Datafolha e Ibope: discrepância sobre o segundo turno da corrida presidencial deixa especialistas encafifados
Daniel Mendes comenta discrepãncias entre pesquisas do Ibope e Data Folha

Datafolha e Ibope: discrepância sobre o segundo turno da corrida presidencial deixa especialistas encafifados

DANIEL MENDES*

Sobre Datafolha e Ibope

A discrepância nos números para o segundo turno, entre os institutos Datafolha e Ibope, permanece sendo um mistério não decifrado. Vamos meter a colher nesse angu pra ver o que se pode extrair dele.

Em primeiro lugar afastar de cara qualquer hipótese de distorção provocada por manipulação de números ou mesmo de campo amostral. Essas suspeitas fazem parte dos “argumentos de combate”, mas não merecem dois neurônios de atenção de quem queira interrogar os fatos. Ambos os institutos são sérios e buscam acertar. Com certeza estão os seus estatísticos debruçados sobre os números para tentar entender a diferença superior às margens de erro projetadas.

O estranho é que os resultados para o primeiro turno batem quase na casa decimal, o que retira a suspeita de que possa ter havido um erro amostral. O que explica então a diferença?

Uma primeira hipótese seria alguma indução na ordem das perguntas. Uma simples verificação nos dois questionários mostra que não há nada de anormal nesse quesito. Outra possibilidade, que sempre é levantada, é a diferença metodológica entre a coleta de dados domiciliar, do Ibope, e a de fluxo, do Datafolha. Mais uma vez o resultado do primeiro turno elimina essa hipótese.

Outra diferença está no tamanho da amostra, o que favoreceria o Datafolha. Mas aí também não procede, uma vez que a amostra muito mais vitaminada do Datafolha (5377 entrevistas) resulta do aproveitamento que fez o Instituto para ampliar o campo visando extrair pesquisas completas para o Rio e São Paulo. Ou seja, boa parte dessa mega amostra foi desconsiderada para efeito de ponderação do resultado. 

Poderia essa ponderação explicar a diferença? Em tese, sim, considerando que os resultados nesses dois estados passaram por um “refino” amostral muito maior do que seria a amostra parcial natural. Mas por que essa ponderação não afetaria também o primeiro turno? A menos que tenha havido erro na ponderação, o que é difícil acreditar pois esse é um procedimento simples e frequentemente usado por todos os institutos.

Resta a hipótese, por exclusão, de que na específica pergunta do segundo turno ambos os institutos encontraram resultados tendendo para os dois campos gravitacionais opostos das margens de erro. No Ibope a favor de Dilma e no Datafolha a favor da oposição. Sempre há essa chance, dentro dos 95% de intervalo de confiança, de que algum resultado caia nos 5% restantes. É improvável, mas acontece. Mais improvável ainda quando atinge dois institutos ao mesmo tempo. Mas quem já furou dois pneus de carro no mesmo dia sabe que a Lei de Murphy tá aí pra isso mesmo.

A arbitragem da questão, mais uma vez, acontecerá na série histórica. Há que aguardar as próximas pesquisas para ver quem pisca primeiro, aproximando os números dos do concorrente ou ambas confluindo para um meio termo.

Daniel Mendes é jornalista, redator publicitário e moderador de pesquisa qualitativa

Daniel Mendes comenta discrepâncias entre pesquisas do Ibope e Data Folha

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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