Do  Maranhão a Mato Grosso,  a violência no campo virou regra

Do Maranhão a Mato Grosso, a violência no campo virou regra

Perseguição aos defensores da floresta se intensifica; membros do povo Gamela são baleados, surrados e têm partes do corpo mutiladas por fazendeiros locais

 

Um dos Gamela feridos que tiveram o primeiro atendimento na cidade de Vitória do Mearim, Maranhão (© Ana Mendes/Cimi)

Após a chacina de Colniza (MT), em 19 de abril, ficou claro que o Brasil caminha para tempos sombrios, tamanha foi a violência que massacrou nove trabalhadores rurais. “O agrobanditismo nacional não abrirá mão de um palmo de terra, mesmo que estas sejam públicas ou mesmo terras tradicionalmente ocupadas por povos indígenas do país”, defende Danicley de Aguiar, da campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil.

Recorde-se que a madrugada de domingo para segunda (1° de maio) foi marcada por mais um triste e revoltante caso de violência aos povos indígenas do Brasil. Em um ataque organizado por fazendeiros da região do município de Viana, no Maranhão, e seus capangas, treze indígenas sofreram tentativa de homicídio e foram agredidos com golpes de facão, pauladas e tiros. Além de cinco baleados, duas pessoas tiveram membros do corpo mutilados.

Casos semelhantes foram denunciados durante todo o Acampamento Terra Livre (ATL) 2017, que levou à Brasília cerca de quatro mil lideranças indígenas de todo o Brasil, na semana passada. Durante a marcha de abertura do ATL, no dia 25, as lideranças foram duramente reprimidas com balas de borracha e bombas de gás por ousarem protestar contra a paralisação dos processos de demarcação das terras indígenas e denunciar o Congresso Nacional como principal foco da ação anti-indígena no país.

Em comum aos três atos de barbárie, está a omissão do Estado brasileiro, que permite o avanço da violência e ao mesmo tempo protagoniza a imposição de uma agenda que viola os direitos dos mais pobres, e nos conduz a uma espécie de terrorismo de Estado, via a criminalização dos movimentos sociais que resistem a tais violações. “Essa onda de violência no campo, anuncia uma conjuntura de extremo autoritarismo, bem como a supressão de direitos e garantias fundamentais, contra a qual todos os brasileiros devem reagir urgentemente”, explica Aguiar.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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