Estadão – ‘Sarney compra briga inédita com juízes maranhenses’…
Maior que o bigode é o poder... Sarney chama até a magistratura para a briga

Estadão – ‘Sarney compra briga inédita com juízes maranhenses’…

Não foi apenas o jornal O Globo que publicou matéria sobre as desavenças de Sarney com o Judiciário maranhense, conforme já reproduzimos, ontem (16), no blog (post abaixo). A Agência Estado também produziu seu material sobre o mesmo tema, conforme vai transcrito abaixo.

Mas a “briga” a que se referem as duas matérias de O Globo e Estadão – com origem nos fatos que desencadearam uma rebelião de presos com 10 mortos, 20 feridos e incêndio de 7 ônibus – ainda não contemplou outra briga do Poder Judiciário e da magistratura locais contra o Poder Executivo, chefiado pela filha do senador, Roseana Sarney. Tudo por conta da redução do orçamento do Tribunal de Justiça para 2014, consagrada em projeto de lei encaminhado pela governadora à Assembléia Legislativa. 

A Associação de Magistrados do Maranhão (AMMA), que congrega os juízes de Direito do Estado, não só colocou a boca no trombone, através de seus diretores, como impetrou mandado de segurança contra a proposta de Roseana Sarney,  obtendo liminar favorável concedida pelo desembarcador Antonio Bayma de Araújo Júnior.

Mas enquanto essa nova briga não tem um final

Gervásio Santos, presidente da AMMA: contra a redução do orçamento do Judiciário

, leia a matéria da Agência Estado, falando de outra contenda. O título: “Sarney compra briga inédita com juízes maranhenses”

Maior que o bigode é o poder… Sarney chama até a magistratura para a briga

Agência Estado

Em processo de desgaste político, o senador José Sarney (PMDB-AP) comprou uma briga inédita com juízes maranhenses. No domingo, 13, Sarney escreveu no jornal da família, O Estado do Maranhão, que as Varas de Execução Penal de São Luís eram culpadas pela rebelião de detentos e a chacina de nove presos, no dia 9, no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Momentos depois, o juiz Gervásio Santos, da Associação dos Magistrados do Maranhão (Amma), publicou no Facebook que a gestão da governadora Roseana Sarney (PMDB), filha do senador, não cumpria pedidos de investimentos em presídios.

Na Coluna do Sarney, editada aos domingos pelo jornal, o senador escreveu que uma portaria das Varas de Execução Penal de São Luís, de agosto, estabelecia que presos de diferentes regimes de penas e integrantes de facções criminosas rivais fossem mantidos nas mesmas celas. A portaria, no entanto, ressaltava, na verdade, que o governo estadual descumpria a Lei de Execução Penal em manter os presos juntos.

Nesta terça-feira, 15, em entrevista ao jornal O Globo, Sarney reconheceu o erro e pediu desculpas. “Ele estava mal-informado”, afirmou Santos. “Houve uma tentativa de responsabilizar o Judiciário pelo que ocorreu, mas nós estamos aqui há muito tempo alertando para o problema da superlotação.” A polícia ainda investiga a origem dos disparos que mataram os nove detentos. A principal linha de investigação aponta que eles foram vítimas de colegas presos. A polícia também apura uma possível participação de agentes penitenciários na chacina. Após a rebelião no presídio, agentes encontraram nas celas quatro armas de fogo e 400 celulares.

O presidente da Amma observa que antes da rebelião 3.200 detentos se acotovelavam no presídio da capital maranhense. A superlotação no sistema penitenciário de São Luís pode ser explicada, segundo ele, pela falta de investimento na construção de cadeias no interior. A associação teme que novas rebeliões ocorram nas unidades de adolescentes infratores, onde o número de menores nas celas supera a capacidade do sistema.

As relações próximas da família Sarney com alguns juízes e a presença de membros o clã no Poder Judiciário costumam ser citadas como exemplos de controle do grupo. Por isso, o ataque do senador no domingo aos juízes causou surpresa. O presidente da Amma avalia que a “imagem vendida” dos juízes maranhenses não corresponde à realidade. “Não se pode generalizar”, avalia Santos. “Isso (influência) não é uma realidade.”

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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