Reportagem sobre Operação Lava Jato teria feito Roseana não mais renunciar ao governo
Desistência de renúncia de Roseana Sarney frusta o deputado-presidente da AL, Arnaldo Melo, que estava pronto para assumir o governo...

Reportagem sobre Operação Lava Jato teria feito Roseana não mais renunciar ao governo

MARRAPÁ

Depois de anunciar para essa terça-feira a renúncia ao governo do Maranhão, Roseana Sarney mudou de ideia e resolveu adiar a decisão, frustrando os planos do presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Arnaldo Melo, que dorme e acorda pensando em sentar na cadeira do Palácio dos Leões.

A governadora teme ser surpreendida pela Polícia Federal. Ao deixar o mandato, ela perderá o foro privilegiado e estará sujeita as decisões do juiz Sérgio Moro, que já enviou todos os envolvidos no esquema da UTC/Constran para trás das grades.

Informações palacianas dão conta que uma reportagem exibida na madrugada de ontem influenciou na decisão da filha de José Sarney. O telejornal Hora Um, da Rede Globo, divulgou diálogos que confirmam o envolvimento do doleiro Alberto Youssef e de um diretor da Constran no suborno ao governo do estado para a liberação dos precatórios da Constran.

A reportagem também sugere que as investigações do caso seriam reabertas esta semana, imediatamente após a renúncia de Roseana. Ela é acusada de receber R$ 6 milhões em propina do doleiro Youssef para autorizar o pagamento de R$ 120 milhões à construtora do empreiteiro Ricardo Pessoa – também preso na Operação Lava Jato.

A renúncia está prevista para o início da manhã desta quarta-feira. Hoje, a governadora cumpre uma extensa agenda de inaugurações de obras inacabadas. O adiamento gera expectativa nos meios políticos.

 

Reveja a reportagem que implodiu os planos da família Sarney:

 

Desistência de renúncia de Roseana Sarney frusta o deputado-presidente da AL, Arnaldo Melo, que estava pronto para assumir o governo…

Veja os 10 problemas que Roseana Sarney deixará para o seu sucessor

roseana

Carlos Madeiro, do UOL

Ao prometer renunciar ao governo do Maranhão nesta terça-feira (9), a governadora Roseana Sarney (PMDB) deixa também um lista extensa de problemas que não foram resolvidos, como alguns dos piores índices sociais do país, crescimento  da violência, caos prisional e o maior número de pessoas vivendo abaixo da linha pobreza. O UOL fez uma lista desses problemas.

A ‘herança’ de Roseana
  • Estado com mais miseráveis

    Assim como todo o país, o Maranhão reduziu o número de pessoas miseráveis desde 2004. Mesmo assim, segundo o Ipea, em 2013 eram 1.174.693 pessoas que viviam abaixo da linha da pobreza no Estado, ou 17,3% da população. A média é a maior entre os Estados e três vezes maior que a nacional, de 5,2%

  • Violência explode

    Nos últimos anos, o Maranhão viveu uma explosão de violência. Entre 2002 e 2012, a taxa de homicídios cresceu 162%, chegando a 26 por cada 100 mil habitantes ?ainda menor que a média nacional, que é de 29 por 100 mil–, segundo dados do Mapa da Violência 2014. Nessa década, o Maranhão foi o terceiro Estado com maior crescimento período, atrás apenas de Rio Grande do Norte e Bahia

  • Caos prisional

    No inicio de 2014, o mundo conheceu a barbárie no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Em 2013, foram 60 mortes, algumas com decapitações. Nenhum Estado teve tantas mortes como somente registrou Pedrinhas. Neste ano, já foram 19 assassinatos dentro do complexo

  • Líder em mortalidade infantil

    Na última década, o Maranhão ultrapassou Alagoas na ?disputa? pela lanterna em relação à mortalidade infantil. O Estado, segundo o estudo Tábua da Vida do IBGE, teve a maior taxa em 2013: 24,7 por mil nascidos vivos. A mortalidade na infância também é maior no Maranhão: 28,2 por mil

  • Maior deficit habitacional

    O Maranhão tem o maior deficit habitacional do país entre todos os Estados. Em 2008, quando Roseana assumiu pela segunda vez o mandato de governadora, após a cassação de Jackson Lago (1934-2011), taxa de pessoas sem moradia era de 25,2% em relação a todos os domicílios. Em 2012?dado mais recente– essa taxa caiu para 21,2%

  • Pior acesso à Justiça

    Os moradores do Maranhão têm o pior acesso do país à Justiça, de acordo com estudo divulgado pelo Ministério da Justiça no final do ano passado. O índice leva em conta o número de profissionais, como advogados, defesa pública e juízes. Também se leva em conta o IDH. Boa parte disso se deve à falta de defensores públicos, que só atuam em uma a cada quatro municípios do Estado

  • Menor expectativa de vida

    O Maranhão também é o local onde se vive menos no Brasil. O Estado é o único em que a expectativa de vida não chega aos 70 anos e ficou, em 2013, em 69,7 anos. No Brasil, essa taxa, em 2013, era de 74,9 anos. Entre os homens, a expectativa era ainda menor no Maranhão: 66 anos. Já entre as mulheres, essa esperança chega a 73,7 anos

  • Renda é menos de 40% da média brasileira

    Os maranhenses têm a pior rendimento entre os Estados, conforme indica o IDH Renda. O Estado também é o segundo pior PIB (Produto Interno Bruto) per capita do país, segundo dados das Contas Regionais, do IBGE. Os maranhenses, em 2012, tinham PIB per capita de R$ 8.760,34, à frente apenas do Piauí (R$ 8.137,51). No Brasil, a renda per capita é quase três vezes maior que a maranhense: R$ 22.645,86

  • Menos médicos no país

    Sem conseguir atrair ou forma mais profissionais, dados do CFM (Conselho Federal de Medicina) mostram que o Maranhão é o Estado brasileiro com o maior índice de habitantes por médico – com 5.390 profissionais para 6.794.301 habitantes. A média é de um médico para cada 1.260 pessoas –mínimo recomendado pela ONU é de pelo menos um para cada 1.000 pessoas

  • Educação ainda engatinha

    A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2013, do IBGE, apontou que o Maranhão é o segundo Estado com o maior número proporcional de analfabetos, com 19,9% do total da população sem saber ler ou escrever. O Estado estava à frente apenas de Alagoas (que teve taxa de 21,7%)

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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