Curitiba está calma: o PT e Lula blefaram quando disseram que “incendiariam” a cidade”

Curitiba está calma: o PT e Lula blefaram quando disseram que “incendiariam” a cidade”

As previsões petistas de que Curitiba tremeria, hoje, com a presença do ex-presidente Lula (PT) para depor ao juiz federal Sérgio Moro não se concretizaram. Ele depõe na condição de quem teia comandado um dos maiores de escândalos de corrução do mundo, durante o mandato presidencial e fora dele, quando o PT governava com a presidenta Dilma, que sofreu um processo de impeachment.

Às 16h30, a Polícia Militar afirmou que havia 4 mil pessoas na Praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba. No local se concentram partidários do ex-presidente Lula. Neste momento, Lula está depondo e tudo indica que a condução do processo é normal.

As avaliações mais otimistas não contam mais de 5 mil pessoas nas manifestações pró-Lula, caindo por terras o discurso dos seus partidários de que incendiariam Curitiba. Jornalistas e observadores da cena curitibana falam em 40 ônibus estacionados, os que levaram os petistas à capital do Paraná.

Se o caldo não engrossar, após a saída do ex-presidente – já que os partidários dizem que “vai chegar mais gente” – fica caracterizado que o PT está mesmo doente e não consegue mais mobilizar multidões em torno das causas do seu líder maior  – Lula, atormentado por uma avalanche de suspeitas de corrupção e factualmente acuado por elas. Ele vem negando todas as acusações.

O processo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  presta depoimento  ao juiz Sérgio Moro em um dos processos que responde na Lava Jato. É a primeira vez que o petista é interrogado na presença de Moro e na condição de réu na operação.

A audiência é do processo sobre um triplex em Guarujá (SP), que o Ministério Público Federal (MPF) afirma que Lula receberia como vantagem indevida da empreiteira OAS. A empresa teria feito reformas neste mesmo imóvel para receber a família de Lula. Em troca, o ex-presidente atuaria em favor da OAS.

A defesa do ex-presidente nega as acusações e diz que o MPF não apresentou provas dos supostos crimes cometidos por ele.

Em 14 de setembro de 2016, o MPF denunciou o ex-presidente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na ocasião, o procurador Daltan Dallagnol disse que Lula era “o comandante máximo” do esquema na Petrobras e fez uma apresentação com todas as supostas conexões do ex-presidente no esquema.

Seis dias depois, a Justiça aceitou a denúncia, e Lula e outras sete pessoas viraram réus. Entre eles, estava a ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em fevereiro deste ano. Por isso, Moro arquivou as acusações contra ela.

Lula é o último réu a depor no processo, que se aproxima da conclusão. Depois do interrogratório, o MPF e as defesas poderão pedir as últimas diligências. Caso isso não ocorra, o juiz determinará os prazos para que as partes apresentem as alegações finais.

Em seguida, os autos voltam para Moro, que vai definir a sentença, podendo condenar ou absolver os réus. Não há prazo para que a sentença seja publicada.

Triplex no Guarujá

O que diz o MPF: A OAS destinou à família do ex-presidente Lula um triplex no Condomínio Solaris, em frente à praia, e Guarujá. O edifício era uma das obras que foram comercializadas pela antiga cooperativa de crédito do Sindicato dos Bancários de São Paulo, conhecida como Bancoop, que faliu. A ex-primeira-dama Marisa Letícia possuía uma cota desse empreendimento. Com a falência da cooperativa, a OAS assumiu parte das obras que ainda deveriam ser concluídas.

O MPF argumenta que a empreiteira concluiu a obra com o objetivo de entregar de graça o apartamento ao ex-presidente e à sua família. O imóvel, segundo o MPF, rendeu um montante de R$ 2,76 milhões ao ex-presidente. O valor é a diferença do que a família de Lula já havia pagado pelo apartamento, somado à benfeitorias realizadas nele. O triplex ainda consta no balanço de bens da OAS, mas o MPF diz que isso foi feito apenas para ocultar a sua real titularidade.

Parte da denúncia é sustentada com base em visitas que Lula e Marisa Letícia fizeram ao apartamento, entre 2013 e 2014. Segundo procuradores, a família definiu as obras a serem feitas no imóvel, como a instalação de um elevador privativo.

O que diz a defesa: A defesa de Lula reconhece que Marisa Letícia tinha uma cota para comprar um apartamento no Condomínio Solaris. No entanto, diz que ela desistiu da compra quando a Bancoop faliu e a OAS assumiu o empreendimento.

Advogados afirmam ainda que a família não concordou com as condições para receber de volta os valores que já haviam sido pagos à cooperativa e que foi preciso entrar na Justiça para reaver o dinheiro.

Sobre as visitas de Lula e Marisa ao apartamento, a defesa alega que eles queriam conhecer o imóvel e planejar uma possível compra. Afirmam, porém, que, mesmo com as benfeitorias realizadas pela construtora, a compra não foi realizada e que o apartamento permanece com a escritura em nome da OAS.

 

Armazenamento de bens

 

O que diz o MPF: A OAS pagou R$ 1.313.747,24 para a empresa Granero guardar itens que Lula recebeu durante o exercício da presidência, entre 2002 e 2010. O pedido foi feito pelo presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e do próprio ex-presidente da República.

O que diz a defesa: Os itens sob a guarda da Granero não eram bens de uso pessoal do ex-presidente, mas faziam parte do acervo presidencial, que lhe foi concedido pela Secretaria-Geral da Presidência da República, assim que ele deixou o mandato. Segundo o Instituto Lula, a maior parte dos materiais são cartas, camisetas e peças de artesanato.

Conforme Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro se ofereceu para ajudar temporariamente a entidade a armazenar os objetos em um espaço que a empresa já alugava na Granero. Okamotto nega qualquer irregularidade no apoio dado pela OAS.

A tropa de choque que chegou com Lula em Curitiba…

Segundo a Polícia Federal, as caixas contém bens do ex-presidente Lula (Foto: Reprodução/PF)

 

Propina dissimulada

 

O que diz o MPF: Lula recebeu, de forma dissimulada, um total de R$ 3.738.738,07 em propinas por parte da OAS. Em vez de dinheiro, a OAS destinou ao ex-presidente um apartamento triplex, em Guarujá (SP), fez reformas neste mesmo imóvel e também pagou a guarda de bens do ex-presidente, em um depósito da transportadora Granero.

O que diz a defesa: O ex-presidente não cometeu nenhuma irregularidade, e o MPF não apresentou nenhuma prova dos supostos crimes cometidos. “Desde o início da Operação Lava Jato houve uma devassa na vida do ex-presidente. Nada encontraram. Foi necessário, então, apelar para um discurso farsesco”, disseram advogados no dia em que a denúncia foi apresentada.

 

Nomeações na Petrobras

 

O que diz o MPF: Quando era presidente, Lula usou seu poder para manter na Petrobras os ex-executivos Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Renato Duque – já condenados na Lava Jato por atuar em favor de um cartel que fraudava contratos na Petrobras. O MPF defende que a manutenção deles nos cargos foi voluntária para favorecer o consórcio liderado pela OAS.

O que diz a defesa: Todas as nomeações para as diretorias da Petrobras foram feitas a partir de indicações de aliados políticos. Lula apenas assinou as ordens para que as pessoas assumissem os respectivos cargos.

 

Benefícios para a OAS

 

O que diz o MPF: Consórcios dos quais a OAS fazia parte conseguiram contratos para realização de obras na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, e na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco.

Na Repar, antes da licitação, a Petrobras fez um orçamento para a obra e estimou que gastaria até R$ 1,4 bilhão. No entanto, a estatal acabou fechando contrato no valor de R$ 2,079 bilhões, quase 50% a mais do esperado. Outros dois contratos com sobrepreço ocorreram na Rnest. Juntos, custaram cerca de R$ 4,4 bilhões.

O que diz a defesa: Lula não atuou em favor de cartel na Petrobras, e não há evidências que suportem a denúncia. O foco de corrupção alvo da Lava Jato está restrito a alguns agentes públicos e privados, que atuavam de forma independente, regidos pela dinâmica de seus próprios interesses, e alheios à Presidência da República.

Quem são todos os réus da ação

 

 

  • Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente: corrupção passiva e lavagem de dinheiro
  • Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS: corrupção ativa e lavagem de dinheiro
  • Paulo Gordilho, arquiteto e ex-executivo da OAS: lavagem de dinheiro
  • Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula: lavagem de dinheiro
  • Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da OAS: corrupção ativa
  • Fábio Hori Yonamine, ex-presidente da OAS Investimentos: lavagem de dinheiro
  • Roberto Moreira Ferreira, ligado à OAS: lavagem de dinheiro

 

 

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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