Apoio ao impeachment de Bolsonaro alcança 54% e aprovação de Moro vai a 57% após sair do Governo

Nova pesquisa da Atlas Político indica que, pela primeira vez, maioria da população é favorável à saída do presidente. Imagem pública do ex-ministro da Justiça se fortalece EL PAÍS - A guerra pública travada entre o presidente Jair Bolsonaro e o agora ex-ministro Sergio Moro em meio às acusações de interferência política no comando da Polícia Federal empurrou o presidente a um patamar inédito no derretimento de sua imagem pública: pela primeira vez na série histórica de pesquisas realizadas pela consultoria Atlas Político, a maioria dos entrevistados (54%) é favorável a um processo de impeachment contra Bolsonaro. O presidente já vinha experimentando queda na aprovação de seu Governo desde fevereiro diante de seu comportamento errático durante a crise do coronavírus e do baixo desempenho econômico nesse período, mas os reflexos da demissão de seu ministro mais popular afetaram diretamente seu capital político: 64,4% responderam que desaprovam seu desempenho enquanto 30% o aprovam. Enquanto isso, o ex-ministro Sergio Moro fortalece a sua imagem pública, conforme mostra a matéria que abre a newsletter desta segunda-feira, assinada por Beatriz Jucá. Para o filósofo Marcos Nobre, professor da Unicamp e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, Bolsonaro está se refugiando em sua base mais radical de eleitores ao mesmo tempo em que tenta negociar com o centrão no Parlamento para conseguir tempo. Mas acredita que é uma questão de tempo para que seja destituído do cargo. “Bolsonaro vai para a lona e sabe disso", afirmou ao repórter Felipe Betim. Ele opina que a popularidade de Bolsonaro se reduzirá a seu eleitorado mais radical, mas destaca que isso por si só não garante uma maioria social pelo afastamento. (El País - Beatriz Jucá) Veja a matéria sobre a pesquisa...

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Estocada de Bolsonaro em Mandetta é pura aula de mesquinharia

Virtù e fortuna são conceitos básicos de qualquer curso de introdução à ciência política. Está em Maquiavel. Referem-se à capacidade de um governante (o príncipe) de administrar os acontecimentos, bons ou ruins, em seu governo. Até outro dia, Jair Bolsonaro era um presidente eleito com 55% dos votos e que viu seu capital político se resumir, com viés de baixa, ao apoio de 30% da população. Ninguém que tenha acompanhado a carreira política e militar do presidente acreditou, da sua posse em diante, na ideia de unificar o país ou colocar os interesses nacionais acima de todos, como falava seu slogan de campanha. Se fosse, não teria sequer aventado a possibilidade de instalar em Washington um embaixador que não sabe a tradução de buraco em inglês. Com o tempo, os que apertaram o número 17 nas urnas porque não podiam ver a sigla de número 13 ao lado, ou mesmo os que acreditaram sinceramente que o deputado de talento mediano se convertesse em um estadista com domínio da oratória foram perdendo a esperança à medida que o governo se transformava numa trincheira inspirada no jogo de Resta 1. Bolsonaro arranjou briga com seu partido, com alguns de seus principais auxiliares, com suas lideranças no Congresso, com jornalistas, com países amigos da Amazônia, com o presidente francês, com os presidentes da Câmara e do Senado e com governadores do Nordeste. Só não arranjou briga com Donald Trump porque quem pode manda e quem não pode tem juízo. Em quase 500 dias de governo, Bolsonaro só agradou mesmo os que votaram nele esperando que transformasse a língua em ferradura. Estes vibram a cada coice em inimigos reais e imaginários. Sobretudo os imaginários. A crise do coronavírus fez com que até o mais desconfiado dos eleitores olhasse para o presidente com a esperança de quem reconhece os grandes momentos da História como a chance de mudar a sua própria. Era a “fortuna” passando como um cavalo selado que só precisava ser montado. Bolsonaro preferiu chutar a cabeça do equino. Nas primeiras semanas da pandemia, ele não cansou de emitir sinais trocados sobre para onde seus governados deveriam ir. Transformou a crise numa trincheira para atacar governadores, agora de todas as colorações e macrorregiões. Ensaiou um certo equilíbrio em ao menos duas ocasiões, quando prometeu baixar a guarda a governadores do Nordeste e quando chamou um pronunciamento em rede nacional para ler em teleprompter a mensagem de que, diferentemente das elucubrações de más línguas, não era um ser autômato, como parecia toda vez que chamava de covarde quem seguia as orientações das autoridades sanitárias para salvar a própria vida e a vida dos seus. Bolsonaro foi à TV dizer que era capaz de sentir. Não convenceu nem o autor da mensagem, seja lá quem a redigiu. Conforme a consultoria Curado & Associados tem mostrado, a condução do governo durante a crise reforçou a imagem de “vulnerabilidade” na gestão da economia, pela dificuldade em demonstrar como as pessoas vão receber o dinheiro, e pela demora de 48 horas para sancionar as medidas aprovadas pelo Congresso. Diz o último boletim dos analistas: “o comportamento errático de Bolsonaro – impulsivo e irresponsável – elevou o seu índice negativo da véspera, que foi de -2,93, para -3,77. O tom ameno do dia anterior foi substituído pela insistência em flexibilizar a quarentena e pela divulgação de um vídeo falso anunciando desabastecimento e críticas aos governadores. Além disso, a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, para que Bolsonaro apresente em 48 horas medidas contra a pandemia reforçou a percepção de líder acuado e incompetente”. Em contraposição, diz o boletim, “o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, continua sendo percebido como prudente e o seu índice subiu para +2,59, pouco superior ao dia anterior que foi de +2,44”. Isso antes de o presidente vir a público dizer que seu auxiliar extrapola, não tem humildade e só não foi demitido ainda porque não se descarta um soldado no meio da guerra. O capitão que hoje lidera as forças militares age como o general que destroça o moral das tropas enquanto os inimigos, em marcha, bombardeiam. Os inimigos sanitários, no caso. Bolsonaro insiste em se desvencilhar da culpa pelo tranco que a economia certamente sentirá durante e depois da pandemia. Em vez de assumir a linha de frente, prepara o “eu avisei”. Quando o ministro da Saúde, criticável em diversos posicionamentos ao longo da carreira política, começou a arregaçar as mangas na crise e mostrar serviço, em vez de replicar os discursos alucinógenos da ala ideológica do governo, houve quem apostasse, querendo estar errado, que a postura em algum momento poderia ferir os brios do comandante -- um comandante inseguro que lida com suas limitações atacando os talentos alheios que dimensionem, pelo contraste, sua própria estatura. Ao acusar uma suposta falta de humildade de um auxiliar que tem salvado seu governo da vergonha e de um morticínio ainda maior, Bolsonaro não mostra autoridade. Mostra mesquinharia. No momento em que o mundo inteiro pede grandeza, ele expôs apenas ciúmes. Não é que sairá menor da crise. Sairá com o tamanho que sempre teve. A crise apenas fez baixar as águas das expectativas e mostrar quem era quem em seu tamanho real.

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Ex-presidente Mendonça de Barros: “O BNDES acelerou a crise atual pelo volume de crédito que liberou”

O ex-presidente do BNDES do Governo Fernando Henrique Cardoso afirma que não era papel do banco financiar a internacionalização da empresa GIL ALESSI Nas últimas semanas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) passou a frequentar mais as páginas policiais do que os cadernos de mercado. A delação dos irmãos Batista, donos da holding J&F, responsável pelo frigorífico JBS, expôs as entranhas das negociatas feitas a título de linhas de crédito e outros aportes. Em entrevista ao EL PAÍS no final de maio, o ex-presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros, que presidiu a instituição de 1995 a 1998, durante o Governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, afirmou que o caso da JBS é o “típico exemplo no qual deram dinheiro demais a uma empresa”. “Na gestão do Lula e da Dilma entrou em cena essa tese de que ‘temos que formar campeãs nacionais’, e apoiar a internacionalização de multinacionais brasileiras no exterior”, afirma o economista. Para ele, a prática é “a origem destas operações da polícia que estão aí”. O economista não é estranho a polêmicas e acusações de corrupção. Ele chegou a responder a processo por improbidade administrativa relativa às privatizações das empresas criadas a partir da estatal de telefonia Telebras, em 1998. Em 2009 ele foi absolvido. Pergunta. Como era o setor da carne na década de 1990 e qual o papel do BNDES nesta época? Resposta. O setor da carne na época era bem desregulamentado. Eram pequenos abatedouros com uma questão sanitária seríssima, isso em 1995. O BNDES ofereceu linhas de crédito de longo prazo, só que com cláusulas de gestão. Nessa época nós criamos uma área de meio ambiente, e então introduzimos em todos os empréstimos alguns pontos de meio ambiente que a empresa tinha que atender como contra partida ao apoio. No caso dos frigoríficos, basicamente era estabelecer normas sanitárias de controle, porque era tudo por fora. Quando eu cheguei ao BNDES este programa já estava pronto, era um programa para modernizar o setor, basicamente olhando a questão de tributos e a questão sanitária. E foi o que fizemos com muito sucesso. Hoje é o contrário: 90% do abate de bovinos no Brasil já é com normas sanitárias muito rígidas. E na medida em que esse programa foi andando o país foi começando a exportar. E hoje é o maior exportador de carne bovina do mundo. Essa é a origem. Evidentemente que a JBS não existia naquela época, era outro nome.

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Vitória no TSE mantém o Governo de pé, mas intensifica desgaste de Temer

Placar apertado e "em nome da estabilidade" aumenta desgaste de um presidente acuado pela Lava Jato Não é possível falar exatamente em alívio. O Governo Michel Temer passou em seu primeiro grande teste, ao manter o mandato após julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas o placar apertado, de 4x3, e as marcas de corrupção que, ignoradas, também preservaram os direitos políticos da ex-presidenta Dilma Rousseff, cobrarão o seu preço. Temer sobreviveu, em nome da estabilidade, segundo o ministro Gilmar Mendes, e esse pragmatismo machuca ainda mais um mandato já acuado pelos avanços da Operação Lava Jato. Depois de prender políticos muito próximos de Temer, os investigadores podem fechar nos próximos dias uma colaboração premiada do operador financeiro Lúcio Funaro, que uniria o presidente ao deputado cassado Eduardo Cunha. Além disso, a revelação de que Temer viajou com sua mulher, Marcela, em avião da JBS em 2011 o aproximou ainda mais do empresário Joesley Batista, delator da Lava Jato. Nesta sexta-feira, Temer se negou a responder a um questionário de 82 perguntas feitas pela Polícia Federal para esclarecer questões levantadas a partir de sua conversa gravada com Joesley. Na lista de perguntas estavam questões como "Vossa Excelência tem por hábito receber empresários em horários noturnos e sem prévio registro em agenda oficial?". Para seus advogados, "o questionário demonstra que os trabalhos investigativos, diante da ausência de elementos incriminadores, perderam-se no caminho". Temer tem o direito de não responder às perguntas, mas o fato de fazê-lo não melhora em nada sua imagem perante a população. Mais ainda, as perguntas mostram linhas de investigação que devem se aprofundar – sua relação com empresas no porto de Santos, a relação com o coronel aposentado João Baptista Lima Filho, que teria recebido propina em seu nome – , tanto no Judiciário como na pauta da imprensa política, aumentando o campo minado até 2018. A operação se aproxima de tal forma do presidente que os governistas já se preparam para encaminhar na Câmara dos Deputados a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Antes de ser apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), uma denúncia contra o presidente da República precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo plenário da Câmara, onde, a exemplo do que ocorre com um pedido de impeachment, pode ser barrado por 171 votos. A ideia, no momento, seria privilegiar essa questão, para evitar mais desgastes políticos e conter o avanço do processo no STF. A tentativa de blindar Temer no Congresso significaria escantear de vez as reformas que o Governo tenta aprovar. No caso da reforma da Previdência, que não avança na Câmara desde maio, uma possível denúncia a empurraria para o segundo semestre.

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Temer vive inferno astral: TSE, prisão de Henrique Alves e ter que dar respostas a 82 perguntas da PF. Veja!

Temer vive neste dia novo inferno astral, talvez o maior desde o início da sua carreira política. Não bastasse a retomada, hoje (6), do julgamento das irregularidades e crimes eleitorais cometidos pela chapa Dilma-Temer, com o pedido de cassação - no caso de Dilma já inócuo - da ex-presidente Dilma e do seu vice, no caso Michel Temer; a prisão, pela manhã, em Natal-RN, de seu ex-ministro do Turismo, ex-presidente da Câmara e um dos seus principais interlocutores, Henrique Eduardo Alves, a Polícia Federal (PF) entregou a ele uma lista de 82 perguntas sobre a delação de Joesley Batista, dono do frigorífico JBS, e de outros executivos da empresa. O questionário - substituindo a presença de Temer, em carne e osso, no Supremo- , tornou-se necessário depois que o presidente da República passou à condição de "investigado" pelo Supremo Tribunal Federal, por conta do diálogo gravado num encontro entre ele e Joesley Batista, da JBS, supostamente dando apoio à compra do silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, já preso. A consequência disso é que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, acolheu pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e autorizou depoimento do presidente Michel Temer , no caso das gravações da JBS. No áudio, o dono da JBS afirma que está "de bem" com o deputado cassado, preso em Curitiba. Temer responde com um incentivo: "Tem que manter isso, viu?" Por conta desta e outras declarações gravadas, o presidente é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, obstrução à Justiça e organização criminosa. Temer tem 24 horas para prestar os esclarecimentos, mas não é obrigado a responder o questionário que a imprensa já teve acesso. VEJA AS PERGUNTAS, ACESSANDO "LEIA MAIS"...

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Eleições diretas ou indiretas? O que está por trás de cada proposta…

Minoria no Congresso, esquerda tenta fortalecer as ruas e busca nomes além de Lula. PMDB e PSDB querem que Parlamento eleja candidatos que concluam reformas de Temer Em Brasília, diante da crise política do Governo Michel Temer, cada lado trabalha para emplacar o cenário no qual pode ter mais vantagens. Enquanto a oposição ao Governo se articula nos bastidores para costurar a sucessão via eleições diretas, os governistas, incluindo o PSDB, se organizam para emplacar um próximo nome via eleições indiretas. Se o segundo lado tem a força política, com a maioria no Congresso capaz de garantir que sua vontade seja feita, o primeiro quer acordar as ruas, e começa a se mobilizar pelo grito de "Diretas Já". Mas quais são os cenários por trás de cada posição? Reunidos em uma frente única, que pede a saída imediata do presidente e eleições diretas, estão seis partidos, que em várias votações recentes atuaram em campos opostos: PT, PSOL, Rede, PDT, PSB e PCdoB tentam aprovar de forma relâmpago uma mudança constitucional que permita, caso Temer caia, que seu sucessor seja decidido por voto popular. Atualmente, a Constituição prevê que caso a vacância do cargo de presidente e vice-presidente aconteça nos dois últimos anos do mandato, as eleições sejam feitas pelo colégio eleitoral (513 deputados e 81 senadores). Atualmente, duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que pretendem mudar isso tramitam no Congresso. Uma, na Câmara, quer que haja eleições diretas quando a vacância ocorre até seis meses antes do final do mandato e está sendo obstruída pelos governistas. A segunda, mais próxima da votação no Plenário, está no Senado, e permite eleições diretas nos três primeiros anos do mandato vago -este cenário, entretanto, só valeria para Temer se ele saísse ainda neste ano, algo difícil caso a queda se dê por um processo de impeachment, mais longo. Em ambos os casos, o eleito cumpriria um mandato-tampão até as eleições de 2018. Na PEC do Senado ainda há uma regra que prevê que, se aprovada, ela seria imediatamente válida, limando a necessidade de que se espere um ano para a aplicação da mudança, como prevê atualmente a legislação eleitoral. CONCLUA A LEITURA. ACESSE "LEIA MAIS"--->>

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Brasil: 13 pontos para embasar qualquer análise de conjuntura

Maurício Abdalla* O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros. 1 – O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais. 2 – Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder. 3 – O verdadeiro exercício do poder é invisível. O que vemos, na verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais. 4 – Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos de “imprensa”, ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia, e que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas por interesses. Eles são, atualmente, grandes conglomerados econômicos que também compõem o complexo financeiro-empresarial que comanda o poder invisível. Portanto, participam do exercício invisível do poder utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião. 5 – Os donos do poder não apoiam partidos ou políticos específicos. Sua tática é apoiar quem lhes convém e destruir quem lhes estorva. Isso muda de acordo com a conjuntura. O exercício real do poder não tem partido e sua única ideologia é a supremacia do mercado e do lucro. 6 – O complexo financeiro-empresarial global pode apostar ora em Lula, ora em um político do PSDB, ora em Temer, ora em um aventureiro qualquer da política. E pode destruir qualquer um desses de acordo com sua conveniência. 7 – Por isso, o exercício do poder no campo subjetivo, responsabilidade da mídia corporativa, em um momento demoniza Lula, em outro Dilma, e logo depois Cunha, Temer, Aécio, etc. Tudo faz parte de um grande jogo estratégico com cuidadosas análises das condições objetivas e subjetivas da conjuntura. 8 – O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros. 9 – Assim, os donos do poder não querem um governo ou outro à toa: eles querem, na conjuntura atual, a reforma na previdência, o fim das leis trabalhistas, a manutenção do congelamento do orçamento primário, os cortes de gastos sociais para o serviço da dívida, as privatizações e o alívio dos tributos para os mais ricos. 10 – Se a conjuntura indicar que Temer não é o melhor para isso, não hesitarão em rifá-lo. A única coisa que não querem é que o povo brasileiro decida sobre o destino de seu país. 11 – Portanto, cada notícia é um lance no jogo. Cada escândalo é um movimento tático. Analisar a conjuntura não é ler notícia. É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte), para poder reagir também de maneira estratégica. 12 – A queda de Temer pode ser uma coisa boa. Mas é um movimento tático em uma estratégia mais ampla de quem comanda o poder. O que realmente importa é o que virá depois. 13 – Lembremo-nos: eles são mais espertos. Por isso estão no poder.

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BBC Brasil – ‘Melhor saída para a crise é Lula e FHC numa mesa’, defende o governador do Maranhão, Flávio Dino

Diante da possibilidade de queda do presidente Michel Temer e da profunda perda de credibilidade do sistema político, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), defende que a melhor solução para a crise é uma saída negociada pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, as "duas únicas lideranças nacionais", na sua avaliação. Ambos já articulariam nos bastidores a sucessão de Temer, mas não há informação de que tenham tido conversas diretas. A forte polarização eleitoral entre PT e PSDB parece um empecilho para um acordo, já que os dois partidos tentam sair dessa crise fortalecidos de alguma forma para a eleição de 2018. "O único caminho que enxergo para a política é um acordo PT-PSDB, Lula e Fernando Henrique numa mesa. Neste momento de muita precarização da política, uma conversa direta seria um fato altamente positivo, uma mensagem importante de busca de recomposição da institucionalidade", acredita Dino. Defensor da realização de eleições diretas antecipadas, o governador vê como cenário mais provável hoje a queda de Temer, seguida de eleição indireta do novo presidente pelo Congresso. Se isso ocorrer, Dino sugere que a esquerda participe da eleição indireta, negociando a suspensão das reformas trabalhista e previdenciária até a eleição de 2018, para que as urnas decidam se apoiam essas propostas. "Só haverá eleição direta havendo mobilização popular nessa direção. A classe social dominante não quer eleição direta agora", afirma. Confira os principais trechos da entrevista com Dino, que antes de assumir o governo do Maranhão, foi também deputado federal e magistrado, tendo presidido a Associação dos Juízes Federais do Brasil.

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Temer recua e revoga decreto que colocou as Forças Armadas para conter baderna em  Brasília
Brasília e a Esplanada dos Ministérios: campo de batalha

Temer recua e revoga decreto que colocou as Forças Armadas para conter baderna em Brasília

O presidente Michel Temer revogou, na manhã desta quinta-feira (25/5), o decreto que convocou as Forças Armadas para fazer a segurança no Distrito Federal. O uso de tropas federais havia sido decidido na quarta-feira, durante confronto entre policiais e manifestantes que pediam a saída de Temer na Esplanada dos Ministérios. Na justificativa da decisão de hoje, o presidente declara que a revogação foi possível "considerando a cessação dos atos de depredação e violência e o consequente restabelecimento da Lei e da Ordem no Distrito Federal, em especial na Esplanada dos Ministérios". Pouco depois da revogação, os militares começaram a ser retirados das ruas em ônibus do Exército. Após a revogação, coube ao ministro da Defesa, Raul Jungmann, argumentar pela legalidade da decisão tomada pelo presidente na quarta. "Foi uma decisão tomada com base na Contituição", afirmou o ministro. Jungmann também citou que, desde 2010, 29 ações de GLO foram adotadas no país, como durante a Copa do Mundo, as Olimpíadas e a greve de policiais militares no Espírito Santo.

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Deputado Rocha Loures, aliado de Temer, entrega mala dos R$ 500 mil à PF
Rocha Loures, amigo e assessor de Temer, o homem da mala, entrega o dinheiro à PF...

Deputado Rocha Loures, aliado de Temer, entrega mala dos R$ 500 mil à PF

Rocha Loures (PMDB-PR) foi flagrado na noite de 24 de abril, em São Paulo, saindo apressado do estacionamento de uma pizzaria nos Jardins, carregando uma mala preta com dinheiro vivo O deputado Rocha Loures (PMDB-PR) entregou à Polícia Federal, em São Paulo, a mala dos R$ 500 mil da JBS. O parlamentar, aliado do presidente Michel Temer (PMDB), foi flagrado na noite de 24 de abril, em São Paulo, saindo apressado do estacionamento de uma pizzaria nos Jardins, carregando uma mala preta com R$ 500 mil em dinheiro vivo. Agentes da Polícia Federal o seguiam e o filmaram. As imagens mostram Rocha Loures desconfiado, olhando para os lados, em direção a um táxi que o aguardava na Rua Pamplona, com o porta-malas aberto Rocha Loures teve a prisão pedida pela Procuradoria-Geral da República. O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, negou a prisão do aliado de Temer, mas decretou seu afastamento do mandato. Segundo a investigação, os R$ 500 mil seriam referentes a uma propina da JBS em troca do empenho do parlamentar em um projeto de interesse do grupo na Câmara.

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