Decidido: Raquel Dodge vai substituir o procurador-geral da República Rodrigo Janot. Na CCJ, Lobão mostra preocupação…

Decidido: Raquel Dodge vai substituir o procurador-geral da República Rodrigo Janot. Na CCJ, Lobão mostra preocupação…

(Atualizado às 21 horas)
Entre os investigados que reclamaram da exposição estava o senador Edison Lobão (PMDB), investigado em vários inquéritos e delatado como beneficiário em diversos esquema de corrupção. Sua preocupação é a exposição pública dos alcançados pela Operação Lava Jato

Raquel Dodge

Raquel Dodge EVARISTO SA AFP

 

Por 74 votos favoráveis, um voto não e um abstenção, foi aprovada, nesta noite de quarta-feira,  a indicação de Raquel Dodge para procuradora-geral da República. Será a primeira mulher no cargo, sucedendo Rodrigo Janot.

 

Durante o dia, a  sabatina na CCJ seguiu o roteiro previsto. Nenhum embate, divergência ou ataque de ninguém.Raquel Dodge, indicada pelo presidente Michel Temer para ser a nova procuradora-geral da República, foi aprovada por unanimidade (27 votos a 0) ao cargo pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, e logo a seguir confirmada pelo plenário do Senado, onde teve apenas dois votos discordantes. A aprovação em regime de urgência foi proposta pelo senador José Agripino Maia (DEM) e aprovada pela comissão.

A sessão durou de 10h52 até 18h14 desta quarta-feira. A procuradora não se comprometeu com nenhuma mudança em investigações ou ações do atual procurador-geral, Rodrigo Janot, mas falou genericamente em “fortalecer”, “melhorar” e “respeitar” a defesa da lei e o combate à criminalidade. Durante a sabatina, senadores aproveitaram para reclamar da exposição de nomes de investigados e réus em função de investigações conduzidas pelo Ministério Público, especialmente na Operação Lava Jato. Dodge já havia sinalizado publicamente que tomaria cuidado e já defendeu mudanças na transparência de acordos de delação premiada.

Nesta quarta-feira, ela falou que a preocupação da Procuradoria-Geral da República com a comunicação deve ser com a “prestação de contas” das atividades. Como previsto, ela nem defendeu a transparência absoluta de quaisquer investigados nem criticou taxativamente a exposição dos nomes dos senadores investigados.

 

Entre os investigados que reclamaram da exposição estava o senador Edison Lobão (PMDB), investigado em vários inquéritos e delatado como beneficiário em diversos esquema de corrupção. “A comunicação do que faz o Ministério Público deve ser sempre encarada como prestação de contas à sociedade. Precisamos comunicar adequadamente o que fazemos, como fazemos. E isso em absoluto não pode ser confundido com propaganda. De outro lado, é preciso preservar dignidade de pessoas investigadas”, afirmou Dodge. Ela também evitou criticar ou defender a prática do Ministério Público de pedir prisões preventivas de investigados, principalmente na Operação Lava Jato. “Prisão preventiva é realmente uma situação que não pode ser generalizada. E os casos concretos aqui referidos estão hoje em fase recursal e nós sabemos como o poder Judiciário tem sido cuidadoso no trato dessas questões”, afirmou Dodge.

O senador Renan Calheiros (PMDB) aproveitou a sabatina para mandar recados e protestar contra as decisões de Janot. Renan teve a prisão e o afastamento solicitados por Janot, ambos recusados pelo Supremo Tribunal Federal. “Vivemos quase uma corrupção generalizada e sistêmica, mas mesmo assim não podemos generalizar”, reclamou o senador.

 

Sabatina de Raquel Dodge na CCJ

Dodge não se aprofundou ao responder aos apelos de Renan, mas respondeu: “Refleteirei sobre suas observações com humildade”. A nova procuradora disse também ter preocupações sobre a judicialização da saúde. Para combater isso, ela falou genericamente em “fortalecer” a atuação do Ministério Público. “Evitar a judicialização da saúde é caminho correto e, para isso, precisamos fortalecer a atuação dos ofícios de saúde dedicados a esse assunto”, afirmou.

 

Ao falar do pacote de 10 medidas, apresentado pelo Ministério Público Federal e transformado em projeto de lei por iniciativa popular pelo endosso de mais de um milhão de assinaturas de eleitores, Dodge defendeu o debate das medidas. Não foi taxativa neste momento sobre a necessidade de aprová-las como foram apresentadas. “Os êxitos da Lava Jato de algum modo prescindiram da aprovação dessas 10 medidas. Esse diálogo tem que ser mantido, aberto”, afirmou. A aprovação de Dodge no Senado era amplamente esperada. Quando assumir o cargo em 17 de setembro deste ano, terá de se equilibrar entre as expectativas dos políticos e as cobranças de combatividade dos procuradores da república.

DANIEL HAIDAR/EL PAÍS

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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