Crônica – Jerry Adriani, sua música e o show de sentimentos que provocou dentro de mim…

Crônica – Jerry Adriani, sua música e o show de sentimentos que provocou dentro de mim…

VIDEO ÚLTIMO show JERRY ADRIANI“Mesmo não sendo dado a tietagens,  não podia desconsiderar o fato de que estava ali, diante de mim, humilde, pedindo a divulgação de seu show,  nada mais nada menos que Jerry Adriani, ídolo da minha geração e  de quem eu era declaradamente fã.”

 

Era uma manhã de um mês qualquer de 1980, ano em que colei grau em Jornalismo, pela Universidade Federal do Maranhão,  quando vi adentrar à redação de O Imparcial um casal  – uma jovem e um senhor ainda com traços da juventude. A sala estava praticamente vazia, e a senhorita logo a mim se dirigiu, com um largo sorriso, justificando que estava ali para divulgar um show de Jerry Adriani.

Adivinhem quem estava com ela? O próprio artista, em pessoa,  pois a moça era chefe do seu fã clube em São Luís.

Não contive a emoção ao ver, assim de perto, aquele que em tempos recentes fora um dos maiores ídolos do movimento chamado Jovem Guarda no Brasil. Encantaram-me sua simplicidade e humildade, mesmo sabendo que o movimento já definhara,  aí por volta de l970 e alguns poucos anos mais.

Não era dado a tietagens,  mas não podia desconsiderar o fato de que estava ali, diante de mim, humilde, pedindo a divulgação do seu show,  nada mais nada menos que Jerry Adriani, ídolo da minha geração e  de quem eu era declaradamente fã. Sabia de có  e salteado praticamente todo o seu repertório:   “Doce, doce amor”, “Meu Coração é de Cristal”,  “Querida”, “Tudo que É Bom Dura Pouco”, “ Amor Querido”. “És meu amor” (tradução da música It’s for you, dos Beatles), “Vai caindo uma lágrima”, “Quem não quer”, “Ainda Gosto Dela”, e “Deixe o mundo girar” estão entre as minhas conhecidas.

Só para lembrar, a propósito da morte aos 70 anos de Jerry Adriany, neste  23 de abril, domingo,  no Rio de Janeiro. Ele se tratava de um câncer e estava há alguns dias internado no Hospital Vitória, Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. O saudoso foi um dos mais importantes ícones do movimento “Jovem Guarda”.

O movimento surgiu na década de 1960. Mesclava música, comportamento e moda. Um programa exibido pela TV Record, a partir de 1965, comandado por Roberto, Erasmo Carlos e Wanderléa,  consolidou-o. Esse programa foi retratado na música “Jovens tardes de domingo”, de Roberto.

Em 1964, os militares tomaram o poder, implantando uma ditadura no Brasil, mas o movimento seguiu firme,  por não ter cunho político. Se isso não incomodava as Forças Armadas, deixava fulos os ativistas de esquerda da época, que lutavam – com palavras e armas –  pelo fim do regime de exceção no país.

Em 1980, quando Jerry Adriani esteve no jornal, poucos da Jovem Guarda sobreviviam, e os artistas já não arrastavam grandes plateias, contentando-se em cantar nos clubes sociais e festas de aniversário da classe média. Esse show de Jerry Adriani, a propósito, lotou o Grêmio Lítero Recreativo Português. Para sobreviver, muitos dos artistas se reciclaram. O exemplo mais acabado é Roberto Carlos,  soberano até hoje.

Depois do encontro no jornal, onde a jovem presidente do fã clube me presenteou com ingressos, fui ao show, cantei  e vibrei muito com as “melhores” cantigas de Jerry apresentadas aos ludovicenses.

Assim, a notícia da morte do cantor me deixa muito  triste. Pelo que ele representou para o Brasil, os milhares de pessoas que eram suas fãs e para o meu sentimentalismo romântico, reativado todas as vezes – e não são poucas – que ouço suas músicas, centenas.

Esqueci de dizer que a música de Jerry Adriani que mais me toca é “Esperando Você”… Talvez porque só ela representasse, naquele tempo, a paixão que teimava em não passar por um amor perdido e sem esperanças de reencontro… Até parece que fora composta por mim…

E haja cerveja!

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“Esperando Você”/Jerry Adriani

Eu voltarei aonde passei
Com você que é a minha paixão
Quantas vezes eu fiquei
A esperar por você
Não sei porque você não vê
Não consigo ficar
Sem passar por aquele lugar
Louco estou pra lhe falar
Que para mim será
Tudo na vida que posso encontrar
Sou só sem ninguém
Você será sempre o meu bem

VIDEO ÚLTIMO show JERRY ADRIANI

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem 4 comentários

  1. Caro Machado,

    Jerry Adriani e tantos outros da Jovem Guarda nos fez sentir o Brasil dos anos 70 em diante com um som que não era do coturno da ordem unida. Nem as cores do verde-oliva. Eram as cores da esperança. Sua música é doce, de amor e de viver. Eterna. Nos fez sonhar um Brasil grandioso. Você lembrou bem, de seu começo profissional. Eu lembro de nossas estripulias juvenis. Das festinhas de radiola, poderia ser tanto de “Três em um”, ou uma simplizinha Philips. A pilha. O som do Jerry é o som da nossa vida. Era o alento que nos trazia e ainda traz momentos felizes em tempos tão distantes, díspares e, vez por outra, também escrotos.

    Um grande abraço.

    Raimundo Borges
    O cara foi embora tão rapidinho. Um espanto e uma constatação. O espanto em sua legião de fãs, uma constatação, de que a vida é uma traidora implacável.
    Jerry foi mas nos deixou com o seu legado a nos retornar à juventudade, toda vez que sua música nos faz recordar de anos de sofrimentos, mas de aprendizados que não nos deixaram fracassar.

  2. Rony Serejo

    Amigo Machado, Boa Tarde essa linda jovem que vc citou era Roseane Cabral, gostaria muito de rever, ela e minha prima como
    fiquei muito tempo fora de São Luis, perdi o contato, já tentei encontra nas redes Socias mas não consigo, amigo forte abraço, se tiver alguma noticias ficarei muito grato.

    1. José Machado

      Não tenho idéia de onde ela possa estar, agora. Mas se estiver em São Luís, vou tentar localizã-la e lhe informarei.

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