Senado abre processo de impeachment.  Dilma sai,  Temer vira presidente em exercício

Senado abre processo de impeachment. Dilma sai, Temer vira presidente em exercício

Dilma, Lula  e o PT são defenestrados do governo. O Brasil passa a viver um outro momento com Temer, PMDB e coalisão política.

Quando os brasileiros acordaram hoje, o Senado Federal, por 55 votos a 22, já havia aprovado, numa longa sessão que durou toda a noite e madrugada, a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Roussef. Ela fica afastada de suas funções por 180 dias, período em que o Senado selará a sua sorte ou não. Mas alguém tem dúvida de que Dilma ainda governará o Brasil?

Dilma saiu atirando, repetindo de que estava sendo vítima de um “golpe” e de “brutalidade”. Fez o seu show particular, coadjuvada por Lula da Silva, depois de, ainda pela manhã, receber a intimação para desocupar o Palácio do Planalto.

Página virada, o vice-presidente em exercício Michel Temer afirmou, em seu primeiro pronunciamento como substituto de Dilma Rousseff no comando do Palácio do Planalto, que irá manter os programas sociais da gestão petista – como Bolsa Família, Pronatec e Minha Casa, Minha Vida –, prometeu aprimorar a gestão da máquina pública e falou em promover reformas sem mexer em direitos adquiridos – Dilma gritou, afirmando do contrário, em relação a esses programas.

“Reafirmo, e faço em letras garrafais, vamos manter os programas sociais. O Bolsa Família, o Pronatec, o Fies, o Prouni, o Minha Casa, Minha Vida, entre outros, são projetos que deram certo e terão sua gestão aprimorada. Aliás, mais do que nunca, precisamos acabar com um hábito no Brasil em que, assumindo outrem o governo, você destrói o que foi feito. Ao contrário, você tem que prestigiar aquilo que deu certo, complementá-los, aprimorá-los”, destacou o peemedebista.

Ao longo dos 28 minutos de discurso, o presidente em exercício também disse que, atualmente, há urgência em “pacificar a nação” e “unificar o Brasil”.

Contas públicas
Michel Temer também afirmou que, além de melhorar o ambiente de negócios no país para o setor privado produzir e gerar emprego, é necessário restaurar as contas públicas.

Segundo ele, o corte de ministérios já feito em seu governo é parte das medidas de reequilíbrio fiscal. O peemedebista já anunciou 22 ministros, mas pode fechar as nomeações na Esplanada dos Ministérios com 24 pastas. Dilma mantinha atualmente 32 ministérios.

“A primeira medida nessa linha está, ainda que modestamente, aqui apresentada. Já eliminamos vários ministérios da máquina publica e ao mesmo tempo nós nao vamos parar por aí”, afirmou, sem detalhar se outras pastas serão cortadas.”

“De imediato, precisamos também restaurar o equilíbrio das contas públicas, trazendo a evolução do envidividamento do setor público de volta ao patamar de sustentabilidade. Quanto mais cedo formos capazes de reequelibrar as contas públcas, mais rápido conseguiremos retomar o crescimento”, declarou.

Em seu discurso, Michel Temer afirmou que não falaria em crise, mas que trabalharia para superá-la. “Vamos trabalhar. O nosso lema, que não é de hoje, é ordem e progresso. A expressão da nossa bandeira não poderia ser mais atual,  como se hoje tivesse sido redigida”, disse o peemedebista.

Segundo o presidente em exercício, foram encomendados estudos para eliminar cargos comissionados e funções gratificadas. Ele afirmou, no entanto, que manterá “todas as garantias que a direção do Banco Central hoje desfruta para fortalecer sua atuação na política monetária e fiscal”.

Investimentos
O presidente em exercício falou sobre a necessidade de o país recuperar a credibilidade para atrair mais investimentos. “O mundo está de olho no Brasil. Os investidores acompanham com grande interesse as mudanças em curso no país. Havendo condições adequadas, a resposta deles será rápida”, disse.

Temer também sinalizou que pretende incentivar as parcerias público-privadas e reduzir o papel do Estado na economia. “Sabemos que o Estado não pode tudo fazer”, afirmou.

Segundo ele, o governo deve se concentrar em áreas prioritárias como saúde, segurança e educação. “O restante terá que ser compartilhado com a iniciativa privada, aqui entendida como a conjugação da ação entre trabalhadores e empregadores”, afirmou.

Reformas
Michel Temer falou, em meio ao discurso, que pretende propor reformas em áreas “controvertidas”, como previdência e trabalho, para tentar garantir o “pagamento das aposentadorias” e gerar empregos no país. Ele, entretanto, assegurou que nenhuma reforma irá mexer em direitos adquiridos.

Segundo o presidente em exercício, quando toda vez que propuser mudanças estruturais nessas regras previdenciárias e trabalhistas será motivado “pela compreensão da sociedade brasileira”. Por isso, observou, precisa de uma base parlamentar sólida no Congresso Nacional que converse com a sociedade.

“Essa agenda será balizada, de um lado, pelo diálogo, de outro, pela conjugação de esforços”, prometeu Temer.

O peemedebista ressaltou que “reformas fundamentais” serão fruto de desdobramento “ao longo do tempo”.

“Uma delas é a revisão do pacto federativo. Estados e municípios precisam ganhar autonomia verdadeira, sob a égide de uma federação real, e não uma federação artificial como vemos atualmente”, observou.

Posse dos ministros
Em solenidade na tarde desta quinta no Palácio do Planalto, Temer deu posse a 22 ministros de seu primeiro escalão. Entre os novos integrantes do primeiro escalão estão Henrique Meirelles (Fazenda), Romero Jucá (Planejamento), Eliseu Padilha (Casa Civil), Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) e José Serra (Relações Exteriores).

 

Enquanto Temer recebia aliados no Jaburu, pela manhã, a presidente afastada Dilma Rousseff também fez um pronunciamento no Planalto, logo após ter sido intimada pelo senador Vicentinho Alves (PR-TO) sobre a decisão do Congresso Nacional. Dilma voltou a dizer que o impeachment é “golpe” e que o afastamento dela é “a maior das brutalidades”. Em seguida, Dilma fez um discurso no pé da rampa do Planalto, a um grupo de integrantes de movimentos sociais que decidiram apoiá-la. Disse que vai lutar “até o fim” para recuperar o mandato.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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