Irmã de presidente Lula pede autógrafo em livro que destrói seu irmão
Foto: Tuma Jr., acima à direita, faz segurança a Lula no Deops, em 1980. Crédito: Arquivo Pessoal

Irmã de presidente Lula pede autógrafo em livro que destrói seu irmão

Do Blog do CLAUDIO TOGNOLLI, có-aauator de “Assassinato de Reputações”

Foto: Tuma Jr., acima à direita, faz segurança a Lula no Deops, em 1980. Crédito: Arquivo Pessoal

A irmã do ex-presidente Lula, conhecida como Maria Pequena, pediu há duas semanas que o ex-secretário nacional de Justiça do PT, Romeu Tuma Junior, autografasse para ela um exemplar do livro “Assassinato de Reputações: um crime de Estado”. Lançado dia 11 de dezembro do ano passado, a obra vendeu 130 mil cópias.

Tuma Jr. autografou o livro –tido e havido como a maior bomba lançada recentemente contra Lula. Além de uma máquina de fazer dossiês contra inimigos, montada sob Lula, a obra denuncia que o ex-presidente petista era informante do ex-senador Romeu Tuma, quando este era diretor do Deops.

Os detalhes da cena do autógrafo Tuma Jr. promete não revelar, por enquanto. Mas a cena lhe causou estranheza. Sobretudo porque, neste fim de semana, a revista Carta Capital divulgou entrevista exclusiva do ex-presidente Lula –em que ele admite publicamente, pela primeira vez, que Tumão lhe deixava sair de madrugada, enquanto preso político do Dops, para visitar a mãe, dona Lindu, doente (ela morreu no começo de 1980, com Lula preso).

No livro, Romeu Tuma Jr. diz que Lula tinha regalias porque era informante do diretor do Dops, Romeu Tuma Junior.

Pela primeira vez, Lula tocou no tema, em entrevista exclusiva  a Mino Carta e Luiz Gonzaga Belluzzo (este conselheiro pessoal da presidente Dilma):

Um dia desses eu vejo O Que Sei de Lula, um livro. O autor não conviveu comigo um único segundo para escrever a orelha do livro. Fico pensando: o que faço com um cidadão desse? Acabo percebendo que o melhor é a desmoralização pela mentira. O Romeu Tuma Jr. não merece o comportamento do pai dele. O pai dele foi um cidadão digno. Quando a minha mãe estava para morrer, ele, meu carcereiro, me deixava sair da cadeia às 2 da manhã para visitá-la. Então, quando um cidadão conta uma mentira dessa, o que fazer? Processar? Acho que falta um pouco de senso de responsabilidade no comportamento das pessoas. De verdade, falta reconstruir a estrutura social da família. Quando eu era pequeno, tinha vontade de comer uma maçã embrulhada em papel azul, e ficava diante da barraca olhando e olhando, e sabe por que eu não pegava e não saía correndo? Para não envergonhar a minha mãe. Ela era a minha referência de comportamento.

Confira o que Romeu Tuma Jr. achou da entrevista:

 Como reagiu às declarações de Lula para a Carta Capital?

–Reagi  rindo muito. Mas achei bastante interessante o fato dele escolher falar do livro com quem falou. Veja, não é uma coincidência, é uma “discussão de relação” com o autor da ideia e uma forma de fazer um registro sobre o fato sem poder desmenti-lo.

Acho que não perceberam esse contexto histórico e importante que demonstra a verdade contida nas páginas de “Assassinato de Reputações, um Crime de Estado”, aliás em momento algum desmentido. Aliás, na um dos filhos de Lula me homenageou, como vereador, recentemente…recebi dele uma moção de Congratulações pela minha contribuição à História do país.

 É verdade que a irmã de Lula te pediu autógrafo na capa do livro?

— A Sra. Mariazinha ou “Maria Pequena” como é conhecida, sempre orou por mim e por minha família e realmente me solicitou um livro assinado. Nunca quis dar publicidade a isso porque é uma questão de foro íntimo e humanitária.

 Se visse Lula frente a frente, agora, o que diria a ele olho no olho?

— Não sei se ele olharia nos meus olhos, mas se olhasse eu diria: Parabéns! Dessa vez você não disse que era tudo mentira ou que não sabia de nada!

O que o ser acha que pode ocorrer com a segurança pública durante a Copa?
 
— Vivemos num absoluto clima de insegurança. Não só na segurança pública, mas na segurança jurídica, no mercado, enfim, a sociedade vive um clima de medo, desesperança e retração.
Em outros tempos, todos estariam em festa e as ruas pintadas.

Hoje a violência e a insegurança está em todos os lugares e em todos os setores. Veja o Decreto que a Presidente editou usurpando as funções do Congresso!

Os Black Blocs que todos sabem ter ligações com partidos políticos vem a público dizer que estão em negociações com o PCC para “botar pra quebra” na copa? Onde se vai parar?

Tudo isso é reflexo do estado policial que o governo federal implantou no país, onde a revolta da população e a justa luta por direitos e garantias coletivas e individuais, acaba se misturando as badernas adredemente planejadas para desmoralizar as legítimas reivindicações aos olhos da sociedade.

Como fica o STF sem Joaquim Barbosa?

— Fica sem um Ministro importante. Mas todos ali são importantes no conjunto da obra, na atuação colegiada, desde que consigam impedir que o governo aparelhe ou instrumentalize a mais alta Corte como um todo, o que seria a missa de sétimo dia da nossa Democracia.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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