Influência das pesquisas eleitorais e besteirol político
Debate e besteirol: influencia ou não o eleitor?

Influência das pesquisas eleitorais e besteirol político

Debate e besteirol: influencia ou não o eleitor?

A Câmara dos Deputados tem na fila, desde o ano passado,  proposta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), de autoria do deputado André Figueiredo (CE), para investigar institutos de pesquisas e “o mal” que possam causar ao processo eleitoral. Como sempre acontece, após a realização de eleições, o assunto volta à baila. Muita discussão séria se junta a um monte de besteirol. Depois, cai tudo no esquecimento,  até a próxima eleição, no âmbito municipal, estadual ou nacional. Os debatedores, quase sempre, são aqueles crentes que o resultado das pesquisas de opinião pública os prejudicou na última eleição.

Nessa questão, a grande preocupação colocada é se o resultado das pesquisas eleitorais influencia os eleitores e os leva a votar neste ou  naquele candidato/partido político? Muitos desses, mesmo sem balizamento técnico, já respondem positivamente. Usam para isso o surrado argumento do “voto útil”: o eleitor teria a predileção de votar no candidato que “está à frente” nas pesquisas.

Mais seria isso mesmo? Os eleitores estariam mais dispostos a votar nos candidatos com mais chances de ganhar do que nos que ficaram para trás nessas pesquisas? Claro, se as pesquisas fossem irrelevantes para auxiliar – ou influenciar – a decisão do eleitor, faria muito pouco sentido divulgá-las. Ao contrário, esses números são, via de regra,  estampados em manchetes de jornais e ganham destaque nos portais eletrônicos.

Mas daí a dizer que o resultado das pesquisas divulgadas é, para muitos,  caldo derramado, vai uma grande distância…

Coordenador de pesquisas eleitorais, Alberto Carlos Almeida aborda essa questão no livro “A Cabeça do Eleitor”. Para ele, a possibilidade da influência das pesquisas alterar a decisão do eleitor ainda precisa ser provada empiricamente com estudos de caso brasileiros. O processo de recepção e processamento da informação seria trabalhoso demais para que o eleitor médio conseguisse contabilizar o peso das pesquisas em sua decisão.

Na visão de Almeida, antes de tomar decisão tão importante, a do voto, o eleitor, primeiro, deve receber as informações relativas aos resultados das pesquisas e ser  capaz de reter quem está na frente e quem está atrás. Depois, teria que  confiar nos resultados e, finalmente,  considerar o resultado das pesquisas  tão ou mais importante do que as demais informações que obteve ao longo da campanha eleitoral.

Tese de doutorado do conhecido cientista político Marcus Figueiredo apresenta uma premissa  interessante  sobre a decisão de voto. Baseia-se na teoria econômica da democracia, desenvolvida em grande parte pelo economista norte-americano Anthony Downs. No modelo proposto por Figueiredo, uma das variáveis consideradas pelo eleitor é a “ação das outras pessoas”. Ou seja, o eleitor faria uma estimativa do cenário político e, com base nesse “palpite”, tomaria sua decisão.

Ainda conforme essa premissa,  há três possibilidades de participação. Se o eleitor achar que seu candidato/partido preferido tem uma ‘chance razoável de vitória’, então lhe dá seu voto.  Mas se acreditar que seu candidato/partido favorito não tem chances de vencer, dará seu voto ao candidato/partido que considerar com chances razoáveis de vencer o candidato/partido que ele prefere menos, para evitar que o adversário  venha a ganhar as eleições’. Se o eleitor for ‘orientado para o futuro’, talvez ele continue votando em seu partido preferido,  mesmo que esse não tenha chances de vencer, melhorando com isto suas alternativas para o futuro.”

Por essa ótica de Figueiredo, os resultados das pesquisas de opinião são apenas alguns dos muitos estímulos em uma eleição. Os tais competem com a propaganda eleitoral, com as opiniões das pessoas próximas (grupos sociais) e com a cobertura jornalística. Esses números não tem que ser, necessariamente, “tão ou mais importantes do que as demais informações”, como defende Almeida. Eles serão mais uma variável no jogo eleitoral. Muito bem explorados, é verdade, nas campanhas eleitorais.

Como há muito já descobriram aqui no Maranhão…

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem 2 comentários

  1. Mohana

    Essa analise é pra entendidos no assunto, mas ficou muito claro para os leigos como eu. Neguinho tem que soar a camisa se quizer se eleger e não espera por perquisas. Nem todas são seris mesmo.

  2. José Machado

    Só tive a intenção de falar de um assunto que conheço bem, já que trabalho com pesquisas de opinião pública – em particular, as eleitorais. Entendo que os institutos colaboram com a democracia, no momento em que produzem informações isentas, apenas para balizar o eleitor.

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