Lauro Assunção: “Gentleman, um animal em extinção”
Lauro Assunção clama pela "Belle Époque" das gentilezas...

Lauro Assunção: “Gentleman, um animal em extinção”

“Gentleman, um animal em extinção”

Por Lauro Assunção

Para quem, como eu, apreciou na infância o final dos anos 50 não deixa de bater uma nostalgia quanto ao romantismo e ao glamour daquele período, que os revolucionários de 68 começaram a desconstruir, e que hoje, lamentavelmente, assistimos, atados, aos derradeiros vestígios de nossa tardia “Belle Époque”.

O economista liberal Rodrigo Constantino, em seu recente livro, “Esquerda Caviar”, faz uma interessante narrativa

Lauro Assunção clama pela “Belle Époque” das gentilezas…

sobre um dos emblemas daquela bonita época: “o gentleman” (cavalheiro). Cita o resumo do que seria o seu código de conduta que, naquela época, requeria “ser corajoso, leal e verdadeiro, aceitar as punições por seus erros, não tirar proveito das mulheres, ser um marido protetor”.

Também era requisito “a palavra como garantia contratual” e, quando em circunstâncias de perigo, colocar mulheres, crianças e idosos em segurança, “antes de se despedir com um simpático sorriso no rosto”. Em síntese, ser gentleman é cultivar valores e respeitar as normas do trato social, bem como ser gentil, agradável e generoso com as pessoas.

Mas o autor alerta o leitor mais jovem, que poderia estar rindo, incrédulo, diante de tais informações. Como seria natural, ele ressalta que tais preceitos já foram uma espécie de guia para muita gente. Quando o Titanic afundou, em 1912, a maioria dos sobreviventes era, de fato, composta por mulheres e crianças. Já por ocasião do naufrágio do MS Estônia, em 1994, com quase mil mortos, a quase totalidade dos sobreviventes era de homens jovens. Há relatos de que se tratou de um verdadeiro “salve-se quem puder”.

Ao final, o autor faz alguns questionamentos quanto à extinção do gentleman, lembrando a contradição de sua existência com a “marcha das vadias”. Claro que o autor está a questionar se algumas mudanças em nossos costumes realmente valeram a pena.

No meu caso, aqui em tom de brincadeira, diria que costumo muitas vezes analisar os fenômenos sociais sob a ótica do mercado, da lei da oferta e da procura. Se não há consumidor, o produto fica sem cliente. Existiam gentlemen porque existiam mulheres que os apreciavam. Hoje, se um homem adota uma postura de gentleman (cavalheiro), claro que as militantes da “marcha das vadias” irão ridicularizá-lo. Importa saber se as “não militantes” daquela marcha horrorosa, que são a ampla maioria, ainda estão dispostas a valorizar o “gentleman”. Até porque, no raciocínio inverso, fico também com as leis do mercado: tendo cliente, surge o produto. Ou seja, a necessidade determina o ser.

Sei que a colocação ficou pouco romântica, não é mesmo? E, neste caso, “gentleman” sem romantismo sucumbe nas chamas da contradição.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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