Na era Flávio Dino, vivos não darão mais nomes a bens públicos no Maranhão
José Sarney, vivinho da silva, dá nome à Ponte do São Francisco

Na era Flávio Dino, vivos não darão mais nomes a bens públicos no Maranhão

Numa das primeiras medidas do novo governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), foi atacado uma das maiores marcas dos quase 50 anos de poder da família Sarney.

Assim que tomou posse, nesta quinta-feira (1º), Dino assinou um decreto proibindo que bens públicos do Estado re

José Sarney, vivinho da silva, dá nome à Ponte do São Francisco

Para esta escola, o nome escolhido foi o da ex-governadora Roseana Sarney

cebam o nome de pessoas vivas. A medida entra em vigor já nesta sexta (2), com a publicação no “Diário Oficial”.

O ex-presidente José Sarney dá nome a escolas, bibliotecas e obras viárias em todo o Maranhão. A mulher dele, os filhos e aliados políticos também batizam instituições de ensino e hospitais, como a Maternidade Marly Sarney, em São Luís.

O decreto  exige a apresentação de certidão de óbito nas iniciativas para a denominação de locais públicos e diz que o homenageado deve ter “reconhecida idoneidade”.

A medida não irá retroagir para tirar os nomes dos Sarney dos prédios já batizados, mas eles poderão ser alterados se agentes públicos como secretários estaduais, dirigentes e assessores dos órgãos solicitarem a mudança à Casa Civil.

O sobrenome Sarney aparece em mais de 160 escolas no Maranhão. Em alguns municípios, o patriarca chega a batizar mais de uma instituição. É o caso de Bacabal (195 km de São Luís), onde existem a Unidade Escolar Governador Sarney e o Centro de Ensino Presidente José Sarney, além do Centro de Ensino Roseana Sarney.

Aliados como os ex-ministros Edison Lobão (e a mulher dele, Nice) e Gastão Vieira, todos vivos, também estão gravados nas fachadas de escolas da capital e do interior.

Auxiliares de Flávio Dino dizem não saber a quantidade exata de prédios públicos que homenageiam a família Sarney e seu grupo político. Afirmam que a lista com todas as construções do Estado foi solicitada ao governo Roseana durante a transição, mas não foi entregue.

MILITARES INCLUÍDOS

O decreto de Dino também proibe que bens públicos recebam o nome de pessoas que tenham sido responsabilizadas, no relatório final da CNV (Comissão Nacional da Verdade), por violações aos direitos humanos durante o regime militar (1964-1985).

A medida, nesse caso, se estende a pessoas mortas e terá efeito retroativo. Com isso, locais batizados com os nomes dos ex-presidentes do Brasil no período, citados no texto da comissão, terão que ser alterados.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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