Será que vamos entrar de novo pelo cano?

Será que vamos entrar de novo pelo cano?

Comecei a, efetivamente, atualizar este blog no dia 1 de agosto de 2013. Mas em 2012 ele já estava na internet. Postei algumas matérias esparsas, dentre elas esta, inserida no dia 13 de novembro de 2012, sob o título: “SERÁ QUE VAMOS ENTRAR PELO CANO?”. Tratava sobre o anúncio do governo Roseana Sarney de que substituiria, em 1 ano, a tubulação da adutora do  Italuís que, de rota, vive se quebrando e apoquentando ainda mais a população de São Luís,  já acostumada a dançar ao som da música “Lata d’água” na cabeça, de Luiz Antonio e  Jota Jr.

Resolvi repostar a matéria, em função da cobrança da internauta Rosane Sanches,  em comentário ao blog, lembrando a matéria e  promessa do governo estadual de que inauguraria a obra em dezembro de 2013. Diz a leitora: “É já estamos em Dezembro de 2013 e ainda não foram concluidos os 19 km da adutora, mudaram o prazo para o mês de março e a população sofre pelas continuas faltas de agua em são luis…” Enviado em 05/12/2013 as 9:53 LEIA A MATÉRIA—>>>

Comemorei, hoje, o anún cio feito pelo Governo do Estado da ordem de serviço para substituir a tubulação, em 19 quilômetros, da adutora do Sistema Italuís, que capta água do Rio Itapecuru, no continente, para abastecer  a cidade de São Luís.

Fi-lo, porém, com pouca efusão, por dois motivos simples: a emergência de três meses para alguma providência  decretada pela governadora Roseana Sarney no sistema de abastecimento d’água da capital já dista três anos – data 21 de setembro de 2009, ano em que voltou ao governo pela via judicial.

Nesse  ano, o governo estadual, por meio do mesmo e atual secretário da Saúde, Ricardo Murad,  anunciava a  aplicação de R$ 255 milhões nas obras de recuperação da tubulação, recursos que teriam conseguido junto ao governo federal.

E ontem se soube que o valor do contrato do Estado para com a  Construtora Esse Engenharia e Consultoria Ltda – “Szinho mais suspeito este – foi de apenas R$ 106.887.593,62, sendo R$ 96.920.077,15 do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com a contrapartida de R$ 9.967.516,45 do Governo do Maranhão. O informe do governo diz que a  obra tem conclusão prevista para novembro de 2013.

Pergunta-se: cadê a outra parte do dinheiro, quase R$ 150 milhões? Vai ser aplicado em quê? Continua a recuperação do Sistema Italuís, começa-se a duplicação ou será desviado para outras obras?

O outro motivo na minha pouca efusão: o fato de que, ao invés dessa substituição de canos, o governo  poderia já estar construindo ou finalizando a segunda adutora para, aí sim,  resolver praticamente todos os problemas de abastecimento d’água da cidade. Não foi por falta de dinheiro. Que veio aos tubos no segundo mandato da governadora Roseana Sarney, findo em 2004. Foi por falta de cuidado para com o interesse público.

Naquela época, o governo federal liberou nada mais que R$ 300 milhões para essa duplicação. O valor atualizado passa dos R$ 600 milhões.

E o que fez o governo de então? Entregou a obra para as construtoras baianas Gautama e OAS, ambas de saudosa memória, que dividiram meio a meio os recursos e as virtuais obras…

Fez mais a governadora Rsoeana, dizem, mal aconselhada por parentes e assessores: importou uma diretoria baiana para a Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão (Caema) que, por sua vez, contratou outra empresa baiana para “fiscalizar” os contratos e a execução dos serviços. Coisa de raposa cuidando do galinheiro…

Encurtando a história: nessa “parceria” Maranhão-Bahia, foram torrados 40 milhões de reais,  ligeirinho, ligeirinho, sem critério algum, e o projeto não saiu do papel. O que sobrou? Um monte de tubos estocados próximo ao Rio Itapecuru. O que também levou o Tribunal de Contas da União (TCU) a intervir para pôr fim ao desfalque do dinheiro público.

Por conta disso, até hoje não foi iniciada a duplicação da adutora  – apesar do TCU já haver destravado o processo que investigava o bloqueio das obras e determinado o seu início –  e ainda padecemos com a quebradeira da velha tubulação, causando constantes colapsos no abastecimento d’água de São Luís.

Assim, enquanto os responsáveis por esse descalabro, apesar das promessas, não partem para  essa necessária duplicação, comemoremos a recuperação de canos. E torçamos para  que não tenhamos que entrar neles, novamente.

Até novembro do próximo ano, para quando é prevista a conclusão da substituição dos tubos anunciada hoje.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem 3 comentários

  1. José Machado

    Estamos postando em caráter experimental. Logo, logo, vai ser prá valer. José Machado (institutodatam@gmail.com)

  2. Dude Aragão

    Caro Machado, será que esta não está sendo uma estratégia do governo para impedir a municipalização da CAEMA?
    Não acredito que só agora o governo tenha tido tanto interesse pelo órgão…
    Acho que estão movimentando esta causa já que estava sendo previsto pela Câmara de vereadores que o órgão passasse a ser de domínio municipal!
    O que acha?!

  3. luane sanches

    É já estamos em Dezembro de 2013 e ainda não foi concluido os 19 km da adutora, mudaram o prazo para o mês de março e a população sofre pelas continuas faltas de agua em são luis…

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