Entrevista – Sergio Moro: “A popularidade é irrelevante, com o tempo a verdade prevalece”

Ex-ministro, que teve imagem desgastada pela Vaza Jato e por sair do Governo, encara resistência em manifestos pró-democracia. Para ele, não há risco de ruptura no Brasil Carla Jiménez/Naiara Galarraga Gortázar/Afonso Benites Quando o ex-juiz Sergio Moro (Maringá, 1972) aceitou seguir o ultradireitista Jair Bolsonaro no Governo fez uma aposta arriscada. Entregava o seu capital político como símbolo anticorrupção a um deputado veterano e incendiário, um nostálgico da ditadura. A lua de mel acabou no fim de abril, como um divórcio ruim, não consensual e uma acusação bomba contra o mandatário: ele queria trocar o diretor-geral da Polícia Federal e interferir na corporação por interesses pessoais. O Supremo Tribunal Federal abriu uma investigação contra Bolsonaro e contra o próprio Moro. Em uma entrevista por videoconferência desde Curitiba, onde está confinado com a família, por conta da pandemia de coronavírus, Moro critica os arroubos autoritários de Bolsonaro mas diz que não vê riscos de uma ruptura democrática. Perguntado se o vídeo podia ser exibido, negou o pedido, embora tenha feito Lives para outros veículos, e para o movimento Vem pra Rua. Ele, que já teve bonecos infláveis gigantes com seu rosto exibidos em todo o país, diz que não se importa com sua queda de popularidade. Saiu de uma imagem positiva entre 60% dos entrevistados em maio de 2019 para 42% no mês passado, segundo o Atlas Político. A série de reportagens da Vaza Jato, que revelou bastidores da Lava Jato, e sua saída do Governo, contribuíram para essa mudança de percepção. Moro não vê relação entre a sua atuação como juiz da Lava Jato e o Estado de Direito fragilizado atualmente, como apontam seus críticos. “Ao contrário, o combate à corrupção fortalece o Estado de Direito”, defende. Também revela que depois de quase 24 anos como servidor público, sendo 22 na magistratura federal, terá de se reinventar profissionalmente, provavelmente no setor privado. Já começou a assinar uma coluna na revista Crusoé, ferrenha defensora da Lava Jato. Pergunta. O senhor saiu do governo 16 meses após assumir o ministério com ataques ao presidente. Ele o enganou ou o senhor cometeu um erro de avaliação? (Siga lendo...)

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Lava Jato – Istoé mostra a rota da propina até o “nosso” senador Edison Lobão

Documento indica o caminho do dinheiro até o então ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Alvo de inquéritos na Lava Jato, o senador Edison Lobão (PMDB-MA) se notabilizou em Brasília por ser um profundo conhecedor dos atalhos do poder – e, principalmente, das benesses que a intimidade com o poder proporciona. Natural, portanto, – embora obviamente condenável -, que Lobão se servisse de tão estratégico, por assim dizer, “notório saber” em benefício pessoal. O que não é natural é o desassombro com que ele e sua turma participaram de uma trama para desviar recursos da Petrobras. É o que mostra documento em poder da Polícia Federal, obtido com exclusividade pela ISTOÉ. Ele traça de maneira nítida a trilha da propina até desaguar em Lobão, então ministro de Minas e Energia. O fluxograma da propina indica ao menos cinco pagamentos ao senador do PMDB. Murilo Barbosa Sobrinho, funcionário da Petrobras apontado como representante dos interesses de Lobão na estatal, era quem recebia os recursos em nome do parlamentar. Há dois repasses realizados diretamente para Lobão, num total de US$ 41 mil. Os outros três pagamentos, de US$ 410 mil, aparecem divididos com outros beneficiários, como o ex-deputado Cândido Vaccarezza e Márcio Aché, ex-funcionário da Petrobras, mas não está especificado quanto foi destinado para cada um deles. Para a Polícia Federal, o apoio político de Lobão era considerado de fundamental importância para garantir contratos entre Sargeant Marine, uma empresa norte-americana de fornecimento de asfalto, e a Petrobras. Um dos acertos nos quais ele se envolveu pessoalmente rendeu à Marine US$ 180 milhões. O esquema é o mesmo que levou Vaccarezza à cadeia. A chancela de Lobão constituiu uma espécie de “seguro” para que não houvesse problemas em negócios futuros com a Petrobras. Segundo a Polícia Federal, o esquema beneficiou ao menos dez pessoas.

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Moro determina que José Dirceu deixe a prisão com tornozeleira eletrônica

O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, determinou, nesta quarta-feira (3), que o ex-ministro José Dirceudeixe a prisão com uso de tornozeleira eletrônica, além de estar proibido de deixar Vinhedo, cidade do interior de São Paulo. (G1) Dirceu poderá colocar a tornozeleira após entregar os passaportes à Justiça, estabeleceu Moro. Ele só poderá morar em outra cidade do país caso a Justiça autorize. O juiz argumentou que "a gravidade em concreto dos crimes" pelos quais o ex-ministro foi condenado – que incluem o recebimento de R$ 4 milhões em propina durante o julgamento do mensalão, no qual Dirceu era réu – não permitem a concessão de prisão domiciliar. Moro afirmou ainda que, embora fosse "oportuna" a exigência de fiança, decidiu não estipulá-la, pois alguns bens do patrimônio do ex-ministro são alvo de sequestro de bens determinado pela Justiça. Veja a íntegra da decisão do juiz Sérgio Moro Dirceu foi condenado duas vezes na Operação Lava Jato e cumpria prisão preventiva (sem prazo determinado) por ordem de Moro desde agosto de 2015, sob a alegação de que havia risco de cometer novos crimes. A medida, entretanto, foi revogada nesta terça-feira (2) pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de Moro foi protocolada no sistema eletrônico da Justiça Federal do Paraná às 11h48, uma hora após a comunicação do STF sobre a soltura de Dirceu chegar ao juiz. Veja as condições impostas por Moro Proibição de deixar a cidade de seu domicílio, em princípio, Vinhedo (SP); Proibição de se comunicar, por qualquer meio ou por interpostas pessoas, com os coacusados ou testemunhas de três ações penais da Lava Jato; Comparecimento a todos os atos do processo e atendimento às intimações, por telefone, salvo se dispensado pelo juízo; Proibição de deixar o país; Entrega em juízo de seus passaportes brasileiros e estrangeiros.

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Culhões roxos! ‘Larguem o osso, saiam do governo’, diz Cid Gomes a ‘oportunistas’ na Câmara
Ministro da Educação Cid Gomes, na Câmara dos Deputados: altivo, altaneiro, verdadeiro.. Prêmio que recebeu: a demissão do cargo pela presidente Dilma

Culhões roxos! ‘Larguem o osso, saiam do governo’, diz Cid Gomes a ‘oportunistas’ na Câmara

No dia 27, no Pará, o então ministro da Educação, Cid Gomes, disse que a Câmara tem de 300 a 400 que 'achacam'. O mundo desabou. os deputados reagiram e ele foi convocado a se explicar. Não só sustentou o que havia dito como ainda provocou o presidente Eduardo Cunha: "Não sou como Vossa Excelência. Não fui citado na Operação Lava Jato..." Da Câmara, foi ao Palácio onde ouviu de Dilma Roussef que, infelizmente, não poderia segurá-lo. Venceram os que achacam a presidente do Brasil... Ganha a minha profunda admiração o ex-ministro da Educação,cearense Cid Gomes, irmão do também ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes, demitido ontem do cargo por não ter papas na língua. Deveria, ao invés de demitido, receber honrarias por ter a coragem de dizer o que pensa. Melhor: dizer a verdade. Mas na atual república dos ratos, o homem público que fala o que pensa, termina como Cid Gomes - no olho da rua. Cid Gomes, fez ontem (18), na tribuna da Câmara, um apelo aos deputados "oportunistas", que detêm cargos na administração federal, mas não dão apoio ao governo no Congresso, para que "larguem o osso, saiam do governo".

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