurança Pública Raul Jungmann, o delegado, aliado do ex-senador José Sarney (MDB-AP), deixa o comando da Polícia Federal pouco menos de quatro meses no cargo O delegado da Polícia Federal Fernando Segovia não é mais diretor-geral da corporação. O novo diretor é o delegado Rogério Augusto Viana Galloro, atualmente na Secretaria Nacional de Justiça. Segovia, aliado do ex-senador José Sarney (MDB-AP), ficou à frente da PF pouco menos de quatro meses. O delegado tomou posse em 20 de novembro do ano passado. A demissão de Segovia foi decidida pelo ministro Raul Jungmann, que tomou posse nesta terça-feira, 27, no comando do novo Ministério Extraordinário da Segurança Pública, Pasta que incorporou a Polícia Federal, então atrelada à estrutura do Ministério da Justiça. Durante os quatro meses em que permaneceu no cargo, Fernando Segovia protagonizou episódios polêmicos. No momento de maior crise, Fernando Segovia teve que se explicar ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, uma declaração à agência Reuters A fala de Segovia sugeria que a tendência da Polícia Federal era recomendar o arquivamento do inquérito contra o presidente Michel Temer, no caso do Decreto dos Portos. O delegado afirmou ainda que poderia abrir investigação interna para apurar a conduta do delegado Cleyber Malta Lopes, responsável pelo inquérito. O motivo seriam os questionamentos enviados a Temer no caso. Na ocasião, a defesa do presidente disse que as perguntas colocavam em dúvida a “honorabilidade e a dignidade pessoal” do presidente.

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As ligações do corintiano Fernando Segovia, novo diretor da PF, com Sarney e Lobão

Mesmo afirmando ter apenas encontros “esporádicos” com a família Sarney, um de seus primeiros feitos à frente do novo cargo foi uma operação infundada contra o governador Flávio Dino Fernando Segovia chegou à diretoria geral da Polícia Federal através de uma articulação dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, do ex-presidente José Sarney e do ministro do TCU Augusto Nardes, chancelada pelo presidente Michel Temer. Com a família Sarney, segundo relatos que fez à Folha, os encontros eram esporádicos e em eventos públicos, como festas de um colunista social famoso na capital. Mesmo tendo apenas encontros “esporádicos”, um de seus primeiros feitos à frente do novo cargo foi uma operação contra o governador Flávio Dino, principal adversário da família Sarney, acusando-o de manter 400 funcionários fantasmas na área da saúde e de desviar recursos deste setor a partir de uma sorveteria. Uma narrativa que não durou três dias, mas foi memetizada e aproveitada pela mídia local até o limite da exaustão. Seu período como superintendente da PF no Maranhão, entre 2008 e 2010, faz parte do rol de ligações perigosas que jogaram suspeita na nomeação. Em São Luís, Segovia morou em uma casa alugada de uma família de empresários da construção civil ligada aos maiores caciques do Estado, Sarney e Edison Lobão. Ficou amigo do dono do imóvel, Inácio Regadas, e próximo do irmão, o patriarca da empresa, Marcos Regadas, dono da Franere Construções, que doou dinheiro a campanhas do PMDB. Segovia diz que a escolha da casa se deu sem saber quem era o dono. O chefe da PF ainda carrega uma infeliz coincidência: tem como desafeto dos tempos de São Luís o delegado que hoje toca justamente a única investigação em curso sobre Temer, Cleyber Malta. O inquérito apura se houve irregularidade em um decreto do setor portuário, historicamente de influência do presidente e do PMDB.

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Segovia assume PF e lamenta ‘triste disputa’ com Ministério Público

Fernando Segovia, diretor-geral da Polícia Federal, durante cerimônia de posse no Ministério da Justiça em Brasília (Ricardo Botelho/Folhapress) Na cerimônia em que recebeu oficialmente o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia fez um discurso breve, agradecendo ao presidente Michel Temer (PMDB) pela indicação e lamentando a “infeliz e triste disputa institucional de poder entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal”. Ele conclamou procuradores e policiais a deixarem “de lado a vaidade e a sede de poder, buscando um equilíbrio e um entendimento em nossas ações, em prol de toda a nação brasileira”. Os dois órgãos travam uma histórica disputa por atribuições legais. Em 2013, Fernando Segovia ensejou a defesa de um projeto de lei que, na prática, praticamente inviabilizaria o poder de investigação de procuradores. Rejeitada pelas manifestações de junho daquele ano, a proposta acabou derrotada na Câmara dos Deputados. Atualmente, o principal ponto de conflito entre as duas instituições tem sido as delações premiadas: enquanto policiais reivindicam o direito de celebrar acordos, o MPF já afirmou reiteradas vezes que considera que este é prerrogativa sua.

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