Delação da Odebrecht: a obra que uniu na corrupção PT, PSDB, índios, ruralistas, CUT e Força Sindical

Construção das hidrelétricas do Rio Madeira envolveu pagamentos para atores políticos de espectros opostos. Surgiu na delação que, após a derrota na licitação da hidrelétrica de Jirau, a empreiteira Odebrecht teria pago 5,5 milhões de reais ao "esquálido" senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB) para tentar anular o processo... Existe algo além de energia nos mais de 7.000 megawats de potência instalada das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, ambas no rio Madeira, em Rondônia. Se comprovadas as delações feitas por ex-diretores e executivo da empreiteira Odebrecht, a construção das duas usinas é um caso raro. Não pelo ilícito cometido: a Operação Lava Jato revelou que o pagamento de propinas em troca de contratos com o poder público é regra e não exceção. Mas por unir interesses políticos opostos. Separadas por pouco mais de 100 km de distância, são prova concreta do ecumenismo da corrupção. Desde o processo licitatório das duas obras, iniciado em 2007 e 2008, respectivamente, se seguiu um turbilhão de repasses ilegais, caixa2 e subornos que abasteceram lados antagônicos. Deputados ruralistas e índios, petistas e tucanos, sindicalistas ligados ao PT e de oposição ao partido. O rio Madeira é o segundo maior rio da Amazônia, e seu potencial gerador de energia despertou o interesse do Governo de Lula em 2007. À época o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) dispunha de recursos abundantes e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social oferecia linhas de financiamento vantajosas para as empreiteiras. Em 2007 a Odebrecht venceu a licitação para a construção da usina de Santo Antônio. O patriarca do clã Odebrecht tornado delator, Emílio, diz em seu depoimento que logo de cara pressionou o então presidente Lula para que não houvesse atraso na contratação e desembolso do financiamento para a construção da hidrelétrica junto ao BNDES. O empreiteiro também teria cobrado do petista agilidade nas concessões das licenças ambientais necessárias para que a obra tivesse início. O ex-presidente já é réu em cinco processos, sendo dois no âmbito da Lava Jato. Burocracias e pressão política à parte, os verdadeiros problemas da empreiteira começaram em 2008. O consórcio Tractebel Suez derrotou a Odebrecht e venceu a licitação para a usina de Jirau. Emílio afirma que houve “favorecimento” da companhia por parte da então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. De acordo com ele, o projeto apresentado pela Tractebel violava o edital ao não levar em conta o melhor lugar possível para a construção das barragens no rio de modo a maximizar o potencial de geração elétrica. “A Tractebel que já havia perdido [a licitação de] Santo Antônio pra gente, entrou em Jirau contra a gente, mas feriu o edital: colocou a barragem a 10 ou 15 km [do local ideal]. Ela infringiu o edital mas (...) teve apoio da Dilma pleno”, afirma. (CONTINUE LENDO. ACESSE "LEIA MAIS"...)

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