Mais verduras, menos sorvete.
Yglesio Moyses; uma questão de reconhecimento.

Mais verduras, menos sorvete.

Yglesio Moyses:  questão de reconhecimento.

Yglesio Moyses. Médico, ex-diretor do Hospital Socorrão I

Fernando Henrique Cardoso foi provavelmente o presidente mais impopular da história do país, nem Collor foi tão odiado. FHC cometeu erros, é bem verdade, mas ele de forma geral preparou muitas mudanças estruturais em todas as áreas, que foram inclusive aproveitadas por Lula e Cia. sem o devido reconhecimento.

O legado de um trabalho é sempre retrospectivo, por isso muitas vezes o que fazemos não é compreendido naquele momento e muitas críticas aparecem no tempo presente. Depois o desenrolar das ações mostra o que vinha sendo preparado e a verdade aparece juntamente com o reconhecimento.

FHC preparou bases na Economia, Saúde, Educação. Pecou na política de transportes, infra-estrutura e Indústria. Lula não conseguiu aproveitar as bases e não evoluiu nenhum dos outros setores. Dilma mostrou-se igualmente ineficaz. Se você pensar realmente na sua vida há 11 anos atrás, ela é bem parecida com a atual, com o adicional de mais aplicativos nos celulares e um pouco mais de estímulo ao consumo.

Voltaram a inflação e a recessão. Acabou a festa das viagens e do consumo exagerado. O poder de compra está diminuindo. Quem mora de aluguel sente mais o problema.

A educação não avançou em quase nada: continuamos com até 29% de analfabetismo funcional em estados mais pobres.

A Saúde também não avançou em quase nada. Ainda se morre por falta de antibiótico ou heparina num hospital. Pessoas continuam empilhadas em corredores e salões. Os remédios estão caros e nem quem tem um convênio é bem atendido.

Se formos pensar bem, fomos iludidos por um momento de injeção de dinheiro na economia, muitos compraram carros que não vão em breve poder abastecer e muitos compraram casas que não vão conseguir pagar.

Em 2014, como teremos eleição, vão baixar de novo o IPI de tudo, desonerar um pouco a produção e teremos ano de Copa pra nos dar uma sensação de alívio passageiro.
Eu tenho muita tristeza pelo ano de 2015, vai ser um ano difícil demais pro país, vai ser o ano de pagar a conta por 12 anos de apatia de um mesmo modo de governar.

Sou filiado ao PT e o partido teve seus acertos principalmente no combate imediato à extrema pobreza, mas é necessário reconhecer que do jeito que estão levando a situação,o partido não merece continuar a governar o país. Não dá pra construir um modelo de desenvolvimento sustentável em cima de medidas que visem apenas o resultado imediato e o beneficiamento eleitoral que delas advêm.

É preciso ser mais austero às vezes com as medidas de ajuste para que a Sociedade não sofra depois. É como o pai que dá ao filho mais verduras do que sorvete. O filho crescerá um dia saudável e vai agradecer, pois não se vive bem apenas comendo guloseimas, assim como não só de programas de assistência vive uma Sociedade justa.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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