Dia Internacional da Mulher: Lutas e Conquistas

Dia Internacional da Mulher: Lutas e Conquistas

 

dia 8 de Março, reconhecido pela ONU, desde 1977

SÃO LUÍS – No dia 8 de março de 1857, operárias ocuparam a fábrica de tecidos que trabalhavam em uma grande greve para reivindicar melhorias de condições de trabalho. A manifestação foi interrompida da maneira mais violenta e desumana possível: as mulheres foram trancadas e o prédio foi incendiado. Cerca de 130 mulheres morreram.

A data foi escolhida, desde 1910, para lembrar a luta das mulheres e homenageá-las. Como lembra a romancista francesa, Benoîte Groult, “o feminismo nunca matou ninguém, o machismo mata todos os dias”. Segundo dados do IBGE, de 2010, 68% das mulheres são agredidas por seus companheiros ou companheiras.

Apesar das conquistas feministas ao longo dos anos, mesmo com violências contínuas, para a professora de Serviço Social da Universidade Federal do Maranhão, Lourdes Leitão, a importância da data é dar visibilidade às lutas por igualdade e respeito.

A professora Lourdes Leitão milita no combate a violência contra a mulher desde antes da graduação, na década de 80, motivada pela percepção de uma sociedade misogênica, que tem dados assustadores e que legitima a violência. Ela ressalta que é essencial, para maiores conquistas, que as mulheres ultrapassem as dificuldades de conseguirem ocupar posições de poder decisório.

Para Lourdes, que tem a luta como um compromisso, mais que um dia de homenagear mulheres, o 8 de março é um momento de renovar energias para continuar lutando”, pois ainda, há muito a ser conquistado. Na área profissional, por exemplo, a professora destaca a equiparação de salários em várias áreas, a extinção do assédio sexual e alguns direitos não reconhecidos, como as instituições empregadoras disponibilizarem creches, que estão diretamente ligados à segurança dos filhos e devem ser também uma preocupação dos pais.

Mas a vida profissional é só mais uma função que a mulher desempenha, pois, muitas vezes, estas passam a ter rotina dupla, executando atividades domésticas, que seus parceiros se negam a dividir. E ainda na vida pessoal, a reivindicação é por ter direitos aos seus próprios corpos, podendo decidir tanto por reprodução quanto por quem deve ou não tocá-la.

Dentro do feminismo, há lutas específicas, pois o preconceito varia de acordo com classe, raça e orientação sexual. A mulher rica, branca e heterossexual sofre consequências de machismos de maneira diferente da mulher pobre, negra e lésbica, sem, neste caso haver equiparação de um cenário com o outro. Trata-se aqui de dois ou mais preconceitos associados, que são alimentados pelo modelo patriarcal adotado no contexto atual.

Lourdes citou algumas entidades e instituições, que apoiam a mulher no Maranhão, como a casa abrigo, a delegacia, os conselhos, as secretarias e o hospital da mulher, que são conquistas dos movimentos. Mas, sempre acha importante ressaltar que a luta deve continuar, pois ainda há direitos a serem perseguidos e conquistados para se alcançar uma sociedade mais justa para todos e todas.

A frase histórica de Simone Du Beauvoir, “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”, destaca o quão social é o machismo e o quão natural deveria ser o respeito.

Produção: Rosana de Oliveira
Revisão: Charles Martins
Fonte: Luama Alves

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Deixe uma resposta