Do além! Carta psicografada absolve acusado por assassinato

Do além! Carta psicografada absolve acusado por assassinato

Uma carta psicografada foi usada durante um processo de homicídio e cujo julgamento foi realizado em Uberaba (MG) nesta quinta-feira, 20. Para provar sua inocência, a defesa do réu Juarez Guide da Veiga usou trechos do que teria dito a vítima – João Eurípedes Rosa, o “Joãozinho Bicheiro”, como era conhecido, por meio de um médium. Na correspondência pós-morte, a vítima diz ter dado motivo para o crime ao agir com ódio e ignorância ao ver a ex-companheira em companhia de Juarez.

Psicografia já foi usada em casos igualmente difíceis

O crime ocorreu há quase 22 anos e a mulher envolvida no triângulo amoroso também foi beneficiada com o veredicto, pois inicialmente, segundo o Ministério Público, teria tramado a morte do marido em companhia do réu para ficar com a herança. Mas na mensagem psicografada, o morto a defende de qualquer participação e pede para que cuide dos dois filhos do casal. Em um dos trechos da carta ele diz: “Você tem uma vida inteira pela frente e muito o que fazer para criar e educar os nossos filhos”. Em outro ponto o bicheiro assume a culpa pela própria morte. “Eu estava dominado pelo ciúme e completamente à mercê do meu próprio despreparo espiritual”. Uberaba, local dos fatos, é conhecida por ser a terra de Chico Xavier, médium mais famoso do País.

As mensagens citadas no processo somam 17 páginas e foram psicografadas por Carlos Baccelli um ano após a morte do bicheiro. Baccelli, dentista por profissão, também é médium e autor de mais de 100 livros – alguns deles escritos em parceria com Chico Xavier. Durante o julgamento o juiz Fabiano Garcia Veronez considerou desnecessária a exibição da psicografia. Mas o advogado de defesa, Rondon Fernandes de Lima, considerou que somado a outras provas, o depoimento pós morte teve importância na decisão. O promotor Raphael Soares Moreira Cesar Borba, representante da acusação, não comentou a sentença, mas assim que quatro dos sete jurados votaram a favor do réu, ele reconheceu a tese de legítima defesa e pediu a absolvição.

Histórico

O assassinato ocorreu quando o bicheiro, que já vivia separado da mulher – mesmo continuando casado no papel -, a pegou chegando em sua residência dentro de um carro com o réu. Houve então troca de tiros e ele foi baleado e não resistiu. Com o julgamento desta quinta, o processo foi encerrado, sendo expedido o mandato de contra-prisão a Juarez Veiga, que já não é mais considerado foragido. Entretanto, seu advogado diz que ele sofreu muito durante todo esse tempo tendo de ficar longe da família que reside em Uberaba, para onde não deve voltar – até porque, desde aquela época, estaria ameaçado de morte.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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