Em áudio divulgado pela PF, empresários decidem usar cabeça de porco em linguiça
Divulgação/Polícia Federal - Operação Carne Fraca é deflagrada em São Paulo, Paraná, Goiás, Minas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e DF

Em áudio divulgado pela PF, empresários decidem usar cabeça de porco em linguiça

Divulgação/Polícia Federal – Operação Carne Fraca é deflagrada em São Paulo, Paraná, Goiás, Minas, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e DF

Leia também: Propina de frigoríficos era repassada a partidos políticos, diz delegado da PF

A Polícia Federal pediu a interdição de ao menos um frigorífico da BRF no interior de Goiás, onde foram constatados indícios da presença da bactéria salmonela

Carne de cabeça

Em um dos áudios gravados com autorização judicial e divulgados nesta sexta-feira, Idair Antônio Piccin, dono do frigorífico Peccin, e Nair Klein Piccin, sua mulher e sócia conversam sobre o uso de carne proibida em lotes de linguiça. Ambos tiveram pedidos de prisão preventiva decretados pela Justiça Federal. Confira um trecho da conversa:

Idair – Você ligou?

Nair – Eu, sim eu liguei. Sabe aquele de cima lá, de Xanxerê?

Idair – É.

Nair – Ele quer te mandar 2 mil quilos de carne de cabeça. Conhece carne de cabeça?

Idair – É de cabeça de porco, sei o que que é. E daí?

Nair – Ele vendia a R$ 5, mas daí ele deixa a R$ 4,80 para você conhecer, para fechar carga.

Idair – Tá bom, mas vamos usar no que?

Nair – Não sei.

Idair – Aí que vem a pergunta, né? Vamos usar na calabresa, mas aí, é massa fina é? A calabresa já está saturada de massa fina. É pura massa fina.

Nair – Tá.

Idair – Vamos botar no que?

Nair – Não vamos pegar então?

Idair – Ah, manda vir 2000 quilos e botamos na linguiça ali, frescal, moída fina.

Nair – Na linguiça?

Idair – Mas é proibido usar carne de cabeça na linguiça.

Nair – Tá, seria só 2000 quilos para fechar a carga. Depois da outra vez dá para pegar um pouco de toucinho, mas por enquanto ainda tem toucinho.

Leia também: Grampo da PF flagra conversa de ministro com líder de esquema com frigoríficos

“A carne é fraca”

O nome da Operação Carne Fraca faz referência à expressão popular “a carne é fraca” a fim de demonstrar a fragilidade moral dos agentes públicos envolvidos nas fraudes e que “deveriam zelar e ficalizar pela qualidade dos alimentos fornecidos à sociadade”, diz a nota da PF.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Deixe uma resposta