Conheça os 10 itens mais cafonas (ou bregas) na decoração da casa

 Vivianne Pontes  (Decoracao.com)

 

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dcoracao.com juntou uma lista do que há de mais brega na decoração das casas. Mas antes de começar a desenrolar esta lista, é preciso entender mais um pouco o que é o brega. A Wikipedia repete uma historinha (contada originalmente por Caetano Veloso na página 25 do livro Verdade Tropical): uma rua com casas de baixo meretrício em Salvador se chamava Padre Manuel da Nóbrega, mas a placa foi se apagando até ser possível ler somente “brega”. Por fim aquela zona passou a ser chamada de brega, e logo depois todas as zonas de baixo meretrício no nordeste ganharam este apelido.

Um sopro depois, e a música que tocava nesses lugares – quase sempre uma voz cantando temas de amores perdidos com o acompanhamento de teclados – e também as cores e roupas que se usava ali passaram a ser chamadas de brega.

O curioso é que também a palavra “cafona” tem associação com as camadas mais pobres, vindo da palavra em italiano para camponês.

Sabendo disso não é difícil notar que julgar algo como brega é uma forma de dominação também, de dizer que o indivíduo que não adota os códigos de gosto, de vestuário, e de decoração das cidades grandes, em especial das elites, é “ridículo” por isto. É bacana? Não, não é. Por isto, toda definição do que é ou não brega deve ser lida com pensamento crítico, venha ela de onde vier. No dia que as pessoas entenderem que cafona ou brega é uma estética, como “clean” ou “rústico”, a vida vai ser muito mais leve. Mas o fato é que o brega segue certas regras, embora o que é brega para mim possa não ser brega para você.

A lista segue abaixo. Mas saiba: o que é brega hoje pode não ser brega amanhã, e é bom que você não deixe que te imponham o brega alheio. Se é brega, mas você gosta, ninguém tem nada com isso, ninguém tem o direito de te tirar o doce da sua boca. Combinado?

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#1 PAREDE COM TEXTURA

Aplicar textura em parede não é uma coisa nova. Lembra do muro de chapisco? O objetivo daquela textura (o chapisco) era proteger o muro da umidade, melhor que deixar só no tijolo, e mais barato do que fazer um acabamento de parede.

Mas aí, nos anos 90, alguém teve a belíssima ideia de criar uma textura decorativa, só pra “dar uma destacada na parede”, em geral acompanhada de uma cor diferente das demais paredes do ambiente. Pra que? Pra que?

Junta poeira, não tem razão de ser (decorativa?) e ainda é difícil de tirar. Texturas naturais são bacanas, aquelas que vêm com a idade, com os veios do material. Mas aplicar a massa pra fazer textura é falso, uma imitação de textura feita com rolos especiais. De novo: pra que????

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#2 MATERIAL QUE IMITA MADEIRA

Nenhum material que imita outro escapa da breguice. Ou é um material que é bacana em si, ou é uma cópia. E cópias nunca terão o mesmo sentido estético do original. Você pode argumentar que é igualzinho. Não, não é. Você pode argumentar que é mais fácil de limpar e manter do que madeira. Sim é. Mas se é um material com vantagens próprias, por que não exaltar suas próprias características ao invés de fantasiá-lo de outro?

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#3 PLANTAS ARTIFICIAIS

Esta não é uma verdade absoluta (como nenhuma dos outros itens é). Existem plantas artificiais que cumprem muito bem o seu papel elegante. Mas a questão aqui é a poeira. Como não se molham plantas artificiais, elas ficam sempre com aquela camadinha de pó, que dá um ar de descuido. E descuido, se não é brega, é desagradável.

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#4 ESCULTURAS DE JARDIM

Esculturas decoram jardins fantásticos há milênios. Jardins franceses, gregos, praças públicas. Querer trazer esses elementos pra casa é que são elas. Se as esculturas de Branca de Neve e os sete anões ganham corações pelo lado bem humorado, usar esculturas de deuses gregos é brega e pronto.

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#5 CAPAS DE ELETRODOMÉSTICOS

Tentar disfarçar uma coisa com uma fantasia do que ela não é entra sempre no campo do cafona. Pra completar capas de eletrodomésticos costumam ter frufrus, rendinhas, bordados de peixes soltando bolhas pela boca. Vestidinho de liquidificador, capas estampadas de máquina de lavar, sainha de bujão de gás, capa de galão d’água, e capas de vaso sanitário estão nessa categoria.

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#6 DÍPTICOS E TRÍPTICOS

Um díptico é um quadro em duas duas placas ligadas entre si por uma peça (que pode ser uma dobradiça, uma ligadura) ou pelo conceito. O tríptico é a mesma coisa, só que com 3 peças ao invés de 2.

São cafonas por sua produção em larga escala, por sua temática, por sua pretensão de arte e por sempre “combinar com o sofá” ou com a cor da parede. Não é elegante, e não fala nada sobre quem mora ali e ainda mostra desconhecimento sobre arte decorativa.

Definir o que é arte não é tarefa das mais fáceis. Mas bater o olho e ver que dípticos e trípticos vendidos em lojas de decoração ou feirinhas e casas de presente não são arte, é fácil.

Quer decorar a parede gastando pouco? Escolha um tecido com uma estampa que você ame, e emoldure. Mas fuja dos trípticos e dípticos porque não são bonitos (e não só porque são bregas).

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#7 COLEÇÃO DE BICHOS DE PELÚCIA

Junta poeira, junta ácaro, e não tem função. A não ser que seja um ou outro, juntar uma coleção de bichos de pelúcia na cama ou na estante, é mico. Se for gigante e em quarto de quem passou dos 14 anos de idade então, micão.

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#8 SOUVENIR DE VIAGEM

As casas estão cada vez menores, com menos espaço para guardar coisas. Todo mundo tem cada vez menos tempo para limpar a poeira de cada bibelô. Souvenirs são anacrônicos, não fazem sentido atualmente.

Leve um presente bacana do lugar que você foi, uma peça de qualidade de um artesão local, ou um tempero. Ou ainda algo consumível, como um chocolate. Não precisa ser nada caro, um presente é um carinho.

Mas “fui e lembrei de você” não é só cafona. É uma imposição, pois obriga a coitada da pessoa que ganhou a expor aquilo na decoração. Dar souvenir de viagem é egoísta e também um desrespeito ao tempo e ao espaço do presenteado. E desrespeito é muuuuito pior que brega.

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#9 QUARTO TEMÁTICO

Gostar de um personagem ou outro, ou de um tema, ok. Nenhum problema. Mas usar este tema para dominar a decoração do quarto da criança é cafona. Sem contar que adotar um personagem como tema geralmente é para o ganho comercial de quem detém a marca, e a perda da variedade de estímulos e identificação para a criança.

Cultive mais interesses, abuse mais da criatividade, multiplique as referências. Quanto mais variados são os estímulos, histórias e personagens a criança conhece e se afeiçoa, mais chances ela tem de se tornar um adulto bacana. E isto começa pela decoração do quarto. Viu? Decoração também é educação.

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#10 ROMERO BRITTO

Porque um artista plástico entraria numa lista das coisas mais cafonas da decoração? Vou pegar emprestado uma afirmação da designer de interiores Manu Mitre: “Ele criou uma estampa, esta estampa se popularizou e virou cafona, perdeu o sentido de arte”.

Sua estampa aparece em móveis, sapatos, roupas, adesivos vinílicos e reproduções vendidas até o cansaço em lojas de molduras. Usar uma reprodução de peça dele porque você gosta das cores, e tem um ar tropical, alegre, é ok, vai fundo! Mas usar uma reprodução dele como obra de arte, como peça decorativa elegante e bem informada em casa é um equívoco.

Uma busca por “Romero Britto brega” tem mais de 30 mil resultados. Isto não é pouco, tornando este item uma grande unanimidade, quer você queira, quer não.

 

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem 2 comentários

  1. Regina

    Ainda bem que não curto nenhum,não sou muito ligada em decoração… kkkkkkkkk

  2. Diego Valentin

    Concordo com boa parte, porém, acredito que um quarto temático dependendo da proposta, não seja uma má ideia, tendo em vista que um profissional mesmo trabalhando com esse tipo de projeto, saberá dosar as proporções, cores, mobiliário, iluminação e claro objetos decorativos, de uma forma harmônica, não vejo problema nenhum. “Material que imita o outro” acredito também que não seja tão cafona, sendo que no mercado existem tantos porcelanatos, laminados e até vinílicos que se assemelham muito a madeira e são muito bem indicados para cozinha e áreas onde exista o uso de água, por geralmente não ser um material poroso.

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