Tão democrático quanto a morte, quem escapa da ação do tempo?

Tenho me observado com mais atenção. Descubro que, a pouquíssimos dias dos 62 anos, presto mais atenção ao calendário. Constato, com um misto de discreta melancolia e puro realismo, que o tempo agora está passando mais rápido... Por isso, lembrei-me dessa crônica que escrevi e publiquei no ultimo dia de 2013... Queria, com ela, alertar os meus amigos sobre os efeitos que essa instituição democrática exerce em todos nós. E confortar aqueles que não se conformam com o passar do tempo e a proximidade do "juízo final! Começo assim... Independente dos afazeres da Natureza e das pessoas, os 365 dias do ano não esperam por ninguém. Mal passamos por janeiro e fevereiro, não demora muito e lá vêm outra vez o Natal e o Ano Novo. Soldados, generais, deputados, presidentes, médicos, empresários, padres, pastores, operários, crianças, mendigos, prostitutas, criminosos, todos se submetem à lei e à ação do tempo, que se “impõem”, paradoxalmente, democráticos. Já imaginou se o dia, para nascer, tivesse que esperar a maré subir ou descer? Um pôr de sol “congelar” para que um casal de namorados possa ter mais tempo para juras de amor? A noite se estender por mais tempo para encobrir um roubo ou uma ação de guerra? Não! O tempo não espera algo ou alguém. Não transige. Ao contrário, é igual, redondo, exato, se milimetricamente cronometrado. Tem a lenda do galo que acreditava que, para amanhecer, precisaria cantar. Um dia farreou demais com a galinha, dormiu mais da conta e, quando acordou, o sol já estava alto... Mamãe me dizia: “O tempo é o melhor remédio para todos os males. Basta esperar. Mas o tempo, é bom que se diga, não espera...” Mesmo assim, com essa onipresença e onipotência, muitos tentam se eximir da mão poderosa do tempo. O melhor seria aceitá-lo, aproveitá-lo, enquanto é tempo. Do tempo, diz-se que tem duas caras. Se bem aproveitado, será um grande aliado. Se não, será seu pior inimigo. Mário Lago dizia que “o tempo não comprou passagem de volta”. Portanto, viva sempre a favor do tempo, sabendo que perder tempo é desperdiçar a vida, e correr contra o tempo é maltratar o coração. O que é seu chega com o tempo. O que não é, vai-se com ele. Lembre-se de Millor Fernandes: “Quem mata o tempo não é assassino. É suicida”. Para os mais sofisticados, surrealisticamente falando, Platão disse: “O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel”. Plutarco aliviou: “O tempo é o mais sábio dos conselheiros”. Cazuza, exaltando Quintana, cancionou que “o tempo não para”... Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo. Como Mário Lago, fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo. Nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra. Para os erros, perdão. Para os fracassos, uma nova chance. Para os amores impossíveis, o tempo. O tempo é algo que temos grande dificuldade em administrar. Estamos sempre a um passo atrás ou à frente. Para terminar, alerto: ou a gente passa o tempo ou o tempo passa a gente. E não deixe a borracha do tempo me apagar do seu coração. Espero que tenham tempo de ler toda a crônica...

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Prisão de Lula: um teste para a erodida democracia brasileira, que pode até desmoronar…

(PRESO) AMANHÃ Eh Varzea (política num mundo atolado)* Acompanhei o julgamento do recurso do ex-presidente Lula pelo TRF-4 ontem. O resultado foi próximo ao que eu esperava – com adendos controversos. Condenado em 2a instância, Lula segue como possível candidato até o julgamento de todos seus recursos, podendo ser preso antes disso. As reações ao julgamento foram interessantes. A máquina do antipetismo tornou Lula “o maior ladrão da história”, transformou o PT em “a quadrilha” (não se fala assim de outros partidos). Mais ainda, esse sentimento foi canalizado numa pluralidade de mídia que, quando não assume que o pensamento de esquerda é criminoso afirma que ele é patológico. Mas esse texto não se trata de uma defesa do Partido dos Trabalhadores, ou ainda, do Lulismo e do próprio Lula. Esse texto trata de duas encruzilhadas: a da esquerda brasileira e a do Brasil em si. A direita brasileira tem por estratégia, consciente ou não, a eleição de moralizadores que são constantemente substituídos. Collor foi o Caçador de Marajás, Demóstenes Torres foi o paladino da ética, Eduardo Cunha foi o homem da súbita força, a lista é longa. A substituição rápida dá a vantagem à direita de possuir uma vantagem moral, mesmo que o novo paladino possa pertencer aos mesmos círculos dos ídolos caídos. “Não apoio bandidos, eu não sabia que ele era corrupto”. A esquerda, por outro lado, se atém ao personalismo. Não se trata apenas do caso de Lula e da fusão da agenda do PT, sua pré-campanha e sua defesa. Lula é uma figura política que se tornou maior que seu partido. Todas as eleições, desde a redemocratização, giram em torno dele: ele (ou seu sucessor) é eleito ou disputa o 2o turno. Por quê? A resposta valeria um livro e há muito escrito sobre isso. Essa talvez seja a primeira eleição onde isso não acontecerá. A escalada de Lula nas pesquisas eleitorais desde a deposição de Dilma Rousseff é importante, e se deu sobretudo à absoluta impopularidade de Temer e de sua agenda reformista. A incapacidade do sistema político de se renovar fica evidente: a maioria dos candidatos são veteranos. E não, Bolso não é renovação, tem 20 anos de casa e representa uma linha reacionária saudosa (ou idealista) em relação à Ditadura Militar. O PT defenderá Lula a qualquer custo porque se tornou o partido do Lulismo. Ou melhor, o Lulismo se tornou maior que o PT. A maneira como Lava Jato foi constantemente retratada como uma operação contra o PT, e não apenas pela mídia lulista, mostra um mundo de expectativas que se concentra na figura do ex-presidente. A condenação e a prisão de Lula certamente significariam algo, mas o quê? capas-pt-psdb. Leia o artigo completo. Acesse LEIA MAIS....

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Parcela que apoia governo militar no Brasil é maior que a média mundial

Segundo levantamento, 23% dos entrevistados no Brasil dizem não gostar da democracia representativa. Maioria é constituída de pessoas que não chegam ao ensino médio. A parcela de brasileiros que apoia pelo menos uma forma de governo "não democrática" e que mostra simpatia por militares no poder é maior do que a média global, segundo um levantamento realizado pelo americano Centro de Pesquisas Pew em 38 países.   Segundo a pesquisa, 23 % dos entrevistados no Brasil diz não gostar da democracia representativa e apoia ao menos uma das três formas de governo: tecnocrático, militar ou com um "líder forte". Nos 38 países, a média é de 13%, com 23% dizendo descartar formas de governo "não democráticas". Se contabilizados os brasileiros que consideram a democracia representativa "boa" mas também apoiam ao menos uma forma de governo "não democrática", a parcela do país que considera válido um regime militar, tecnocrático ou autoritário sobe para 62%. O levantamento foi feito entre fevereiro e maio com 41.593 pessoas em 38 países de cinco continentes. No Brasil, foram entrevistadas 1.008 pessoas, pessoalmente, entre março e abril, com margem de erro de 4,7 pontos percentuais.

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Crise Sistêmica: “… Precisamos de um modelo de democracia mais inclusivo, mais justo…”

CRISE SISTÊMICA Se hoje a política é controlada pelas grandes empresas, como fazer para que a democracia controle a economia? Como limitar o poder do dinheiro na formulação das políticas? Como fortalecer os setores empobrecidos para a disputa pelos recursos públicos? Precisamos de um novo modelo de democracia, mais inclusivo, mais participativo, mais justo. LE MONDE - DIPLOMATIC BRASIL Por: Silvio Caccia Bava* Agora que todos os partidos políticos, o Executivo e o Legislativo (e logo mais o Judiciário) são denunciados por práticas de corrupção, vai se caracterizando uma crise sistêmica do sistema político, capturado pelos interesses das grandes empresas. Embora 70% dos brasileiros considerem a democracia o melhor sistema de governo, apenas 32% apoiam a democracia que temos, uma queda de 22 pontos percentuais se comparado 2015 a 2016; 55% declaram que não se importam se um governo não é democrático, desde que solucione os problemas.¹ Pesquisas realizadas no período das últimas eleições identificam que 57% dos eleitores não votariam se o voto não fosse obrigatório.² E 70% dos eleitores estão indecisos ou votarão branco e nulo nas eleições de 2018.³ Quanto à avaliação do governo Temer, sua desaprovação cresce a cada mês. Em janeiro, era 59%; em fevereiro, 62%; em março, 75%; em abril, 87% julgam o governo ruim ou péssimo. Apenas 4% julgam o governo atual positivo. A Lava Jato, ao tornar pública essa vasta gama de iniciativas de corrupção, gera a repulsa da sociedade a essas práticas, mas também ao sistema político que as viabiliza. E como chegaremos às eleições de 2018 neste cenário de descrédito e suspeição? Lula ressurge, com 47% de potencial de votos (30% votariam com certeza, 17% declaram que poderiam votar), como o mais forte candidato para 2018. Sua rejeição caiu 14 pontos desde o impeachment da presidenta Dilma, igualando a marca dos que o apoiam. Comparando a pesquisa de outubro de 2015 com a atual, seus adversários do PSDB despencam na preferência eleitoral. Aécio tinha 41%, caiu para 22%. Serra tinha 32%, caiu para 25%. Alckmin tinha 29%, caiu para 22%.5 Outra pesquisa atual mostra o crescimento de Lula: dezembro de 2016, 35%; abril de 2017, 45%. O PT recupera parte de seu eleitorado: dezembro de 2016, 15%; abril de 2017, 20%. Nessa mesma pesquisa, o PSDB aparece com a preferência de 4%.6 O impasse é duplo: o descrédito no sistema político e nos partidos de direita e o crescimento de Lula e do PT. O golpe não foi dado para dois anos depois o governo ser entregue novamente aos petistas. Assim, as chances de Lula ser condenado na Lava Jato e perder seus direitos políticos são grandes. Independe se ele é culpado ou não, assim como foi com a presidenta Dilma. Nossas elites não querem mais um projeto de governo que limite seus ganhos, imponha-lhes controles e aumente o custo de reprodução da força de trabalho. Nessa situação, promover uma reforma política antes de outubro deste ano, para valer para as próximas eleições, é visto como a tábua de salvação para a maioria dos ocupantes do Congresso e para o Palácio do Planalto. Acreditam que a reforma política legitimaria o sistema político perante o eleitorado e garantiria para si mecanismos de financiamento eleitoral e regras do jogo para aqueles que só ganham eleições com muito dinheiro. O foco, agora que as empresas estão proibidas de financiar campanhas eleitorais, é o fundo público eleitoral. A reforma do sistema político não pode ser feita pelos atuais congressistas, já que 70% deles foram financiados por dez grandes grupos econômicos e obedecem a seus interesses. Ela tem de ficar para 2019, já num novo cenário pós-eleitoral, que não sabemos qual será. A reforma política não pode se restringir a definir novas regras, se o voto será distrital ou não, se a lista dos candidatos será aberta ou fechada, se haverá um filtro que impeça os partidos nanicos de disputar eleições etc. É preciso ir mais fundo, são os fundamentos da nossa democracia que estão em causa. Se hoje a política é controlada pelas grandes empresas, como fazer para que a democracia controle a economia? Como limitar o poder do dinheiro na formulação das políticas? Como fortalecer os setores empobrecidos para a disputa pelos recursos públicos? Como garantir a representação das minorias discriminadas nas decisões de governo? Como enfrentar a política tributária regressiva e garantir serviços públicos de qualidade, universais e gratuitos? Como enfrentar a desigualdade e a crise ambiental? Precisamos de um novo modelo de democracia, mais inclusivo, mais participativo, mais justo. Com a irritação popular chegando às raias das explosões sociais, como ocorreu com os professores do Paraná, com os funcionários públicos do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, com a recente invasão por policiais da Câmara dos Deputados, em Brasília, e muitas outras manifestações, a situação política fica extremamente delicada. Condenar Lula, um candidato à Presidência da República que conta com 47% de potencial de voto, seria acender um fósforo perto de um barril de pólvora… Mas, mesmo que seja cassado, Lula continuará sendo um grande eleitor. E não se pode ignorar a importância das eleições para o Congresso Nacional. Os defensores da democracia precisam se engajar nas eleições do futuro Congresso Nacional. Resgatar a ética na política e garantir a democracia como espaço e modo de negociação de interesses. É com o futuro Congresso que aprovaremos a Constituinte independente para a reforma do sistema político.

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Governadores do NE entregam carta em defesa da Democracia e pauta à Dilma Rousseff

O governador Flávio Dino integrou a comitiva do Nordeste que fez a defesa do Estado Democrático de Direito frente à atual conjuntura política e apresentou pautas comuns aos estados para a presidenta Dilma Rousseff. “Neste momento, o Brasil precisa da união das forças políticas em nome do pleno funcionamento das instituições da República e do cumprimento da Constituição. Viemos reforçar esse compromisso com a legalidade e conclamar todos os brasileiros na defesa das regras democráticas” destacou o governador, na tarde desta quarta-feira, 25, durante o encontro em Brasília. Os nove governadores do Nordeste reuniram-se com a presidenta Dilma Rousseff para apresentar pautas políticas e administrativas dos estados da região. Construir políticas públicas integradas entre os estados e garantir a continuidade do desenvolvimento da região foi o centro da pauta apresentada pelos administradores estaduais à chefe do Executivo Federal. Acesso a financiamentos internos e externos, continuidade de investimentos em infraestrutura e convênios, financiamento da Saúde Pública, priorização na aplicação de política de Segurança Pública e combate às drogas, além de ações emergenciais para o combate à seca foram os temas apresentados como prioritários para os Estados nordestinos.

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Fora da margem de erro, o PT joga tudo para não perder o poder. E a democracia corre riscos…

A virulência verbal do discurso "da presidenta Dilma", nos comícios, no rádio e na TV, fora ou dentro da propaganda eleitoral gratuita, é algo jamais visto em campanhas presidenciais desde que o país retomou a democracia. No poder, o PT, partido "da presidenta" usa as armas que tem e vai além do aceitável, quando o tema é desbancar o adversário. numa campanha do "Vale Tudo". Os ruídos provocados pela campanha são tão fortes que abafam a roubalheira do PT, em escândalos que abalaram a República - "friboi", "mensalão", "petrolão", etc. etc. Como se não bastasse Ibope e Data Folha, devidamente afinados com a Rede Globo, "segurarem" o crescimento da candidatura de Aécio Neves, com números de intenção de votos de Ibope e Datafolha exatamente iguais, hoje (20) apareceu a primeira pesquisa CNT/MDA divulgada após a votação do primeiro turno da eleição presidencial. E mostra o quê? A candidata Dilma Rousseff (PT) com 45,5 por cento das intenções de votos, enquanto o candidato do PSDB, Aécio Neves, aparece com 44,5 por cento, invertendo a tendência de Ibope e Datafolha de "empate técnico" De acordo com a pesquisa, Dilma tem 50,5 por cento dos votos válidos, contra 49,5 por cento de Aécio. A margem de erro da pesquisa, realizada nos dias 18 e 19 de outubro, é de 2,2 pontos percentuais. Quem é do ramo sente o cheiro de armação no ar, todo tipo de armação. Turbinada pela filosofia de dirigentes e militantes petistas para quem os fins justificam os meios. E a finalidade é manter o poder por toda a eternidade. Os meios todo mundo está vendo, como num filme de terror político a atormentar a cabeça do eleitor. No mais, essa tesoura petista é muito pesada e afiada para cima de um tucano. O objetivo é depená-lo por inteiro, aos olhos do eleitor. Se isso acontecer, a democracia brasileira está em risco. Eleger Aécio, além do brasileiro bancar a alternância de poder, é também bancar a consolidação dessa jovem democracia Não podemos nos afastar, assim, da margem de erros....

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