Lula ataca presidente do TRF-4 e diz que Sérgio Moro deve ser exonerado

Lula ataca presidente do TRF-4 e diz que Sérgio Moro deve ser exonerado

No Rio, ex-presidente participa de encontro com artistas e intelectuais

Lula participa de encontro com artistas e intelectuais no Rio – Guito Moreto / Agência O Globo

RIO — Com artistas, intelectuais e militantes de esquerda, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira de um encontro no teatro Oi Casa Grande, no Leblon, e atacou o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Carlos Eduardo Thompson Flores. Na semana que vem, a corte vai julgar o recurso da defesa de Lula contra a condenação no caso do tríplex do Guarujá.

— Não vou falar mal dos juízes de Porto Alegre porque não os conheço. Acho estranho o presidente do tribunal não ter lido a sentença e ter falado que era irretocável. Estranhei um cara (desembargador) ler não sei quantas mil páginas em poucos dias, mas, como tem leitura dinâmica, pode ser. O que me chamou atenção foi que esse cidadão vai a Brasília pedir proteção da Suprema Corte, no Temer, no Etchegoyen, sem dizer quem está ameaçando. Esse cidadão é bisneto do general Thompson Flores, que invadiu Canudos e matou Antônio Conselheiro. É da mesma linhagem. Quem sabe esteja me vendo como cidadão de Canudos — provocou.

Lula sugeriu ainda que o juiz Sergio Moro, que o condenou, deveria ser exonerado, pelo “bem do serviço público”.

Lula ironizou a acusação de que recebeu um apartamento no Guarujá como propina da empreiteira OAS em troca de benefícios em contrato na Petrobras. Ao citar a infância pobre, Lula afirmou que nunca roubou naquela época e que, portanto, não faria sentido roubar depois de firmar um “compromisso com o povo brasileiro”:

— Eu ia roubar apartamento de R$ 500 mil quando poderia ter apartamento cheio de mala com dinheiro, quando poderia estar participando desse conjunto da Odebrecht, ter participado de conta na Suíça?

Chico Buarque, que assinou recentemente manifesto em defesa do ex-presidente, não apareceu. Mas a classe artística foi representada por nomes como a cantora Beth Carvalho e os atores Osmar Prado, Bemvindo Siqueira, Herson Capri e Gregório Duvivier. Do mundo político, o ex-ministro Celso Amorim, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, possível candidato do PSOL à Presidência, foram alguns dos nomes. Do meio acadêmico, participaram do evento o antropólogo Luiz Eduardo Soares e a filósofa Marcia Tiburi, entre outros que lotaram o teatro na Zona Sul da cidade.

Lula chegou às 19h40m e desceu do carro bem na porta do teatro, sem passar pelos simpatizantes que o aguardavam e tampouco pelos opositores que o insultavam do outro lado da calçada. Antes do encontro no teatro, a Avenida Afrânio de Melo Franco ficou dividida em dois lados: perto da entrada, apoiadores do ex-presidente, em maior número, cantavam jingles de campanhas passadas; do outro lado, um pequeno grupo gritava palavras de ordem contra o petista e exibia faixas pedindo sua prisão e defendendo a volta da ditadura militar. Houve provocações de ambos os lados, mas não foram registrados confrontos físicos.

Guilherme Boulos afirmou que há “perseguição deslavada” contra Lula, disse que irá a Porto Alegre no dia do julgamento, mas procurou marcar uma distância em relação às ideias que devem ser defendidas pela campanha petista.

— Para defender o Lula não é preciso defender seu programa integralmente, ou estar 100% sintonizado com seu programa, basta defender a Constituição — afirmou o líder do MTST.

Já Gregório Duvivier aproveitou o discurso em defesa da participação de Lula na eleição para tocar em um tema que tem provocado divisões na esquerda: a presença de mais de um candidato desse campo nas urnas em outubro.

— Não sei se vou votar nele (Lula). Vai depender das alianças que ele fizer. Por mais carismático que ele seja, vamos pressioná-lo para que faça alianças à esquerda — disse o ator, que foi aplaudido por parte da plateia e pelo próprio Lula.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem um comentário

  1. Lula foi o último político preso relevante da Lava Jato. O resto é um ou outro político desconhecido, um ou outro empresário, que a maioria já foi solto. A Lava Jato é um instrumento de perseguição a esquerda, ela está em dormência, e voltará a agir tao logo um esquerdista volte ao poder.

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