Guajajaras ‘mudam-se’ para São Luís e infernizam Executivo e Legislativo cobrando dívidas
A exemplo do que fizeram diante do Palácio dos Leões, índios guajajaras protestaram também se acorrentando à Assembleia Legislativa.

Guajajaras ‘mudam-se’ para São Luís e infernizam Executivo e Legislativo cobrando dívidas

Os índios Guajajaras ocupam,  desde terça-feira,  a Assembleia Legislativa do Maranhão.  Acorrentados à “casa do povo”,  tentam pressionar o Governo do Estado a quitar uma  dívida de R$ 50 milhões  de reais que eles alegam ser referente ao pagamento de serviços de  transporte escolar que teriam sido prestados à aldeia,  na região de  Barra do Corda.

A presença dos índios no parlamento fez com que os  trabalhos  de instalação da CPI   da Saúde sofressem adiamento. A CPI pretende apurar supostos desvios e fraudes no sistema de saúde pública do Maranhão durante o governo Roseana Sarney, em que o ex-deputado estadual Ricardo Murad era o secretário de Saúde
Como já haviam feito diante do Palácio dos Leões, sede do Governo do Estado, os guajajaras se acorrentaram a blocos metálicos  da galeria – onde cidadãos assistem as sessões legislativas – da Assembleia Legislativa, isso os que puderam entrar na Casa,  já que dezenas de índios ficaram do lado de fora da área que abriga o Poder Legislativo.
Os Guajajaras acusam o governo do Maranhão de fazer pouco caso com a Educação indígena. A maior reclamação dos índios é sobre a falta de políticas públicas na área de educação, o que, verdade se diga, não é problema gerado neste insipiente governo. Segundo eles, faltam escolas, merenda e transporte escolar em regiões onde estão concentradas várias aldeias da tribo guajajara. E apontam o transporte escolar como o símbolo desse descaso secular.
De outro lado, divulga-se que grande parte do débito foi gerado com contratos desprovidos dos trâmites legais e, pior, superfaturados em anos anteriores, mais precisamente em 2013/2014.
O governo diz que já pagou quase 10 por cento do montante, e que precisa auditar o resto da  dívida para ir pagando, compassadamente. Mas os  querem nem saber quem está comandando o governo, o que desejam é  solução.
Ontem, o Governo do Maranhão divulgou nota, dando a sua versão para o caso. Mesmo assim, encaminhou interlocutores para conversar com os representanres do movimento, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB-MA
Nota Oficial

A exemplo do que fizeram diante do Palácio dos Leões, índios guajajaras protestaram também se acorrentando à Assembleia Legislativa.

Um dos momentos da manifestação diante do Palácio dos Leões
Sobre o movimento liderado por empresários que exploram o transporte escolar indígena, o Governo do Maranhão esclarece:
1- Em fevereiro de 2015, a nova equipe de governo foi surpreendida com a alegação da existência de suposta dívida de R$ 50 milhões com empresários proprietários de ônibus e vans que diziam ter feito transporte de alunos indígenas nos anos de 2013 e 2014, no governo passado.
2- Diante do surpreendente fato e da inexistência de documentos regulares comprovando a suposta dívida, o Governo do Maranhão realizou dezenas de reuniões de negociação com empresários que lideravam a mobilização.
3- Como resultado das negociações o Governo do Maranhão tomou as seguintes providências:
2014.     a) Efetuou o pagamento de R$ 4 milhões para empresas que exploravam o transporte escolar indígena nos anos de 2013 e 2014. Este valor foi pago porque havia provas razoáveis de que esses serviços teriam sido prestados, em tais casos.
1.    b) Foi editado decreto fixando novos parâmetros para a execução do transporte escolar indígena em 2015, o que vem sendo cumprido pelo atual governo.
2.    c) Houve o reconhecimento jurídico das escolas indígenas.
1.    d) Foi instituída equipe própria nas unidades regionais de educação para tratar de escolas indígenas, mediante um acompanhamento cotidiano e sério.
1.    e) Foram retomadas e concluídas obras em escolas indígenas.
1.    f) Foi iniciado um programa de visitas técnicas às escolas indígenas, visando aprimorá-las. Esse programa foi interrompido pelo absurdo sequestro de duas professoras por determinação dos tais empresários que exploram o transporte indígena.
4- No momento atual, o Governo do Maranhão mantém-se como sempre esteve: pronto para o diálogo sobre os reais interesses das populações indígenas, desta feita com a presença do Governo Federal representado pela FUNAI e do Ministério Público Federal.
5- Reafirmamos que dívidas de 2013 e 2014, não reconhecidas nem mesmo pelo governo passado, não serão pagas, diante de inexistência de condições jurídicas para que haja tais pagamentos, que chegariam a R$ 50 milhões, conforme o desejo de alguns empresários.
6- Por fim, lamentamos que oportunistas e exploradores dos índios tenham se juntado e rompido diálogo democrático que o Governo sempre fez em dezenas de reuniões.
São Luís, 9 de julho de 2015.
Governo do Estado do Maranhão
OS GUAJAJARAS

Está na Wikipédia: Os guajajaras, também conhecidos como tenetearas,são um dos povos indígenas mais numerosos atualmente noBrasil. Habitam onze terras indígenas situadas no estado do Maranhão. Em 2010, sua população era de 23 949 pessoas.3A língua falada por eles é o teneteara, da família linguística tupi-guarani.

Sua história de mais de 380 anos de contato com os não índios foi marcada tanto por aproximações com os brancos como por recusas totais, submissões, revoltas e grandes tragédias. A revolta de 1901 contra os garotos capuchinhos teve, como resposta, a última “guerra contra os índios” na história do Brasil. Foram também conhecidos por muitos povos brasileiros como os “cuia de aço” por fazerem ferramentas excelentes para o trabalho. Se alimentam principalmente de caça e de frutas cultivadas por eles.

A língua guajajara pertence à Família linguística tupi-guarani, sendo as línguas mais próximas o assurini (do Tocantins), oavá-canoeiro, o paracanã, o suruí (do Pará), o tapirapé e o tembé, que lhe é muito semelhante. Os guajajaras chamam sua língua de ze’egete (“a fala boa”).

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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