Comunidades quilombolas no MA se recusam a pagar taxa de uso a fazendeiros

Capatazes chegam com chicotes em punho para cobrar o foro: uma espécie de imposto pago pelos quilombolas aos fazendeiros para poder viver nas terras e plantar. Sem muita conversa, recolhem a maior e melhor parte da produção da lavoura, fruto de meses de trabalho. Mandioca, milho, arroz, maxixe, abóbora. Quando julgam que a colheita não foi suficientemente farta, exigem dinheiro e confiscam tudo o que encontram. Carregam até pratos, panelas e cavalos. Botam fogo em casa de farinha para retaliar. Ameaçam de expulsão e morte quem se atreve a resistir. Deixam famílias inteiras para trás passando fome. Embora pareçam saídos de um livro de história do século 19, os relatos são de fatos recentes e acontecem ainda hoje em quilombos do Maranhão --comunidades formadas pelos descendentes de quem viveu a escravidão naquela época. Em comunidades da Baixada Maranhense, é comum fazendeiros que se dizem donos das terras, muitas vezes sem ter nenhum documento de comprovação, obrigarem os moradores a repartir o que cultivam. É um sistema que se repete há décadas e, durante longo tempo, foi seguido sem questionamentos pelos quilombolas. Mas, à medida que eles foram tomando consciência de seus direitos, passaram a resistir e os conflitos se acirraram. "Houve um fenômeno esquisito no Estado, as fazendas eram vendidas com as pessoas dentro, como se fossem coisas", pontua Sandra Araújo dos Santos, advogada da CPT (Comissão Pastoral da Terra). "Os negros não entendiam dessas questões de documentação, então iam sendo submetidos ao que os novos donos queriam, como ao pagamento de taxas absurdas... CONTINUE LENDO. A MATÉRIA DA REPÓRTER BRASIL.. ACESSE LEIA MAIS...

Continuar lendo Comunidades quilombolas no MA se recusam a pagar taxa de uso a fazendeiros