O que muda se Marina for a candidata…
Marina seria substituta natural como candidata, mas...

O que muda se Marina for a candidata…

Mais do que votos, o discurso de Eduardo

Cristiana Lobo

Sem Eduardo Campos, começa agora uma outra campanha eleitoral. Principalmente, se Marina Silva entrar na disputa como candidata a Presidência da República. Mais do que os votos apontados para Eduardo Campos ou que aparecerão para ela nas próximas pesquisas eleitorais, o discurso da “nova política” ganha outro impulso com Marina. A aparência frágil de Marina não condiz com a força de suas críticas. A crítica que parte dela atinge muito mais a petista Dilma Rousseff e também o tucano Aécio Neves.

Ainda sob o impacto da tragédia de Santos, no mundo político não se fala sobre o que vai acontecer daqui em diante. Mas, é claro, o assunto está na cabeça das pessoas. Afinal, o primeiro mandamento da política diz que não existe espaço vazio; rapidamente, ele é ocupado por alguém.

A primeira pergunta que se faz agora é para onde vai o PSB, que vinha sendo comandado por Eduardo Campos desde 2005, depois da morte de Miguel Arraes. Mais para a esquerda, onde estão Luiza Erundina e Roberto Amaral? Mais do que isso, o partido voltaria a se aproximar do PT, como nas eleições passadas? Esta é uma questão que o partido vai tratar nos próximos dias. Mas, de pronto, não há alguém preparado para assumir o papel que tinha Eduardo Campos. Pode até ser que alguém se prepare para isso, mas agora não há esta pessoa. Há quem aposte que o partido poderá se dividir e uma parte seguir com o PT.

Marina seria substituta natural como candidata, mas…

A outra questão é como ficará a disputa presidencial. Até aqui, o caminho natural seria Marina se tornar a candidata do PSB. Mas ela teve esta oportunidade ano passado com a oferta do PPS de Roberto Freire de se filiar à legenda para disputar a sucessão presidencial. Neste primeiro instante, já há quem fale na possibilidade da chapa Marina-Freire. Ou então, Marina com alguém que represente Eduardo Campos. Até aqui, é tudo especulação. O assunto só será tratado após o luto de pelo menos três dias.

Mas já dá para saber que se Marina for a candidata, a possibilidade de segundo turno fica mais forte porque é de se supor que ela largaria como chegou a aparecer em pesquisas passadas – com pelo menos 12% a 15% das intenções de votos. Mas todo mundo quer saber é qual o grau de impacto que a morte precoce de Campos vai provocar na sociedade e se este sentimento, contaminando o país, poderá ser capturado por algum dos candidatos.

É de se esperar que o discurso de Eduardo seja repetido pelos concorrentes.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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