Cleide Coutinho desclassifica nota da  Secom  e  reafirma discriminação
Cleide Coutinho diz que nota da Secom é mentirosa

Cleide Coutinho desclassifica nota da Secom e reafirma discriminação

Uma nota do Secretario de Comunicação Social do Governo do Estado, Sérgio Macedo, publicada hoje no Jornal Pequeno – dando resposta a uma matéria do Jornal O Estado de São Paulo –   estaria cheia de inverdades. A nota  nega que o secretário  da Saúde, Ricardo Murad faça  repasses dos recursos federais da Saúde, além da conta, para o município de Coroatá, cuja prefeita é sua esposa, Teresa Murad. 

Foi o que sustentou a deputada estadual Cleide Coutinho, em discurso, hoje, 6, da tribuna da Assembleia Legislativa. 

Cleide Coutinho diz que nota da Secom é mentirosa

“É uma inverdade quando o Secretário de Comunicação Social diz que Coroatá não recebe nenhum repasse”, enfatizou a parlamentar.

Mas esse é apenas um das várias linhas do discurso que a deputada Cleide Coutinho – esposa do ex-prefeito de Caxias, Humberto Coutinho – desfiou em sua participação de ontem, da tribuna. Segundo ela, as lideranças políticas de Caxias e de todos os demais municípios que simpatizam com a candidatura ao governo do presidente da Embratur, Flávio Dino, estão sendo discriminados com as ações do governo, principalmente no corte das verbas da Saúde que lhes são devidas.

No caso de Caxias, conforme denuncia a parlamentar, além da discriminação administrativa, vem o chincalhe nos meios de comunicação ligados à família da governadora:  “O Jornal  O Estado do Maranhão, a mando do governo atual, tem frequentemente tentado denegrir a imagem do ex-prefeito Humberto Coutinho”, só porque ele “apóia o Flávio Dino”. E dispara:

– Eles pensam, também,  que, com isso, vão denegrir o nome do candidato da esperança, o ex-deputado federal e atual presidente da Embratur, Flávio Dino.

Cleide Coutinho usou números e reportagens das  revistas Veja e Exame para dizer que Caxias é uma das cidades médias do país que mais cresceram no Maranhão, juntamente com Imperatriz, Açailândia, São José de Ribamar, Timon e Paço do Lumiar. Mas isso não impede, segundo a parlamentar, que o Maranhão ostente um dos piores índices econômicos e sociais do país: na relação médico/paciente,  no IDH e PIB, na distribuição de renda,  na educação, no  saneamento básico, violência, estradas, etc. “São índices vergonhosos, que falo com muita tristeza e  pesar”, lamentou.

Conforme Cleide Coutinho, “a nota de  hoje publicada no Jornal Pequeno e assinada pelo secretário de Comunicação Social do Estado, dizendo  que Coroatá não recebe [repasses além do que deveria receber, pelo  tamanho de sua população], revela uma inverdade:  “Por quê?” – indaga. E responde:.

– ” Ora, senhoras e senhores, quem quiser ver eu tenho cópia do  aditivo do contrato, repassando para Coroatá R$ 5,800 milhões por mês , ao invés de R$ 3 milhões, o que representa,,  em cinco meses, quase R$ 25 milhões. [A nota do secretário de Comunicação] Fala que Caxias recebeu R$ 37 milhões. Ora, Imperatriz recebeu até agora R$ 39,400 milhões, o que é muito justo, pois ainda precisa de mais…”

O que não se pode, é segundo a parlamentar, discriminar municípios só porque seus prefeitos não são alinhados ao governo, como o secretário da Saúde vem fazendo, desde 2010, com o município de Caxias. “Assim como condeno o que querem fazer com o ex-prefeito Humberto Coutinho, um líder político que detém o respeito, a admiração e a liderança de uma região muito grande”, pontua.

Por fim, a  deputada Cleide Coutinho pediu que todos se preparem porque, segundo prevê, daqui para frente,  cada dia vai surgir uma nota que foge da realidade dos fatos.  “O Governo do Estado, ao invés de apresentar obras e índices justos e corretos que o povo merece, resolveu  apresentar mentiras”,

 

Para melhor entendimento, republicamos a matéria do Jornal O Estado de São Paulo, postada na edição de domingo, 4:

 

MATÉRIA DE “O ESTADO DE SÃO PAULO”

Matéria do jornal O Estado de São Paulo divulgada na edição de domingo (4), afirma que “Ricardo Murad, atual secretário de Saúde do Maranhão, irmão de Jorge, marido da governadora, passou a ser o porta-voz e o nome do grupo que mais executa contratos do governo”. Segundo a matéria, por Ricardo “passa quase a metade dos R$ 2,4 bilhões do orçamento anual do Estado para custeio e investimento – não estão contabilizados os gastos com os servidores do quadro de carreira”. E que, “por ter parentesco com Roseana, ele não poderá disputar o governo. O escolhido do clã é o secretário de Infraestrutura, Luís Fernando Silva”, pontua.

De acordo com o jornal, “prefeitos da oposição reclamam que Ricardo montou uma espécie de capital paralela do Maranhão em Coroatá, cidade de 62 mil habitantes, a 260 km de São Luís. O município governado pela mulher dele, Maria Teresa Trovão Murad, é o que mais recebe recursos da transferência direta da saúde no interior”, revela:

– Em 2013, Coroatá recebeu R$ 60 milhões, enquanto Caxias, com 155 mil moradores, chefiada por um adversário, Leo Coutinho, do PSB, não contou com esses recursos”.

O jornal paulista vai além ao mostrar que  o Hospital Microrregional de Coroatá reconstruído o ano passado, dispõe de 100 leitos e tratamento de alta complexidade. No prédio funciona a central de leitos da região. “Ricardo nega que tenha deixado de lado o ‘Socorrão’ de Presidente Dutra – a unidade não atende gestantes e não faz cirurgias complexas – e o hospital de Caxias, que está fechado para reforma”, informa.

“Na semana passada, Maria de Lourdes Ferreira da Silva, de 74 anos, era levada de ambulância de Caxias para Presidente Dutra após sofrer um AVC. Ela está internada no “Socorrão”. A filha de Maria de Lourdes, a diarista Maria de Nazaré, de 38 anos, reclama da viagem de 3h em estrada precária.

“No povoado Sete de Setembro, em Coroatá, a unidade de saúde, parceria do governo federal e da prefeitura, já consumiu R$ 180 mil e está tomada pelo mato. ‘O médico só faz consulta e falta remédio’, diz a manicure Rayane Mourão, de 20 anos, mãe de um menino de 1 ano.

Ricardo diz que não dá privilégios 

Ouvido pelo “O Estadão”, o secretário de Saúde do Maranhão, Ricardo Murad, rebate a acusação de que privilegia Coroatá na distribuição de verbas. Ele diz que a escolha da cidade para abrigar um dos cinco hospitais macrorregionais previstos no programa “Saúde é vida” do governo estadual ocorreu antes de sua mulher, Maria Teresa Trovão Murad, assumir a prefeitura. O secretário disse que entregará até o final de 2014 unidades do mesmo porte em Caxias, Santa Inês, Pinheiro e Imperatriz. O programa prevê 72 novos hospitais de diferentes tamanhos. “A meta é gastar R$ 1 bilhão”, antecipa Murad. Deste total, metade já teria sido executada.

Ao jornalista de O Estado de SP Ricardo nega que tenha retirado equipamentos do “Socorrão” de Presidente Dutra para montar o hospital de Coroatá, como reclamam moradores. E afirma que tomógrafos alugados pelo governo anterior foram devolvidos, daí o surgimento das queixas, mas que máquinas novas teriam sido  compradas.

 

 

NOTA DA SECOM

Na íntegra, veja, a seguir, a nota do Governo do Estado, bem ao estilo e assinada pelo secretario de Comunicação Social, Sérgio Macedo:

GOVERNO DO MARANHÃO

SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Em respeito à opinião pública, o Governo do Maranhão esclarece sobre matéria especial publicada pelo Jornal O Estado de São Paulo, na edição de domingo (4 de agosto).

 

Em primeiro lugar, o período de “50 anos com poucos intervalos” é a essência do discurso do protagonista da matéria, o presidente da Embratur, Flávio Dino. Por sinal, na década medida pelo IBGE para apurar o IDHM, encerrada em 2010, sete anos foram sob o controle do grupo dele, 5 anos de José Reinaldo Tavares e dois anos de Jackson Lago.

 

Sobre a questão da Saúde, em Caxias, o Estado não tem hospital e a saúde é municipalizada. Caxias recebe anualmente R$ 37 milhões do Ministério da Saúde para oferecer atendimento de média e alta complexidade – sem incluir o repasse para atenção básica.

Ao longo dos últimos 8 anos, comandada pelo ex-prefeito Humberto Coutinho, Caxias foi palco de uma sequência interminável de escândalos, de desvios através de compras fantasmas de equipamentos e medicamentos.

 

O Estado está construindo em Caxias um hospital macrorregional de alta complexidade, com 100 leitos, para atender à demanda daquela região.

 

Em Coroatá, a prefeitura não recebe recursos do Estado. O posto da Vila Sete é municipal. O valor correto dessa obra é R$ 180 mil e não R$ 180 milhões como maldosamente o jornalista colocou na matéria.

 

O Hospital Macrorregional de Coroatá é uma das 50 unidades da rede estadual de saúde e é referência para mais de 42 municípios em procedimentos de média e alta complexidade, inclusive para internações em UTIs adulto, pediátrica e neonatal.

 

Os gastos com helicóptero e avião são necessários por diversas razões, como acompanhar o programa de investimento, monitorar o funcionamento das novas unidades em tempo real, atender as transferências de pacientes críticos. A comparação com o mesmo tipo de gasto feito pelo Rio de Janeiro não vale por dois motivos: no Maranhão as distâncias são muito maiores e a despesa engloba não apenas os deslocamentos da governadora, mas o uso dessas aeronaves inclusive para as operações diárias da Segurança Pública. O Maranhão tem uma das maiores extensões territoriais do Brasil, com 331 mil km² enquanto o Rio de Janeiro tem apenas 43 mil km². A comparação é absurda.

 

A necessidade de voos deve-se ao acompanhamento e fiscalização dos investimentos e obras de infraestrutura realizados pelo governo. Um dos exemplos é o programa de construção e recuperação de estradas que estão interligando todos os municípios do estado, transformando a realidade nas regiões mais isoladas.

É o caso do município de Fernando Falcão, onde o governo está asfaltando a estrada que liga a sede e construindo um hospital para que a prefeitura possa prestar um atendimento de qualidade numa área que é 90% terra indígena.

Atenciosamente,

SÉRGIO MACEDO

Secretário de Comunicação Social do Maranhão

 

 

 

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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