Craques como Pelé lamentam o sumiço dos restos mortais de Garrincha

Craques como Pelé lamentam o sumiço dos restos mortais de Garrincha

 

Garrincha jogando pelo Brasil em 1962
Garrincha jogando pelo Brasil em 1962 Foto: Arquivo/Agência O Globo / Arquivo/Agência O Globo

 

Ex- jogadores de futebol que conviveram com Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, na seleção brasileira e no Botafogo, comentaram nesta quinta-feira a incerteza sobre onde estão depositados os ossos do atacante de drible fácil, que costumava deixar seus marcadores no chão. Parceiro de Garrincha nas Copas de 58 e 62, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, lamentou que o cemitério de Raiz da Serra, em Magé, na Baixada Fluminense, onde o craque foi sepultado, em 1983, não saiba onde estão os restos mortais de Mané:

Pelé deixa o campo ao lado de Garrincha, em 1962, na Copa do Mundo do Chile

Pelé deixa o campo ao lado de Garrincha, em 1962, na Copa do Mundo do Chile Foto: Foto Arquivo / Agência O Globo.

 — Eu lamento porque ele era um dos grandes parceiros meus na seleção. É uma pena que esteja acontecendo isso com um ídolo que tanto promoveu o Brasil em todo o mundo.

Na foto, Garrincha jogando pelo Botafogo em 1957.

Na foto, Garrincha jogando pelo Botafogo em 1957. Foto: Manoel Soares / Manoel Soares/Agência O Globo

 Jairzinho, o Furacão da Copa de 70, jogou com Garrincha entre os anos de 64 e 65, no Botafogo, e classificou a situação como vergonhosa. Ele disse que Garrincha sofreu uma covardia.

— Fico envergonhado do comportamento de alguns brasileiros. Principalmente nesse fato estranho, que deixa a gente muito, muito, mas, muito enfraquecido. Foi uma covardia o que aconteceu — afirmou.

O craque Afonsinho conviveu com Garrincha, no Botafogo, no ano de 1965. Na época, ele acabava de chegar ao time, enquanto Mané estava deixando o clube. Afonsinho lembrou do sepultamento do amigo e disse que o ocorrido com Garrincha, anos após a sua morte, é deprimente.

— Eu estive lá no sepultamento dele. O próprio sepultamento já foi confuso porque o caixão não cabia na sepultura e o Nilton Santos foi quem deu a cobertura lá legal. Mas, é deprimente como cidadão, como uma pessoa, como um brasileiro que preza seus ídolos, seus grandes expoentes, é deprimente — disse Afonsinho.

Filha de Garrincha, Rosãngela Cunha Santos ao lado da sepultura onde garrincha foi enterrado em 1983

Filha de Garrincha, Rosãngela Cunha Santos ao lado da sepultura onde garrincha foi enterrado em 1983 Foto: Domingos Peixoto/Agência O Globo

 Nesta quinta-feira, a Polícia Civil informou que o delegado Antônio Silvino, da 66ª DP (Piabetá), abriu inquérito para apurar se ocorreu o crime de violação de sepultura, previsto no artigo 210 do Código Penal.

Fachada do Cemitério de Raiz da Serra, onde Garrincha foi sepultado

Fachada do Cemitério de Raiz da Serra, onde Garrincha foi sepultado Foto: Fabiano Rocha / Fabiano Rocha/Agência O Globo

 Caso fique comprovado que houve crime, os responsáveis estarão sujeitos a uma pena que varia de um a três anos de prisão.

 

Marcos Nunes e Ricardo Rigel

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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