Não teve jeito! Indonésia executa brasileiro e mais oito por tráfico de drogas
Em vida, Gularte pediu para ser enterrado em Curitiba, sua terra natal.

Não teve jeito! Indonésia executa brasileiro e mais oito por tráfico de drogas

Não teve mesmo eito. Nenhum apelo ou pedido, oficial ou não, fez com que o governo indonésio voltassse atrás na execução do brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, 42. Ele foi fuziladol nesta terça-feira (28) por fuzilamento na ilha de Nusakambangan, na Indonésia, cumprindo uma condenação à morte por tráfico de drogas.

Ele foi o segundo brasileiro executado na Indonésia em 2015 – o carioca Marcos Archer Cardoso Moreira, 53,  teve o mesmo destino em 17 de janeiro, também pelo crime de tráfico.

O paranaense foi condenado à morte em 2005, um ano após ser preso no aeroporto de Jacarta com 6 kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe.

Outros  sete estrangeiros condenados por tráfico foram executados nesta terça: Andrew Chan e Myuran Sukumaran, os nigerianos Sylvester Obiekwe Nwolise, Raheem Agbaje Salami e Okwudily Oyantze, o ganense Martin Anderson; além do indonésio Zainal Abidin.

A filipina Mary Jne Fiesta Veloso foi pouopada no último momento, de modo inesperado.

“Tudo correu bem, sem interrupções”, disse uma autoridade local.

Diagnosticado com esquizofrenia paranoide no ano passado, sua defesa  tentou, sem sucesso, convencer autoriddades a reverter a condenação.  A família alegou que Gularte foi aliciado por traficantes por causa de seu estado mental.

Segundo relato do diplomata Leonardo Carvalho Monteiro, que o visitou na prisão no último sábado,Gularte reagiu com “delírio” à informaçao de que seria executado. Ele também rejeitou os três últimos pedidos a que teria direito antes de morrer.

Mas pediu para ser  enterrado em Curitiba, sua cidade natal.

Depois de sua condenação há 11 anos, Gularte chegou a tentar suicídio na prisão. De acordo com sua prima  Angelita Muxfeldt, sua situação médica piorou há três anos,  e em 2014 uma equipe médica contratada pela família do paranaense o diagnosticou com esquizofrenia paranoide, sofrendo delírios e alucinações.

Ele foi avaliado novamente em março, mas o resultado do exame nunca foi divulgado pelas autoridades da Indonésia. A falta de informações gerou protestos da família e do governo brasileiro.

Em nota no último domingo, o Itamaraty classificou de “inaceitável” a execução de Gualarte, dizendo que o governo da Indonésia se recusou a reconhecer a doença mental do brasileiro e fugiu “ao mais elementar bom senso e a normas básicas de proteção dos direitos humanos”. Além disso, fez um novo apelo para que a execução fosse adiada.

O governo brasileiro já havia protestado após a morte de Marco Archer, em janeiro, convocando de volta seu embaixador no país, Paulo Alberto da Silveira Soares.

Um mês depois, o então novo embaixador indonésio, Toto Riyanto, teve recusada sua carta credencial por Dilma Rousseff e deixou o Brasil, ampliando o atrito diplomático entre os países. (Uol com BBC Brasil,  “Folha de S.Paulo” e agências internacionais)

Em vida, Gularte pediu para ser enterrado em Curitiba, sua terra natal.

Montagem com fotos de oito dos condenados à morte por tráfico na Indonésia: acima, a partir da esquerda, os australianos Myuran Sukumaran e Andrew Chan; o nigeriano Martin Anderson. Abaixo, os nigerianos Jamiu Owolabi Abashi e Sylvester Obiekwe Nwolise e o brasileiro Rodrigo Gularte. À direita, o francês Serge Atlaoui. A filipina Mary Jane Veloso foi poupada. (Foto: AFP Photo)

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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