Fora de campo – CT do Sampaio foi vendido em 2009, e agora invasores ocupam a área

Fora de campo – CT do Sampaio foi vendido em 2009, e agora invasores ocupam a área

Caso CT Sampaio

Terreno do centro de treinamento do clube foi vendido a uma empresa, em 2009, por R$ 6,75 milhões. Agora, invasores ocupam  a área e o caso vai parar na Justiça

George Raposo – O Imparcial
Fotos CT Sampaio
Após a invasão de uma parte do terreno do CT José Carlos Macieira, que seria pertencente ao Sampaio Corrêa, veio à tona o fato de que a Ação de Manutenção de Posse, ajuizada na 2ª Vara Cível de São José de Ribamar, está no nome de uma empresa chamada Hispamix Brasil Investimentos LTDA. Esta empresa é especializada em investimentos imobiliários, principalmente venda de imóveis, construção de edifícios e vendas de frações de terrenos.
A Hispamix está registrada no nome de dois sócios, José Domingos da Conceição Corrêa e José Manoel Gonçalves Pinto, e existe desde 2003.Em consulta ao Cartório de 1º Ofício de São José de Ribamar, constatou-se que a Hispamix comprou o terreno da sede do Sampaio Corrêa, de Antônio Cícero Oliveira Martins, em 16 de dezembro de 2009 por R$ 6,75 milhões (seis milhões e setecentos e cinquenta mil reais) e o dividiu em dois lotes: um com 100.000 m² e outro com 178.917 m², de igual valor (R$ 3,375 milhões cada).
O curioso de constatar no instrumento de compra e venda do imóvel é que o procurador do Sr. Antônio Cícero chama-se Sérgio Barbosa Frota, presidente do Sampaio Corrêa, que ocupa o cargo desde 2007.
Fotos CT Sampaio
O SuperEsportes tentou ouvir o presidente tricolor e outros diretores para esclarecimentos, mas não obteve êxito. Depois de muita insistência, conseguiu um contato com José Alberto de Moraes Rêgo (o Geografia), um dos mais velhos conselheiros do clube e antigo diretor de futebol entre 1996 e 2006, afirmou que o terreno era de propriedade do Sampaio Corrêa, apesar de estar registrado em nome de um instituto até a saída dele da administração do clube.
“Quando eu entrei em 1996, o terreno já estava quitado e regularizado em nome do Instituto José Carlos Macieira, e inclusive, foi adquirido do antigo proprietário, pelo clube, em cinco prestações e assim ficou até à nossa saída”, afirmou Geografia.
O ex-dirigente afirmou conhecer um pouco da relação entre o Sampaio Corrêa e a Hispamix, mas, apesar dos documentos, acredita que o negócio entre as duas partes não tenha sido efetivado, por problemas diversos.
“Até onde eu sei, houve um contrato de convênio com essa empresa, no qual o Sampaio cedia parte do terreno em troca de melhorias e benfeitorias na estrutura da sede social, mas não tinha nada de compra e venda”, completou.
O que aconteceu entre 2007 e 2009 que fez a propriedade do CT do clube passar do nome do Instituto José Carlos Macieira para o Sr. Antônio Cícero Oliveira Martins não foi explicado por ninguém dentro do Sampaio Corrêa.
Silêncio
Em nenhum momento do processo de manutenção da posse o Sampaio é citado como parte legal da ação. Segundo o diretor jurídico do clube, José Henrique Viveiros Vieira, o procedimento, os advogados do clube foram consultados, apenas o presidente Sérgio Frota tem conhecimento do ocorrido.
“Eu estou vendo esse processo todo de longe, e só o presidente pode responder sobre isso. A única coisa que eu posso dizer é que o terreno pertence ao Sampaio”, afirmou Viveiros, antes da reportagem ter encontrado o nome de Antônio Cícero.
Na semana passada, o presidente Sérgio Frota convidou a imprensa para uma entrevista coletiva, para falar sobre a invasão do terreno, mas em momento algum afirmou que a ação de manutenção da posse era da Hispamix.
Frota, que não atendeu nem retornou as ligação da reportagem do Superesportes, após divulgação da suspensão da liminar, uma semana depois, quando o assunto foi levado a conhecimento público, afirmou em entrevista rápida a um programa de televisão local, que o terreno é pertencente ao Sampaio Corrêa.
“O terreno é do Sampaio Corrêa, e nós temos uma parceria com a Hispamix para a construção de CT ‘modelo’ até para utilizar como instrumento de inclusão social”, afirmou.
Ocorre que não há indícios de informações de que houve, em algum momento, qualquer publicidade sobre os detalhes dessa parceria nem os benefícios para o Sampaio de um acordo com a empresa imobiliária.
Mistério
Para aumentar ainda mais o mistério sobre a documentação do CT José Carlos Macieira, o diretor de patrimônio, Luis Fernando Cadilhe, se desvencilhou de qualquer responsabilidade.
“Qualquer conversa sobre documentação, regularidade do terreno só o presidente Sérgio Frota pode explicar. Se houve alguma transferência ou no nome de quem está a escritura, eu não tenho conhecimento”, explicou Cadilhe.
Cadilhe ainda contou que os invasores têm ficado mais ousados com o passar do tempo em que permanecem com a posse do terreno.
“Outro dia de madrugada eles quebraram os canos de irrigação do campo e também tiraram todas as placas de publicidade, que ficam onde treinam os profissionais. E já ameaçaram invadir tudo, mesmo com nossa segurança privada”, afirmou.
Fotos CT Sampaio
Sócios da Hispamix e Dolce Vita são os mesmos
No local indicado como sede da empresa Hispamix, em uma sala de um edifício na Avenida Holandeses, funciona também outra empresa chamada Dolce Vita Empreendimentos Imobiliários. Os sócios dessa empresa sãos os mesmos da Hispamix, José Domingos da Conceição Corrêa e José Manoel Gonçalves Pinto.
A reportagem foi ao local em duas oportunidades durante o horário comercial e não encontrou nenhum funcionário que pudesse responder pela Hispamix, apenas havia pessoas ligadas à Dolce Vita. Nem os sócios das duas empresas se encontravam no local ou puderam ser contatados.
Um funcionário da Dolce Vita, que não quis se identificar, afirmou que não há nenhuma relação entre as duas empresas, além de dividirem o espaço, e que não estariam autorizados a dar nenhum número de contato dos sócios ou dar qualquer informação sobre eles.
Fotos CT Sampaio
Sérgio Frota não atende às ligações telefônicas

Juíza concede nova liminar para retirada de invasores

Procurado para esclarecer os fatos da reportagem, o presidente Sérgio Frota não atendeu às nossas ligações nem retornou os nossos recados. Tentamos mandar as perguntas por Whatsapp em diversos números, mas as mensagens foram visualizadas e não respondidas.

Além disso, foram procurados os assessores de imprensa tanto de Sérgio Frota quanto do Sampaio Corrêa, mas ambos não nos colocaram em contato com o presidente do clube. No site do clube, onde consta a nova diretoria, não diz se o Sampaio tem presidente do Conselho Deliberativo.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem um comentário

  1. Antonio Nicolau

    Ao tentar explicar o episódio da venda do terreno do Sampaio Corrêa para a empresa Hispamix, o presidente do Clube se atrapalhou todo, e a emenda saiu pior do que o soneto. Explicou, mas não justificou.
    A realidade mesmo é que venderam o patrimônio do Clube por um preço muito barato.
    Os 22 hectares que efetivamente foi vendido, conforme afirmou o próprio presidente, vale a preço de mercado de hoje, no mínimo uns 30 Milhões de Reais. Só para se ter uma idéia, numa área dessa, de 220.000 metros quadrados, daria para construir mais de 8 mil apartamentos populares.
    Seria muito mais interessante que o negócio fosse desfeito e área fosse vendida hoje, pois com isso o Sampaio Corrêa conseguiria amealhar mais de Trinta Milhões de Reais e resolveria todos os problemas financeiros do Clube.
    Será que os dirigentes do Sampaio Corrêa pode ainda desmanchar esse negócio porco? Duvido muito que isso aconteça, pois na verdade o terreno todo já foi vendido para a Empresa Hispamix, inclusive com a transferência já efetivada em Cartório.
    Hoje, se a Hispamix quiser, pode até mesmo “despejar” a qualquer momento o Sampaio Corrêa do Centro de Treinamento do Turu.
    Pelo o Contrato de Compra e Venda que existe registrado no Cartório de Imóveis de São José de Ribamar, houve foi uma venda mesmo de toda a área do terreno, inclusive da área do Centro de Treinamento.
    Até agora não houve explicação convincente por parte daqueles que fizeram e fazem a administração do Sampaio Corrêa, de como e porque o terreno que se encontrava em nome do Instituto Carlos Macieira, num passe de mágica foi transferido para o nome do senhor Antônio Cícero Oliveira Martins e logo depois foi vendido para a Imobiliária Hispamix.
    Quem é mesmo essa pessoa que se chama Antônio Cícero Oliveira Martins? Será que ainda vive?
    Seria muito bom que a imprensa encontrasse essa pessoa, pois quem sabe ele saiba explicar todo esse imbróglio,tintim por tintim e nos seus mínimos detalhes.

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