Morte do Tenente PM Ramos: “A vida de uma pessoa não vale mais nada em São Luís!”

Morte do Tenente PM Ramos: “A vida de uma pessoa não vale mais nada em São Luís!”

“A vida de uma pessoa não vale mais nada em São Luís!”. Era o que repetia, quase convulsivamente,  um senhor, após sair correndo da Lanchonete Fênix, numa praça do bairro Maranhão Novo, avisado de que “alguém fora baleado bem ali”.

Com lágrimas nos olhos, ele presenciara a chegada da viatura da  Rotam para socorrer o  tenente da Polícia Militar do Maranhão, Gilvan Roque Araújo Ramos, de 30 anos, que terminara  de ser abatido  a tiros, na madrugada de ontem (17). O tenente chegou a ser levado para o Socorrão I, no centro da cidade, mas faleceu.

As lanchonetes Fênix e Bond Boca, que ficam na pracinha em frente ao Shopping da Ilha, no Maranhão Novo, são pontos preferidos principalmente por jovens quando voltam das “baladas”, famintos.

O tenente, um homem de bem,  não fez nada de errado para merecer esse destino trágico. Nem ele nem a família nem os colegas e amigos que, agora, choram a sua perda.

Jovem, “pagou” por apenas  querer se divertir num show musical. Ao retornar e encontrar seu carro “trancado” por outro veículo, pediu aos ocupantes – três homens e uma mulher, segundo se apurou – que o deixassem partir. O suficiente para ser surpreendido a tiros e pontapés. Um absurdo!

A polícia prendeu dois dos autores e uma jovem numa “boca de fumo” no bairro do São Francisco – Denis Miranda da Silva, Dayltonson Silva Peres e Rafaela Nunes dos Santos, um deles já envolvido na morte de um policial civil. Estariam completamente drogados a ponto de ter dificuldades de se expressar, quando abordados.

Crimes como esse tem feito muitas pessoas  refletirem. São Luís, há muito, não é mais a cidade pacata de outrora. Por isso,  muitos preferem ficar em casa, a buscar diversão. Os pais são os que mais sofrem quando seus filhos saem para shows ou eventos do gênero. Muitos ficam sem dormir até que eles voltem para casa, sãos e salvos.

O problema é que, para esses shows, vai todo tipo de gente. Os que apenas querem se divertir, felizmente ainda uma maioria, Os que querem beber até cair para, depois, dirigindo,  pôr em risco a vida de inocentes pelas ruas da cidade. Os que vão somente  para furtar celulares e bolsas porta-cédulas de quem se diverte. Os que vão para se drogar e criar caso. Outros que vão para satisfazer suas perversões sexuais, agredindo os jovens em sua integridade. E os assassinos, reincidentes ou potenciais, como é o caso dos que mataram o Tenente Ramos.

E nenhum deles leva no peito ou na testa uma tarjeta de identificação,  este o grande perigo!

Esse crime corta na própria pele da Polícia Militar do Maranhão. Se fôssemos secretário de Segurança Pública, o  comandante da corporação, o oficialato e todos que, de uma forma ou de outra trabalham pela segurança pública do Estado, não pensaríamos em vingança. Usaríamos esse fato para uma grande reflexão sobre o que está acontecendo, na capital e no interior. Um grande seminário, uma zerada de atitudes e métodos, para, daí, surgir um novo modelo de atuação.

Que sirva também para que os nossos governantes concentrem-se na velha tese de que os problemas que aceleram a violência originam-se no desemprego, na fome, e na falta de investimentos maciços em Educação.

Mas, enquanto pouco é feito nesse sentido, peçamos que Deus nos livre de monstros como os que mataram o Tenente Ramos. E rezemos para não fazermos coro com aquele senhor que chorava na Praça do Maranhão Novo:

– “A vida de uma pessoa não vale mais nada em São Luís!”

Reflitamos também sobre isso!

 

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem um comentário

  1. EUCLIDES MOREIRA NETO

    SÓ VAI PARAR, QUANDO O ESTADO FIZER SUA PARTE….. COLOCAR POLÍCIASIS NA RUA, CONTRATANDO MAIS PMs.
    TEM QUE HAVER REPRESSÃO À BANDIDAGEM, POIS SEM ELA, NOSSA CIDADE FICA REFÉM DESSES BANDIDOS.
    NÃO HÁ PÊSAMES QUE TIRE A DOR E REFAÇA A TRAJETORIA DE UMA FAMÍLIA ATINGIDA POR ESSE TIPO DE CRIME.

Deixe uma resposta