Temer ficou ‘enciumado pelo poder do deputado Cunha’, diz Funaro

Delator relatou clima de insatisfação entre o presidente e aliados Em sua delação premiada, Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador de políticos do PMDB em esquemas de desvio de dinheiro público, relatou situações em que houve problemas entre o presidente Michel Temer e aliados. Entre eles, o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. No começo de 2015, por exemplo, Funaro relatou que não houve harmonia entre os peemedebistas. Cunha tinha sido eleito presidente da Câmara, e Temer era vice-presidente da República. Segundo o termo de depoimento, Temer ficou "enciumado pelo poder do deputado Cunha" e "diminuiu o contato com ele". Anos antes, em 2011, quando Temer também era vice, Wagner Rossi deixou o Ministério da Agricultura em meio a suspeitas de irregularidades. Funaro relatou que o empresário Joesley Batista, do frigorífico JBS, "afirmou que Rossi reclamou de Temer, uma vez que, quando precisava se segurar no Ministério da Agricultura, Temer não se mexeu". O delator também disse ter certeza de que "parcela da propina paga a Wagner Rossi era redistribuída a Michel".  No entanto, em 2012 houve uma compensação.

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Dinheiro da corrupção de Cabral era tanto que virou transtorno, revela doleiro

Renato Chebar prestou depoimento ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, na manhã desta terça-feira, 11 O volume de dinheiro obtido pelo esquema de corrupção supostamente comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) cresceu tanto que virou um transtorno para quem operava com ele no País, segundo revelou o doleiro Renato Chebar ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, na manhã desta terça-feira, 11. “Comecei a não dar conta do serviço. O esquema ficou grandioso para mim”, disse Chebar, que confirmou ter operado para Cabral o dinheiro de corrupção no período de 2007 a 2014- período em que o peemedebista foi governador do Rio. Sérgio Cabral foi preso em novembro do ano passado pela Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato. Em seu depoimento, Chebar contou que recebia de operadores de Cabral, em seu escritório no Rio, dinheiro vivo, que convertia em crédito em contas no exterior. Segundo Chebar, que é economista, antes de Cabral virar governador, a entrada de dinheiro era de cerca de R$ 150 mil mensais. A partir de 2007, aumentou muito. Passou a variar de R$ 450 mil a até R$ 1 milhão por mês. “Neste período, fiquei com medo de guardar aquele dinheiro todo..."

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Delação da Odebrecht: a obra que uniu na corrupção PT, PSDB, índios, ruralistas, CUT e Força Sindical

Construção das hidrelétricas do Rio Madeira envolveu pagamentos para atores políticos de espectros opostos. Surgiu na delação que, após a derrota na licitação da hidrelétrica de Jirau, a empreiteira Odebrecht teria pago 5,5 milhões de reais ao "esquálido" senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB) para tentar anular o processo... Existe algo além de energia nos mais de 7.000 megawats de potência instalada das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ambas no rio Madeira, em Rondônia. Se comprovadas as delações feitas por ex-diretores e executivo da empreiteira Odebrecht, a construção das duas usinas é um caso raro. Não pelo ilícito cometido: a Operação Lava Jato revelou que o pagamento de propinas em troca de contratos com o poder público é regra e não exceção. Mas por unir interesses políticos opostos. Separadas por pouco mais de 100 km de distância, são prova concreta do ecumenismo da corrupção. Desde o processo licitatório das duas obras, iniciado em 2007 e 2008, respectivamente, se seguiu um turbilhão de repasses ilegais, caixa2 e subornos que abasteceram lados antagônicos. Deputados ruralistas e índios, petistas e tucanos, sindicalistas ligados ao PT e de oposição ao partido. O rio Madeira é o segundo maior rio da Amazônia, e seu potencial gerador de energia despertou o interesse do Governo de Lula em 2007. À época o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) dispunha de recursos abundantes e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social oferecia linhas de financiamento vantajosas para as empreiteiras. Em 2007 a Odebrecht venceu a licitação para a construção da usina de Santo Antônio. O patriarca do clã Odebrecht tornado delator, Emílio, diz em seu depoimento que logo de cara pressionou o então presidente Lula para que não houvesse atraso na contratação e desembolso do financiamento para a construção da hidrelétrica junto ao BNDES. O empreiteiro também teria cobrado do petista agilidade nas concessões das licenças ambientais necessárias para que a obra tivesse início. O ex-presidente já é réu em cinco processos, sendo dois no âmbito da Lava Jato. Burocracias e pressão política à parte, os verdadeiros problemas da empreiteira começaram em 2008. O consórcio Tractebel Suez derrotou a Odebrecht e venceu a licitação para a usina de Jirau. Emílio afirma que houve “favorecimento” da companhia por parte da então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. De acordo com ele, o projeto apresentado pela Tractebel violava o edital ao não levar em conta o melhor lugar possível para a construção das barragens no rio de modo a maximizar o potencial de geração elétrica. “A Tractebel que já havia perdido [a licitação de] Santo Antônio pra gente, entrou em Jirau contra a gente, mas feriu o edital: colocou a barragem a 10 ou 15 km [do local ideal]. Ela infringiu o edital mas (...) teve apoio da Dilma pleno”, afirma. (CONTINUE LENDO. ACESSE "LEIA MAIS"...)

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Apontado como o de maior valor do mundo, acordo de leniência da J&F é alvo de críticas de especialistas

Ao longo dos próximos 25 anos, o conglomerado terá de desembolsar multa de R$ 10,3 bilhões, o que representa apenas 5,62% do faturamento da empresa em 2016 Após a Procuradoria-Geral da República (PGR) firmar um acordo de delação premiada com os sócios do J&F criticado pelo suposto excesso de benevolência concedido aos empresários, o Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal fechou um acordo de leniência bilionário com a controladora dos negócios dos irmãos Batista. Ao longo dos próximos 25 anos, o conglomerado terá de desembolsar multa de R$ 10,3 bilhões. Segundo MPF, trata-se do valor mais alto já acertado para esse tipo de colaboração no mundo. Especialistas, entretanto, consideram a quantia irrisória, uma vez que representa somente 5,62% do faturamento do J&F em 2016. O montante a ser pago por ano equivale a um dia da receita do grupo. — Esse valor não me seduz porque tem de ser analisado o tamanho do prejuízo para a administração pública. Em valores nominais, pode até ser o mais alto, mas a avaliação tem de ser qualitativa, colocando na balança o que houve de prejuízo e o que o grupo causou de dano para o país — observa Fabrício Medeiros, professor do Centro Universitário de Brasília e sócio do escritório Andrade Maia. Após seis tentativas de acerto, iniciadas em fevereiro, o valor foi definido na noite de terça-feira. Agora, autoridades e advogados discutem as cláusulas do acordo, que deve ser assinado em breve. Inicialmente, o MPF previa multa de R$ 33,6 bilhões, mas a lei indica descontos de até dois terços. A primeira proposta da J&F era de R$ 1,4 bilhão.

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Perito contratado por Temer diz que áudio não vale como prova e devia ir para o lixo

Perito contratado por Temer diz que áudio não vale como prova e devia ir para o lixo.Ricardo Molina diz que até um leigo perceberia impropriedades na gravação Perito contratado por Temer, Ricardo Molina diz que gravação feita por dono da JBS não vale como prova - Jorge William / Agência O Globo Contratado pela defesa de Michel Temer para analisar o áudio da conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista, o perito Ricardo Molina afirmou nesta segunda-feira que a gravação seria imediatamente descartada em qualquer processo jurídico, e que deveria ser jogada no lixo, em função de diversos problemas. Em entrevista coletiva em Brasília, o perito afirmou que há problemas que seriam detectados até por leigos na gravação. Ele afirma que o áudio está “inteiramente contaminado por inúmeras descontinuidades, mascaramentos por ruídos, longos trechos ininteligíveis ou de inteligibilidade duvidosa e várias outras incertezas” e que “não poderia ser considerado como uma prova material válida”, conforme escrito numa apresentação de Power Point exibida aos jornalistas. O perito, no entanto, não soube apontar o numero exato de pontos do áudio com problemas, mas disse que eram mais de 50. Ele afirmou que contou com a ajuda de mais duas pessoas e três programas de computador. Ele apontou a baixa qualidade do aparelho usado por Joesley. — É uma gravação tão importante que estranha que tenha sido feita com um gravador tão vagabundo.

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‘Se quiserem, me derrubem’, diz Temer em entrevista ao negar renúncia

Questionado sobre qual seria sua culpa, Temer diz que foi a ingenuidade. O presidente Michel Temer (PMDB) voltou a negar que irá renunciar ao cargo. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, publicada nesta segunda-feira, ele diz que não renuncia porque isso seria um atestado de culpa. “Se quiserem, me derrubem, porque, se eu renuncio, é uma declaração de culpa”, afirmou. Temer foi jogado na mais grave crise política de seu governo pela revelação das gravações feitas pelo empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS. Em delação premiada, Joesley afirma que Temer concordou com os pagamentos para silenciar o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sobre esse episódio, Temer afirma que sua frase foi dada quando Joesley afirmava: “Olhe, tenho mantido boa relação com o Cunha”. “[E eu disse]: “Mantenha isso”. Além do que, ontem mesmo o Eduardo Cunha lançou uma carta em que diz que jamais pediu [dinheiro] a ele [Joesley] e muito menos a mim.” Questionado sobre qual seria sua culpa, Temer diz que foi a ingenuidade. “Fui ingênuo ao receber uma pessoa naquele momento.” O presidente afirma desconhecer que Joesley era investigado e minimizou o fato de receber o empresário tarde da noite, em um encontro que não constava da agenda oficial. “Você sabe que muitas vezes eu marco cinco audiências e recebo 15 pessoas. Às vezes à noite, portanto inteiramente fora da agenda.”

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STF vai questionar perdão a Joesley Batista, dono da JBS, premiado com delação polêmica
Livre, leve e solto Joesly Batista pode ter essa decisão revista

STF vai questionar perdão a Joesley Batista, dono da JBS, premiado com delação polêmica

Pelo menos um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) vai questionar, na sessão de quarta-feira (24),os termos da delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS. O STF irá decidir se suspende o inquérito contra o presidente Michel Temer, como pede a defesa. Temer é investigado por três crimes: corrupção passiva, obstrução à investigação e participação em organização criminosa. A dúvida é se o ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo, poderia ter concedido perdão judicial ao empresário sem ouvir o plenário da Corte. Já havia indignação no STF com os termos do acordo fechado com Sérgio Machado, que conseguiu livrar os filhos de punição. Os benefícios dados a Joesley elevaram o tom das críticas na Corte. Já se fala em questionar outras delações. Livre, leve e solto Joesly Batista pode ter essa decisão revista “Não tenho notícia de acordo de delação com tantas benesses a um delator”, diz o professor de Direito da FAAP, Luiz Fernando Amaral.

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Temer ganha fôlego com permanência de PSDB, DEM e PPS na base aliada

emonstração de força ao reunir importantes aliados no Palácio da Alvorada no domingo à noite. Depois do encontro, que reuniu 17 ministros, 23 deputados e 6 senadores de diversos partidos, alguns dos participantes afastaram o risco de debandada da base aliada. Mais cedo, PSDB, DEM e PPS já haviam cancelado uma reunião, prevista para domingo de tarde, em que discutiriam a possível saída do governo. Investidores dos EUA manterão distância da JBS, diz analista americana Líder do DEM diz que acusações são graves, mas que partido vai esperar para decidir se sai do governo Temer Participaram do encontro com Temer no Alvorada, por exemplo, os ministros tucanos Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Bruno Araújo (Cidades) e Antônio Imbassahy (Secretaria de Governo), assim como o novo presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati. Do PPS, esteve presente o ministro da Defesa, Raul Jungmann. Já o DEM foi representado pelo presidente do partido, senador Agripino Maia, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o líder da bancada na Câmara, deputado Efraim Filho, e o ministro da educação, Mendonça Filho. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB) também participou e, junto com Rodrigo Maia, manifestou lealdade e compromisso com a pauta do governo no Congresso. Já Temer voltou a repetir no encontro que não pretende renunciar.

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Jornalismo do achaque: Claudio Humberto nas delações da Friboi é acusado de extorsão

Claudio Humberto é conhecido no meio político como o ex-porta-voz do ex-presidente Fernando Collor. Ele aparece nas delações da JBS, liberadas pelo STF. Ricardo Saud em sua delação acusa Cláudio Humberto de fazer achaque, chantageando-o para receber mesada. O texto referido por Saud foi publicado no blog de Cláudio Humberto, no Correio Braziliense e até em Uberaba, terra do diretor da Friboi. De acordo com Saud ele foi conversar com Renan Calheiros e este o avisou que Claudio Humberto “vive disso” (de achaque) e que era pra Saud dar uma mesada para o colunista chantageador. Humberto queria um contrato de 32 mil reais e negociaram 18 mil mensais, para que ele parasse de escrever textos contra Saud. Assista, ao final da matéria, ao vídeo da delação e a descrição detalhada que faz o diretor da Friboi sobre os aludidos achaques de Cláudio Humberto:

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Crise política – O golpe de mestre de Joesley Batista, segundo um juiz
Irmãos Batista, da JBS: suspeitas de golpe na delação que abalou o mundo politico, abatendo o presidente da República, Michel Temer, e o senador Aécio Neves,,,

Crise política – O golpe de mestre de Joesley Batista, segundo um juiz

Entenda o golpe de mestre de Joesley Batista via Teoria dos Jogos O empresário Joesley Batista deu um xeque-mate. Fez uma jogada de mestre. A perplexidade de alguns contracena com a ação eficiente de Joesley, sócio da JBS, para salvar seu grupo empresarial e sua liberdade, típica de quem domina a lógica do novo modelo de compra e venda de informações. Farei uma análise via Teoria dos Jogos, tema que tenho procurado estudar[1]. Sou favorável à delação premiada, embora reconheça que há certa ambiguidade e ausência parcial de regras claras sobre o modo de produção desse modelo negocial. Para entender o êxito da estratégia definida por Joesley e seus advogados, seguirei o seguinte trajeto: 1) as investigações estavam chegando aos interesses de seu grande conglomerado empresarial, cujos lucros foram de R$ 4,6 bilhões em 2015 e de R$ 694 milhões em 2016, sendo necessário agir para (i) manter a vitalidade da empresa e (ii) mitigar os efeitos da ação penal sobre a liberdade dos sócios; 2) para obter a estratégia dominante/dominada, abrem-se duas táticas: (i) passiva: aguardar o desenrolar das investigações, tomando-se medidas preventivas, arriscando-se em um processo penal cujos estragos seriam postergados no tempo (que custa dinheiro), com a real possibilidade de sanções patrimoniais e principalmente a prisão dos envolvidos internamente, dentre eles Joesley; (ii) ativa: agir para produzir material capaz de ser trocado no mercado da delação premiada, atualmente em pleno funcionamento no sistema processual penal brasileiro. A escolha foi pela segunda opção, lançando-se a campo. Na avaliação de riscos, a tática adotada é a dominante para qualquer um que pense como um “homem de negócios”; 3) adotada a tática ativa, surge a necessidade de que as informações tenham valor de troca, ou seja, de que seja possível chamar a atenção dos compradores (Ministério Público e Polícia Federal) pela qualidade e relevância, bem assim do fator impacto de seu conteúdo; 4) inventariar a informação exigia um duplo movimento entre o passado e o futuro. De um lado, levantou-se o que tinha de informação capaz de chamar a atenção dos compradores e, por outro lado, diante da oportunidade de consolidar as informações produzindo gravações que seriam a prova real, agiu de modo eficiente. O portfólio de provas a se mostrar foi bem desenhado, contando com a coprodução de agências estatais, capazes de atestar a regularidade e a cadeia de custódia: ação controlada, monitoramento do dinheiro por chip etc. Como bom negociador do mercado, o delator sabia que precisava de algo raro, valioso e irrefutável; 5) no atual contexto, nada melhor do que gravações de conversas para causar o impacto direto, irrefletido, imediato e avassalador. Se não há o produto, seria necessário o criar. A produção de material probatório então precisava de uma estratégia de aquisição que, habilmente, contou com o planejamento estratégico de ações, coordenadas para comprovação das conversas, devidamente gravadas, a entrega de dinheiro, previamente identificado e com localização por chip eletrônico, tudo para comprovar a cadeia de custódia do dinheiro. Delineado o curso tático, promoveu-se com pleno êxito, juntando-se, em ordem: a) conversas gravadas indicando a realização das condutas; b) efetivação das ações programadas; c) filmagens e monitoramento eletrônico do trajeto do dinheiro; c) preservação das fontes e do material produzido; 6) a consolidação do material de alto valor fez com que fosse possível, invertendo a tendência passiva, a negociação dos termos finais da delação, mediante cooperação, pagamento de multa relevante, mas incapaz de impedir a continuidade das atividades, evitando-se, ainda, a prisão. Xeque-mate desferido, rei encurralado, delação homologada, segue-se adiante com novos desafios do mercado. Aliás, com informação privilegiada sobre corte de juros e alta do dólar, o que fez o nosso personagem: utilizou a informação para operar seus interesses, “rifando” o Brasil, como aponta o jornal Valor Econômico. Os juristas do processo penal baunilha não entendem muito bem como isso se passa. Tenho insistido em ler o processo penal pela via da Teoria dos Jogos justamente para indicar um design de compreensão dos processos penais reais, cujo palco probatório deixou de ser no Poder Judiciário, para se resolver na fase de investigação, onde uma gravação vale ouro, a saber, gravações são o novo Habeas Corpus.

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