Curso tenta ensinar homens a não agredirem mais as mulheres

Uma sala de aula onde os alunos são todos - e somente - homens. Brancos, negros, jovens, idosos, de todas as classes sociais, eles formam um grupo heterogêneo e cheio de diferenças, mas carregam consigo uma característica em comum: todos estão ali por terem cometido crimes de violência contra a mulher. O caso de João* aconteceu no último dia 25 de dezembro, no Natal. Uma discussão com a mulher por uma foto apagada de um celular motivou uma briga que fugiu do controle. Entre xingamentos e insultos, ele a empurrou na cama, deu tapas e quebrou o espelho, até ela gritar por socorro e o filho chamar a polícia. Aos 27 anos, Pedro* nunca teve um perfil violento, segundo a mulher, mas um dia também a agrediu por ciúme - uma raiva que não conseguiu conter no momento, como ele diz. Já separados, os dois viviam na mesma casa por causa dos filhos, e quando ela chegou mais tarde do trabalho um dia ele resolveu tirar satisfação. Foi de "vagabunda' para baixo, com outros xingamentos que ele mesmo descreve como "impublicáveis" - mas não parou por aí. "Com essa mão aqui eu dei três tapas na orelha dela que fizeram sangrar. Dei chute no útero, acho que no joelho também. Agredi, sim, não vou mentir", disse à BBC Brasil. Tudo isso na frente dos filhos de quatro anos e dois anos. Rubens* partiu para cima da filha. Com 60 anos de idade - e um corpo todo de fisiculturista de vidrado em academia -, ele teve seus desentendimentos com a jovem de 18 anos. "Eu a repreendia, controlava muito horário dela sair e chegar", conta. Um dia, avançou para a agressão e, quando a mãe, que sofre de câncer e está em tratamento, entrou na frente para defender a menina, acabou apanhando também. As duas o denunciaram. Esses três homens agora estão sendo processados com base na lei Maria da Penha e viraram colegas de sala no curso "Tempo de Despertar", promovido pelo Ministério Público de São Paulo com o objetivo de reduzir a reincidência de casos de violência contra a mulher. "É uma forma de prevenir a violência contra a mulher. Percebi que os casos de reincidência de violência doméstica eram muito altos, em torno de 65%. Buscando projetos internacionais de sucesso, consegui achar dois que trabalhavam com o homem, com a desconstrução do machismo, da masculinidade", explicou à reportagem a promotora e criadora do curso, tion Promotora Gabriela Manssur é quem coordena o projeto Tempo de Despertar; Sergio Barbosa faz parte dos grupos de reflexão que incluem bate-papos com homens agressores. "A pessoa mais beneficiada com esse curso é a mulher. Nas três edições (do curso) que fizemos, tivemos somente um homem que voltou a cometer violência. Ou seja, reduzimos a reincidência para praticamente zero. Portanto, se temos 17 homens aqui, vamos ter menos 17 casos de violência contra a mulher no Ministério Público ano que vem", afirmou. "O que é melhor: não é só o processo, dentro do processo tem uma vida, uma família que sofre, uma vítima que sofre. Então são menos 17 vítimas sofrendo de violência contra a mulher." O curso é composto por oito aulas que, em geral, são realizadas a cada duas semanas. Aborda temas relacionados a gênero, direitos das mulheres, lei Maria da Penha, masculinidade, sexualidade e DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), álcool e drogas, paternidade e afetividade, entre outros. Participam da iniciativa homens denunciados por violência doméstica e sob investigação, cumprindo medida protetiva e/ou aguardando julgamento. O comparecimento é obrigatório e pode reduzir eventuais penas em caso de condenação. A BBC Brasil acompanhou três dias de curso e conversou com organizadores, participantes e mulheres vítimas de violência cometida por eles. Quem entrasse desavisado naquela sala no fórum regional da Penha (zona leste de São Paulo) dificilmente entenderia quem eram aqueles homens e o que faziam ali. Um grupo que reunia jovens de 20 e poucos anos com óculos Rayban escorados na testa; idosos de cabelos brancos; brancos, ruivos, negros, pardos, barbudos, com dreads no cabelo; homens escolarizados, com diploma universitário; ou que mal haviam terminado o colégio; homens fortes, altos, musculosos; outros franzinos, miúdos. "Não existe perfil do agressor. É aquele homem, aquele jovem, aquele idoso, que não respeita os direitos das mulheres. São homens que não entendem que as mulheres têm os mesmos direitos que eles, que foram criados no reflexo de uma sociedade machista de forma a entender que a mulher tem que servi-lo, que a mulher tem que ser controlada, que a mulher que sai com roupa curta é vadia, etc", afirma Manssur. E, logo no primeiro dia de curso, já era possível perceber um sentimento em comum: a revolta por estarem ali "sem terem cometido crime nenhum". "Eles chegam aqui revoltados. Sem entender por que estão ali. Eles falam: 'Eu não sou criminoso, o que eu estou fazendo aqui?'. Não entendem por que as mulheres estão querendo tantas coisas, por que elas querem se igualar aos homens. Xingam até a Maria da Penha", conta Sergio Barbosa, um dos gestores do curso. "Não entendia o que estava fazendo aqui. Depois, comecei a entender e aprender coisas que eu nunca tinha ouvido na vida, que existem vários tipos de agressão, que agressão verbal também é violência", disse João O primeiro trabalho é de conscientização sobre os direitos das mulheres, o feminismo e a masculinidade. Nas aulas, especialistas convidados pelos organizadores falam sobre mudanças da sociedade e conquistas recentes das mulheres, sobre a importância de combater a ideia de que "homem tem que ser duro" ou de que "homem não pode chorar" e tentam chamar a atenção para as razões dos erros dos participantes. "Cheguei aqui e achava que jamais tinha sido agressivo, que nunca tinha sido agressor. Não entendia o que estava fazendo aqui. comecei a entender e aprender coisas que eu nunca tinha ouvido na vida, que existem vários tipos de agressão, que agressão verbal também é violência. Aí no primeiro encontro já vi que eu estava errado", relatou João. Além das palestras, os homens são reunidos em grupos de reflexão onde debatem como podem melhorar suas atitudes. Em um deles, em que o assunto era autocontrole, a reportagem acompanhou o momento em que a conversa passou a tratar das "roupas que as mulheres vestem". "Minha mulher pode vestir o que quiser. Eu só aviso para ela: 'Você quer sair assim? Você sabe como os homens vão olhar'. Mas eu respeito a escolha dela", disse um deles. O outro reclamou do batom escuro e vermelho que a esposa usava - semelhante ao da repórter diante dele. "Não gosto. Acho ridículo", disse com veemência.

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Prefeitura de São Luís abre inscrições para curso de Educação Ambiental
Curso vai ensinar convivência com o meio-ambiente.

Prefeitura de São Luís abre inscrições para curso de Educação Ambiental

Começa na próxima segunda-feira (20) e vão até sexta-feira (31), as inscrições para o curso 'Educação Ambiental na Escola: Educando para a sustentabilidade'. A realização é da Prefeitura de São Luís por intermédio da Secretaria Municipal de Educação (Semed) e as inscrições podem ser feitas na sede da secretaria, edifício Trade Center, bairro São Francisco. Estão sendo oferecidas 42 vagas para gestores e 18 vagas para a comunidade. No ato da inscrição, devem ser apresentados documento de identidade (RG), contracheque e comprovante de residência (para servidores) e RG e comprovante de residência (comunidade). A formação vai acontecer aos sábados, das 8h às 18h, uma vez por mês, no Parque do Bom Menino. O objetivo é discutir os princípios norteadores da Educação Ambiental e fomentar a reflexão no participante e na comunidade escolar, além de promover um espaço de diálogo sobre as problemáticas ambientais locais. Para o secretário municipal de Educação, Moacir Feitosa, com o curso, o participante pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida de todos. "O curso dá a base teórica e prática necessária para desenvolver projetos que vão contribuir para melhorar a realidade, tanto da escola, como na comunidade, gerando também novas posturas nos estudantes e demais pessoas", afirmou o titular da pasta.

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Abertas vagas para curso sobre Improbidade Administrativa
Ccurso terá análise de casos concretos sobre ações de improbidade, no TJ.

Abertas vagas para curso sobre Improbidade Administrativa

A Escola Superior da Magistratura do Maranhão (ESMAM) realizará nos dias 26 e 27 de novembro o Curso Teoria e Prática - Improbidade Administrativa, em parceria com a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM). Durante o treinamento serão analisadas ações judiciais e discutidos mecanismos para dar maior celeridade na tramitação desses processos de improbidade. As inscrições, iniciadas nesta quarta-feira (16), serão realizadas até o dia 23 de outubro, pelo sistema acadêmico Tutor, através do sistema interno "Sentinela". Toda a plataforma do curso foi desenvolvida entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Enfam, de modo que atenda aos preceitos da Meta 18, a qual determina que sejam julgados até o fim deste ano, os casos de improbidade administrativa que chegaram ao Judiciário até 31 de dezembro de 2011. Já realizaram treinamento similar os magistrados do Pará, Amazonas, Bahia, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Tocantins. No Maranhão, o objetivo é reunir todos os magistrados com competência para julgar processos sobre Improbidade Administrativa.

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Prefeitura conclui primeiro curso de cuidadores de idosos
Encerramento do curso de cuidadores de idosos

Prefeitura conclui primeiro curso de cuidadores de idosos

Uma confraternização marcou o encerramento do curso Cuidador de Idoso, promovido pela Prefeitura de São Luís. Durante três meses, a turma de 40 alunos foi capacitada no trato adequado ao idoso. No cronograma das aulas, organizado pela Secretaria de Segurança Alimentar (Semsa), assuntos referentes à saúde, alimentação, mobilidade, ergonomia, instabilidade física e psicologia.

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