Prisão de Lula: um teste para a erodida democracia brasileira, que pode até desmoronar…

(PRESO) AMANHÃ Eh Varzea (política num mundo atolado)* Acompanhei o julgamento do recurso do ex-presidente Lula pelo TRF-4 ontem. O resultado foi próximo ao que eu esperava – com adendos controversos. Condenado em 2a instância, Lula segue como possível candidato até o julgamento de todos seus recursos, podendo ser preso antes disso. As reações ao julgamento foram interessantes. A máquina do antipetismo tornou Lula “o maior ladrão da história”, transformou o PT em “a quadrilha” (não se fala assim de outros partidos). Mais ainda, esse sentimento foi canalizado numa pluralidade de mídia que, quando não assume que o pensamento de esquerda é criminoso afirma que ele é patológico. Mas esse texto não se trata de uma defesa do Partido dos Trabalhadores, ou ainda, do Lulismo e do próprio Lula. Esse texto trata de duas encruzilhadas: a da esquerda brasileira e a do Brasil em si. A direita brasileira tem por estratégia, consciente ou não, a eleição de moralizadores que são constantemente substituídos. Collor foi o Caçador de Marajás, Demóstenes Torres foi o paladino da ética, Eduardo Cunha foi o homem da súbita força, a lista é longa. A substituição rápida dá a vantagem à direita de possuir uma vantagem moral, mesmo que o novo paladino possa pertencer aos mesmos círculos dos ídolos caídos. “Não apoio bandidos, eu não sabia que ele era corrupto”. A esquerda, por outro lado, se atém ao personalismo. Não se trata apenas do caso de Lula e da fusão da agenda do PT, sua pré-campanha e sua defesa. Lula é uma figura política que se tornou maior que seu partido. Todas as eleições, desde a redemocratização, giram em torno dele: ele (ou seu sucessor) é eleito ou disputa o 2o turno. Por quê? A resposta valeria um livro e há muito escrito sobre isso. Essa talvez seja a primeira eleição onde isso não acontecerá. A escalada de Lula nas pesquisas eleitorais desde a deposição de Dilma Rousseff é importante, e se deu sobretudo à absoluta impopularidade de Temer e de sua agenda reformista. A incapacidade do sistema político de se renovar fica evidente: a maioria dos candidatos são veteranos. E não, Bolso não é renovação, tem 20 anos de casa e representa uma linha reacionária saudosa (ou idealista) em relação à Ditadura Militar. O PT defenderá Lula a qualquer custo porque se tornou o partido do Lulismo. Ou melhor, o Lulismo se tornou maior que o PT. A maneira como Lava Jato foi constantemente retratada como uma operação contra o PT, e não apenas pela mídia lulista, mostra um mundo de expectativas que se concentra na figura do ex-presidente. A condenação e a prisão de Lula certamente significariam algo, mas o quê? capas-pt-psdb. Leia o artigo completo. Acesse LEIA MAIS....

Continuar lendo Prisão de Lula: um teste para a erodida democracia brasileira, que pode até desmoronar…