Como a Globo noticiou a morte da menina Ana Clara, queimada pelos bandidos sem alma
"Porca Preta" teria queimado a menina Ana Clara, vítima fatal da bandidagem.

Como a Globo noticiou a morte da menina Ana Clara, queimada pelos bandidos sem alma

VÍDEO MOSTRA OS DIÁLOGOS TRAVADOS ENTRE OS BANDIDOS QUE OPERARAM O INCÊNDIO DOS ÔNIBUS E METRALHARAM BASES POLÍCIAIS.

JORNAL HOJE – TV GLOBO

 Morreu nesta segunda-feira (6) a menina Ana Clara, de seis anos, queimada durante os ataques aos ônibus em São Luís. Quatro pessoas ainda estão internadas: a mãe e a irmã de Ana Clara, outra passageira e um homem que, segundo testemunhas, tentou salvar as crianças. Catorze suspeitos de participação nos ataques estão presos. A polícia diz que um deles incendiou o ônibus onde estavam as crianças.

 

A família de Ana Clara está inconformada. O pai da menina, Wenderson Souza, que mora no Rio de Janeiro, contou como foi a última vez que falou com a filha. “Ela pediu uma bonequinha que falasse e eu trouxe pra ela. Ai soube da notícia que ela sofreu o atentado. Larguei tudo no Rio de Janeiro e vim pra cá.”

 

Ana Clara estava num dos ônibus incendiados na sexta-feira.  A mãe da menina, que também foi atingida, continua internada em estado grave. A irmã de Ana Clara, Lorrana, de um ano e meio, teve queimaduras em 30% do corpo (no tórax e nos braços). Lorrana está fora de perigo. De acordo com hospital o estado de saúde dela é considerado estável.

 

Ainda é grave o estado de saúde do homem de 37 anos que, segundo testemunhas, tentou ajudar as crianças. “Entraram no ônibus e jogaram gasolina nas crianças que estavam próximas dele e atearam fogo. No momento daquele desespero ele não pensou em sair, ele só pensou em ajudar”, relata a parente do homem Maria da Conceição Nunes.

 

Durante os ataques, os bandidos colocaram fogo em quatro ônibus e atiraram em três delegacias. A polícia apresentou 14 suspeitos de participação nos atentados. Um dos suspeitos, preso esta madrugada, está com o braço esquerdo queimado. A polícia diz que foi ele que jogou combustível nas crianças.

“Porca Preta” teria queimado a menina Ana Clara, vítima fatal da bandidagem.

 

Escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça revelam que a ordem para os ataques partiu de dentro do presídio de Pedrinhas. Os presos estavam insatisfeitos com a ação da Polícia Militar e da Força Nacional – que ocupam a penitenciária.

 

– O Choque hoje invadiu aqui, levou uma (pistola) 380 nossa, tá ligado?
– Eu tô.
– Levaram “vento”, televisão, fogão. Devolveram só o “vento” na ‘braba’.

 

A polícia diz que um homem preso identificado como Jorge Henrique mandou colocar fogo nos ônibus.

 

– Em todos os bairros, tudo tudo numa hora só. Eu já comprei, mandei os moleques, tem 4 litros ali cheinhos de 2 litros de gasolina, tá guardado ali, ligado?

 

A polícia diz que quem recebeu a ordem, do lado de fora do presídio, foi Hilton John Alves Araújo, condenado há 20 anos por homicídio, que estava solto por ordem da Justiça. Hilton John ligou para a mãe para avisar dos ataques:

 

–  Eu tô dizendo não vai pegar ônibus hoje.
– Não vou pegar ônibus?
– É, não vai pegar ônibus hoje nem amanhã. Vai rolar uma chacina aí em São Luís hoje.

 

“Nós temos prendido repetidamente os mesmos assassinos, os mesmos traficantes, porque benefícios que estão estipulados em lei acabam beneficiando a saída desses elementos. Isso, sem dúvidas, contribui muito para esse aumento da violência no Maranhão e no país todo”, diz o secretario estadual de Segurança do Maranhão Aluísio Mendes.

 

O Conselho Nacional de Justiça diz que a penitenciária está superlotada e é dominada por facções criminosas. Sessenta e dois presos foram assassinados desde o ano passado. Hoje começou a funcionar em Pedrinhas uma delegacia só para apurar a ação de criminosos.

 

O Ministério da Justiça ofereceu ajuda para o governo do Maranhão, como vagas para presos de alta periculosidade em presídios federais. O governo do estado está analisando quantos e quais presos devem ser transferidos de Pedrinhas.

(VEJA O VÍDEO)

 

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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