Crônica – ALMOÇO AOS DOMINGOS
Nelson Piquet - produtor cultural

Crônica – ALMOÇO AOS DOMINGOS

NELSON PIQUET – PRODUTOR CULTURAL

Hábito comum entre as famílias tradicionais, o almoço dos domingos, sempre acontece na casa dos avós, e na ausência destes, na casa de um irmão ou tio mais conservador.

Cresci nesta programação semanal. Era uma oportunidade de encontrar as outras pessoas do mesmo sangue, não necessariamente as melhores companhias.
Primos e Tios possuem natureza mais invejosa e entregadora. Na falta de assunto, questionam ou comentam algo sucedido, na maioria das vezes, por falta de um elemento que os coloquem acima, que ponham os outros em situação diminuída ou delicada. A fofoca da semana.

Nelson Piquet – produtor cultural

Os tios tem entre si uma relação de hierarquia estabelecida por uma liderança nata, ou financeiramente melhor que os posicione. Primos geralmente são postos pela idade ou pelo grau de peraltice. Daí sempre tem aquele mais ousado que leva a culpa em tudo que acontece.
Com o passar dos anos, com a perda natural dos mais velhos, estes são sucedidos pelos que querem manter o vínculo familiar e parentes próximos.
Mas nada será como antes. Com a perda da presença da origem familiar, a tendência do afastamento é inevitável, e neste momento, de uma só família, surgem ramificações que dão origem a outras. Passaram-se os anos da comidinha e dos doces da vovó. Inicia-se o processo da herança dos costumes herdados.
A grande família nem sempre é composta de nossos melhores amigos, mas de pessoas que muitas vezes estão presentes em nossos piores momentos, por serem do mesmo sangue, e para nos dar apoio. A visão conservadora nos dá esta interpretação.
Atualmente já não acontece da mesma maneira , visto que muitas famílias tem em suas raízes uma relação que não deu certo por tempo suficiente para a prática da reunião em torno de um almoço. Já não existe aquela pessoa da empregada doméstica com mais de 20 anos cozinhando maravilhosamente para todos, que cresceu dentro da família, criada para apenas servir e nem sempre ser reconhecida como fundamental. Porque vamos combinar, reunião familiar sem comida boa, são duas penitencias num só dia de lazer.
Hoje muitas famílias vão a restaurantes, enfrentar uma fila para sentar. Outros, preferem estar com amigos.
Devemos analisar o que nos faz falta, considerando as perdas definitivas que tivemos, e o saldo restante que nos restou a viver dentro da realidade.
Família não é passado. E não deve ser só sangue. Ela está presente nas companhias que vc escolheu.
Talvez o mundo esteja caminhando para que todos sejam irmãos, sem credo comum, raça ou cor. Ou sejamos família apenas em nós, nas lembranças que nos restou.
Seria pragmático dizer que não existem mais famílias. Este conceito irá perdurar como base de princípios, doutrinários ou não.
Família é Proteção. Hábitos são normas que se adaptam.
Navegar é Preciso. Portanto, vamos viver com a condição que nos foi dada, conquistando com o que temos, o que pretendemos ser.
Eu sou feliz por almoçar com minha família durante a semana, e aos domingos com os que escolhi para manter este laço.
BOM DOMINGO A TODOS.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem 2 comentários

  1. Piquet

    Obrigado por abrir este espaço em seu blog para minha crônica.
    Fique a vontade.
    Abs

    1. Não há de que, caro Nelson. Achei seu texto muito interessante. Grande abraço.

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