Secretário de Justiça Sebastião Uchoa: “Preso transferido volta pior”

Secretário de Justiça Sebastião Uchoa: “Preso transferido volta pior”

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Para Sebastião Uchôa, detentos mandados para prisões federais se vangloriam da fama de perigosos quando voltam ao Estado de origem

A ida de integrantes de facções criminosas que atuam no Complexo Penitenciário de Pedrinhas (MA) para presídios federais de segurança máxima pode piorar a crise no sistema prisional no Estado, segundo o secretário de Justiça e Administração Penitenciária do Maranhão, Sebastião Uchôa. Em entrevista à Rádio Bandeirantes, nesta terça-feira, ele disse que os presos transferidos voltam piores: “Volta se achando o máximo porque puxou cadeia federal e isso é péssimo para a massa carcerária que se sente subjulgada. Essa estratégia não é muito boa”.

O governo do Maranhão aceitou nesta segunda-feira a oferta do Ministério da Justiça de transferir presos de Pedrinhas para presídios federais, o que deverá ocorrer até o final da semana. Os líderes de facções criminosas que atuam no presídio são acusados de ordenar os ataques a ônibus e delegacias em São Luís, em represália à presença da Tropa de Choque da Polícia Militar no complexo.

Nesta segunda-feira, morreu a menina Ana Clara Santos Sousa, de 6 anos, que teve 95% do corpo queimado em um dos cinco ônibus incendiados na última sexta. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, nove pessoas foram presas suspeitas de participarem dos ataques – uma delas tinha ferimentos causados por fogo. Entre os detidos, três foram responsabilizados pelo incêndio que vitimou Ana Clara, e responderão pelos crimes de formação de quadrilha e homicídio.

A governadora Roseana Sarney (PMDB) enviou à Procuradoria-Geral da República um relatório sobre a situação do sistema prisional do Estado, conforme havia sido solicitado pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, em dezembro. Cabe ao procurador pedir ao Supremo Tribunal Federal uma intervenção federal no presídio.

Estupros

Enterro da menina Ana Clara, vítima da desumanidade do mundo

Relatório do CNJ denunciou a prática de abuso sexual contra esposas, irmãs e filhas de presos pelos chefes das organizações criminosas. Segundo o juiz do CNJ Douglas de Melo Martins, encarcerados por crimes menores prostituem familiares para não serem mortos pelos líderes das facções, que ditam as regras no presídio. As visitas íntimas acontecem com as celas abertas e em ambientes coletivos.

Por que o presídio de Pedrinhas entrou em colapso

A onda de violência que ultrapassou os muros de Pedrinhas e tomou as ruas de São Luís é resultado de uma soma de fatores que envolvem desde o descaso público com a situação do sistema prisional até a corrupção de agentes penitenciários.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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