Se Deus derrubou Dilma, fé na melhora da economia segura Temer

Deputados que votaram a favor de Temer citam a estabilidade e a responsabilidade econômica A denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB) parecia ser apenas um detalhe para os deputados que votaram “sim”, pelo arquivamento da denúncia do procurador-geral Rodrigo Janot e pela salvação do presidente, nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados. Salvo a tropa de choque do Planalto, poucos defenderam a inocência do mandatário. A palavra mágica pronunciada à exaustão durante as sessões na Câmara nesta quarta foi "economia", geralmente acompanhada por "estabilidade", "responsabilidade", "avanço" "crescimento" ou "paz". Foi uma verdadeira profissão de fé em nome da política econômica do Governo, que é elogiada pelos principais investidores, mas ainda não tem números contundentes de recuperação para exibir. Essas palavras de ordem são diferentes das que imperaram na votação pela abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff, em abril do ano passado, quando a acusação de crime de responsabilidade também foi apenas um detalhe. Naquela ocasião, os parlamentares votaram principalmente “por Deus e pela família”, mas também “pela esposa Paula”, “pela filha que vai nascer e a sobrinha Helena”, “pelo neto Gabriel”, "pela tia que me cuidou quando era criança", “pelos militares de 64” ou “pelos corretores de seguros do Brasil”. E contra a corrupção e o partido da presidenta, o PT. Mais discretos, os deputados federais, muitos dos quais receberam milhões em emendas parlamentares — entre janeiro e maio, apenas 88,4 milhões de reais foram liberados, enquanto que entre junho e julho foram 3,4 bilhões, informa Afonso Benites —, não aguentam mais "trocar de presidente como se troca de roupa", segundo afirmou em seu voto Junior Marreca (PEN-MA).

Continuar lendo Se Deus derrubou Dilma, fé na melhora da economia segura Temer