Deputado Raimundo Cutrim denuncia chantagem política e compra deslavada de votos no Maranhão
Cutrim se mostra indignado porque, segundo ele, o governo estadual estaria tomando as suas bases eleitorais na base da chantagem e da compra de votos...

Deputado Raimundo Cutrim denuncia chantagem política e compra deslavada de votos no Maranhão

SEGUNDO O DEPUTADO, HÁ SUSPEITAS DE QUE O TRIBUNAL DE CONTAS E ATÉ O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO  SEJAM USADOS POR GENTE DO GOVERNO PARA CHANTAGEAR PREFEITOS, EX-PREFEITOS E OUTRAS LIDERANÇAS PARA QUE VOTEM EM SEUS CANDIDATOS.

Cutrim se mostra indignado porque, segundo ele, o governo estadual estaria tomando as suas bases eleitorais na base da chantagem e da compra de votos…

O deputado estadual Raimundo Cutrim (PCdoB), candidato à reeleição, que já foi secretário de Segurança Pública de dois dos  governos de Roseana Sarney e tem conhecimento profundo das maracutaias políticas do Maranhão, denunciou, hoje (19),  em pronunciamento na Assembleia Legislativa, a compra deslavada de votos e a suspeita de que o Tribunal de Contas e o Tribunal de Justiça do Estado sejam usados por gente do governo estadual para chantagear prefeitos, ex-prefeitos e outras lideranças para que votem nos candidatos governistas.

Raimundo Cutrim citou  pelo menos dois casos de pressão política de lideranças  que o apoiavam, mas foram  obrigados a trocá-lo por outros candidatos, como o ex-secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes:

– Tem um município próximo daqui, onde uma pessoa que sempre votou no deputado Cutrim,  foi chamado: ‘Não, mas não tem que votar [no Cutrim], tem que votar no Aluísio’. É uma brincadeira um fato desses, chantageando as pessoas… disse Raimundo Cutrim, da tribuna.

Noutra parte de seu discurso, narrou o que ouviu de outro ex-correligionário: “Dr. Cutrim, eu estou torcendo pelo o senhor, mas eu não posso votar no senhor porque o senhor sabe como é…”

O deputado reclamou bastante do Ministério Público – não disse se o Estadual ou o Eleitoral – que, segundo ele, parece que “não olha nada”, não investiga.

Cadê o empréstimo?

No início do discurso, Raimundo Cutrim narrou que, no final de semana,  viajara a dois municípios – Joselândia e Carutapera – e ficou preocupado com a situação das estradas, motivo de um empréstimo milionário que o Governo do Estado fez junto ao BNDES.  “A Assembleia autorizou aquele empréstimo milionário a fim de ligar todos  os municípios, mas não se vê coisa alguma”, observou, para completar:

– Eu saí daqui, passei seis horas e meia para chegar a Joselândia. Ali, antes de Presidente Dutra, você entra, mas a estrada realmente está muito difícil. E esse dinheiro que nós autorizamos, que a Assembleia autorizou, e não chegou?

 O discurso

Veja, agora, a íntegra do discurso do deputado Raimundo Cutrim, liberado pela Assembleia Legislativa:

“Senhor Presidente, senhores deputados, imprensa. Senhor Presidente, eu estive viajando esse final de semana. Sábado, eu fui a Joselândia e também àquela área de Carutapera e fiquei preocupado com a situação das estradas, para as quais a Assembleia autorizou aquele empréstimo milionário a fim de ligar os municípios, mas não se vê coisa alguma”m

“Eu saí daqui, passei seis horas e meia para chegar a Joselândia. Ali, antes de Presidente Dutra, você entra, mas a estrada realmente está muito difícil. E esse dinheiro que nós autorizamos, que a Assembleia autorizou, e não chegou?

“A gente fica preocupado com o que estão fazendo em campanha política. Eu vejo a política não como um negócio, comprando voto, é uma situação dessas no nosso estado, que é pobre ainda, muito pobre, com mais de três milhões de pessoas ainda com bolsa família de quinhentos milhões.

“E a situação que eu vi lá em Joselândia, naquele dia de sábado, chegava sete viaturas para a saúde, sete viaturas para que o prefeito pudesse votar em determinada pessoa.

“Então a situação é tão… As estruturas no interior são tão acintosas, que eu fico perguntando: será que o Ministério Público não está acompanhando a situação do nosso Estado, acompanhando esses desmandos e ganha a eleição quem tem muito dinheiro disputando cabo eleitoral, disputando prefeito, a situação realmente é muito difícil.

“Eu conversava com o presidente do Tribunal de Contas, o governo chega e diz: “vota ou vou reprovar tuas contas”, ou “você vota ou Tribunal de Justiça faz isto’, ou “você vota ou eu não libero as emendas”.

“Tem um município próximo aqui que uma pessoa, que sempre votou no deputado Cutrim, aí chamaram: ‘não, mas não tem que votar, tem que votar no Aluísio’. É uma brincadeira um fato desse, chantageando as pessoas.

“Nós não podemos chegar a esse ponto. Eu vi, ainda há pouco, o nosso colega Bacelar falar na Ana do Gás. Eu não conheço, só vejo falar. Mas o que se vê no Maranhão é uma campanha com mais de R$ 20 milhões.

“Será que o Ministério Público não olha isso?

“É uma falta de respeito para com o povo de nosso Estado. Estão comprando voto acintosamente! Será que só o Ministério Público não olha?

“E é no Maranhão todo. Quanto que é isso como se fosse comprando voto, como se fosse mercadoria. Nós estamos em pleno século XXI. Uma eleição é de direitos iguais. Vai buscar voto quem tem trabalho, aí, de repente, sai um candidato, cai do céu e que nunca fez um trabalho na vida, ninguém conhece e, daqui a pouco, tem 100 mil, 200 mil votos, como? 

“Se não tem um trabalho, não se conhece a história; eu conversava, há poucos dias, com uma pessoa, amigo meu, ele disse: Dr. Cutrim, eu estou torcendo pelo o senhor, mas eu não posso votar no senhor porque o senhor sabe como é. Eu disse: olha, o político, o deputado ele precisa de voto, quem precisa da torcida é time de futebol, ele precisa da torcida, o deputado precisa dos votos para se eleger e precisa da torcida para quê? Para que o deputado possa representar bem seu eleitor e o Estado do Maranhão. Essa é a torcida que o deputado precisa, o político, para que as pessoas votarem nele, para que ele possa representar bem o seu Estado e que ele tenha, pelo menos, frequência na Assembleia Legislativa porque aqui, muitas das vezes, hoje tem cinco, seis deputados e eu estou vivendo em campanha, mas será que o deputado ele trabalha segunda-feira à tarde, tem segunda à tarde, terça, quarta, e quinta, então, sobra sexta, sábado, domingo e segunda-feira até quatro horas, então, no mínimo, a gente tem que ter respeito com a população que lhe colocou aqui.

“Então, Senhor Presidente, para concluir a situação hoje da compra de votos acintosamente no Estado do Maranhão, a gente fica preocupado em que direção vai ser essas eleições, mas eu vejo que ainda nós vamos testemunhar, talvez é a única vez na história do Maranhão nós vamos eleger um governador sem o prefeito estar dizendo tem que votar neste aqui, porque eu quero.

“(…) O povo nos diz, olha, eu voto, mas para governo eu não tenho compromisso com ninguém. Infelizmente, ainda a eleição para deputado federal e para deputado estadual ainda, o povo ainda infelizmente ainda não se libertou da pressão, da chantagem dos políticos aí. Muito obrigado”.

 

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.