Governo disponibiliza nova Central de Testagem para casos suspeitos de Covid-19

A nova Central de Testagem para casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus, localizada em espaço anexo ao Viva da Avenida Beira-mar, começou a funcionar nesta segunda-feira (23). O local tem capacidade para atender cerca de 100 pessoas por dia e é o segundo do estado, criado pelo Governo para reforçar as estratégias de combate ao Covid-19 no Maranhão. A Central de Testagem da Beira-mar, assim como a da Policlínica Diamante, funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. O secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula, destaca a importância da estratégia. “Estamos disponibilizando duas centrais de testagem a fim de identificar os casos da doença no estado e, assim, ter um controle maior do avanço da infecção. O Governo do Estado tem trabalhado, com medidas, decretos e investimentos, tanto para conter a transmissão quanto para que a rede hospitalar esteja preparada para prestar o atendimento aos casos que precisarem de maior assistência”, enfatiza o secretário. A nova Central de Testagem conta com equipe formada por médico, enfermeiros, técnicos de laboratório e técnicos administrativos. O espaço, que funciona em área anexa ao Viva, foi completamente adaptado e possui duas recepções, consultório médicos, consultórios de enfermagem, salas de coleta e sala para parametrização. Todos os profissionais trabalham equipados para evitar o contágio e o atendimento é realizado de modo a manter a segurança de todos que buscam o serviço.

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Medida ‘extrema’: Estados querem atender em casa infectados pelo coronavírus

Secretarias estaduais de Saúde se preparam para enfrentar um eventual agravamento da contaminação do novo coronavírus no País planejando atendimento domiciliar e suspensão de tratamentos e cirurgias agendadas para a liberação de leitos. O Brasil tem atualmente 252 pacientes sob investigação e dois confirmados com a doença. Em Minas, está previsto até um hospital de campanha. A chegada ao País do novo coronavírus, que teve seu segundo caso confirmado em São Paulo anteontem, colocou a estrutura de saúde no nível “perigo iminente”, um estágio abaixo do limite para a declaração de emergência por circulação por contaminação interna da doença no País. Com 252 pacientes sob investigação em 15 Estados, mais o Distrito Federal, as secretarias estaduais de Saúde se preparam para enfrentar um eventual agravamento do quadro, planejando atendimento domiciliar e até a suspensão de tratamentos e cirurgias agendadas para a liberação eventual de leitos. “Esse cancelamento de procedimentos eletivos é uma possibilidade extrema, sempre cogitada quando há muitos casos de urgência”, explica o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Alberto Beltrame, titular de Saúde do Pará. “Isso só ocorrerá se houver uma sobrecarga de casos graves, coisa que, neste momento, não há como estimar.” Com a maior concentração de casos suspeitos no País, o Estado de São Paulo tem ainda 136 pacientes em avaliação. De acordo com o governador João Doria (PSDB), o Estado “vai investir R$ 30 milhões em um programa de prevenção do coronavírus”, dos quais R$ 14 milhões serão destinados a uma campanha de conscientização a ser veiculada em meios de comunicação e redes sociais. A ação será iniciada na próxima semana. “Os R$ 16 milhões restantes serão utilizados para apoio operacional”, informou. O segundo colocado com maior concentração de casos suspeitos é o Rio Grande do Sul, com 27 pacientes em observação. De acordo com as autoridades gaúchas, não há investimento em equipes para atendimento domiciliar.

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O “maior desmatador do Brasil” possui 120 madeireiras na região Norte

Preso pela Polícia Federal na Operação Deforest, Chaules Volban Pozzebon coleciona acusações de crimes ambientais num dos estados mais desmatados do país Julia Dolce, José Cícero da Silva Especial: Amazônia sem Lei De acordo com o MP, a operação Deforest abre caminho para outras investigações contra o madeireiro Segundo MP, Policiais civis e militares atuavam como jagunços da organização de Chaules “Não temos nenhum registro na região Norte de nenhuma pessoa que sequer chegue perto do envolvimento com uma centena de madeireiras”, diz MP Extorsões, ameaças e lavagem de dinheiro são apenas alguns dos crimes listados na denúncia oferecida pelo Ministério Público (MP) a partir da Operação Deforest, da Polícia Federal (PF), contra o empresário Chaules Volban Pozzebon, preso preventivamente no mês passado. Chaules é acusado de liderar uma organização criminosa na região de Cujubim, em Rondônia. Segundo a investigação, ele é proprietário de 120 madeireiras espalhadas pela região Norte – que estão em seu nome ou de laranjas – e, por isso, tem sido chamado por seus denunciantes de “o maior desmatador do Brasil”. Elizeu Berçacola Alves conhece bem a ficha criminal de Chaules, que possui delitos que datam de quinze anos atrás. No início de novembro, o bafo úmido de 34 °C do aeroporto de Porto Velho serviu de ponto de encontro para que Elizeu, ex-chefe da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) no município de Machadinho d’Oeste (RO), contasse à Agência Pública o que sabe sobre o que chama de “organização criminosa de Chaules”.

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Sarney forçou ou não a barra para ser incluído na comitiva presidencial que vai ao Vaticano?

O maranhense José Sarney não perde mesmo a chance de se tornar notícia. Assim, roubou a cena na mídia ontem e hoje. Há quem diga que a versão apresentado por Sarney para o fato abaixo teve objetivos bem mais substanciosos que uma simples inclusão na comitiva presidência que vai a Roma para a canonização de Irmã Dulce. A santa já pode ter produzido seu primeiro milagre para o "nosso" Sarney: tirar-lhe do ostracismo político... O governo brasileiro será representado por 15 pessoas nas cerimônias de canonização de Irmã Dulce, na Santa Sé, que começaram hoje, quinta-feira (10), e só terminam na próxima terça (15). As primeiras informações sobre isso davam conta de que a comitiva oficial teria o ex-presidente José Sarney como um dos integrantes.... Mas no que diz respeito ao ex-presidente da República maranhense, há controvérsias... O “bonde” para o Vaticano leva a o vice-presidente do Brasil, Antônio Hamilton Mourão, e sua esposa, Ana Paula Mourão; o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM), e a mulher, Liana de Andrade; o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e a companheira, Patrícia Maia. A ala dos casais continua com o procurador-geral da República, Antônio Augusto Aras, e a esposa, Maria das Mercês Aras; e o embaixador do Brasil na Santa Sé, Henrique Sardinha Pinto, e a cônjuge, Cláudia Sardinha Pinto, além do ministro da Saúde. o campo-grandense Luiz Henrique Mandetta. A primeira-dama de Goiás, Gracinha Caiado, também representa o País na Itália. Já o marido, o governador Ronaldo Caiado (DEM), não está na comitiva oficial. Além dos já citados, também integram a excursão o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, e o prefeito de Salvador (BA), Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM). O decreto que designou a comitiva foi publicado na edição desta quinta do DOU (Diário Oficial da União), assinado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Quem chamou Sarney? José Sarney integraria a comitiva oficial que irá a Roma acompanhar a cerimônia de canonização de Irmã Dulce. Mas o Palácio do Planalto informou que não foi o responsável por chamá-lo e que a composição da comitiva deveria ser verificada com a Vice-Presidência, já que Hamilton Mourão é o chefe da delegação. A equipe do general, porém, disse que o convite também não partiu do vice-presidente, informou a Revista Crusoé.

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Na blogosfera, um certo “Machado do Maranhão” promete “cortar os males pela raiz”… Não confundam com este blog…

Não conhecia, até hoje, nem de nome nem de sobrenome. Nunca havia lido ou ouvido falar de um novo blog na praça da blogosfera intitulado “O Machado do Maranhão”, que promete, como slogan, “cortar os males pela raiz”. ´ É que quase uma dezena de amigos me procuraram, nesta segunda-feira, para saber se eu era o tal “machado”. Tudo por conta de uma denúncia desse blog, envolvendo um certo assessor da Assembleia Legislativa e também blogueiro - que também não conheço - chamado Antônio Martins. Este, pela denúncia do “machado”, estaria chantageando pessoas com poder aquisitivo, em troca de vantagens. Não conheço a causa. Nem o efeito. Assim, faço o esclarecimento. Meu nome é José Machado. Sou jornalista, graduado pela Universidade Federal do Maranhão e registro no proscrito Ministério do Trabalho. Desde 2012, assino o “Blog do Machado”, cujo link é www.blogdomachado.com.br. Que padece de sazonalidades, porque não dependo e nem quero depender financeiramente dele. Para mim, blog seria apenas um espaço pessoal para a discussão de ideias... Faço o esclarecimento para não ter que explicar mais aos meus amigos que esse machado... “foice”. Não sou eu...

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Intelectuais em alerta! Mesmo ameaçado pela soja, Buriti ainda respira ar puro e poesia!

Dois dias inteiros na cidade de Buriti de Inácia Vaz, a 320 KM de São Luís-MA, respirando ar puro e poesia; ouvindo recitais e histórias do arco da velha; tendo aulas de sustentabilidade e conspirando para que, em breve, um movimento feito à Balaiada consiga impedir o desmatamento criminoso que se faz na região (Chapadinha, Anapurus, Mata Roma, Brejo, Buriti, Santa Quitéria...), onde as plantas nativas (juçaras, buritizeiros, bacurizeiros, pequizeiros, jatobás, mutambas ...) estão dando lugar à soja e ao agrotóxico. Não estava em Buriti por acaso. Nascido a 18 quilômetros dali, na antiga Vila do Garapa (hoje Duque Bacelar), curtia fortes lembranças dos banhos no Rio Parnaíba e nas lagoas que ele criava no inverno. Falo do ambiente criado pelo II Encontro Literário da APA dos Morros Garapenses, sediado em Buriti, agora em junho: “as artes, artistas e a literatura unindo nossa região”. E foi isso mesmo o que aconteceu, da forma como propôs o tema, exceção feita ao choro triste de lamento pela devastação das chapadas da região. Afinal, literatura e meio ambiente coexistem - uma reclama a sobrevivência da outra... Mas, entrando na programação, vi a historiadora e professora doutora da UFMA, Regina Faria, abrir um rasgo na história para explicar quando, onde e por que a Balaiada “rolou” no Maranhão. E esse rasgo atingiu em cheio o Baixo Parnaíba, por onde um bravo vaqueiro Raimundo Gomes, de uma certa Vila da Manga, deu as suas ripadas revoltosas e com ele levou um monte de caboclos, negros e brancos injustiçados, à luta por um Maranhão e um Brasil melhores, ainda no Século XIX. Até que o coronel e rufião Luís Alves de Lima e Silva, apelidado depois de “Duque de Caxias”, sufocou o movimento... Apreciei, também, quando o jornalista, escritor e ambientalista Moisés Matias abriu um cofo cheinho de ideias sobre como uma família grande ou pequena pode viver – e bem – cultivando um pedacinho de chão de 1 a 5 hectares, com trabalho sustentável, ecologicamente correto e sem stress. Foi um show. Vai voltar à região e, didaticamente, ensinar a prática da Ecologia e de como se pode viver muito, sem fadigas. Para isso, levou à tiracolo o livro de sua autoria “Ecologia e Estresse”, quase esgotado.

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Filha de ambientalista morto foi vítima três vezes dos agrotóxicos

Reportagem acompanhou Marcia Xavier, cujo pai foi morto por lutar contra pesticidas no Ceará, a uma audiência no Congresso Luana Rocha, Mariana Della Barba, Agência Pública/Repórter Brasil Especial: Por trás do alimento A família de Marcia Xavier é vítima direta dos problemas gerados pelo uso de agrotóxicos. Sua filha sofre com puberdade precoce causada, segundo uma pesquisa, pelo uso indiscriminado de agrotóxicos na cidade onde vive, em Limoeiro do Norte, na Chapada do Apodi (Ceará). Já seu pai, o líder comunitário e ambientalista José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé, foi assassinado em abril de 2010 – um mês após ser aprovada uma lei municipal que vetava a pulverização de pesticidas nas lavouras da região. Quando chegou a Brasília na segunda-feira, 1º de julho, para participar de uma audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o uso de agrotóxicos em sua cidade, Marcia Xavier não esperava que ela também teria de falar sobre uma notícia divulgada no dia anterior: o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou uma decisão que, na prática, absolveu os supostos mandantes da execução de seu pai. “Claro que fui pega de surpresa… Mas eu cresci vendo meu pai nessa luta. Ele sempre dizia: ‘É uma briga de cachorro grande com cachorro vira-lata’. Eu sempre tive esse pensamento: não vai dar em nada porque são pessoas grandes que estão por trás [da execução dele]”, disse, emocionada. Antes de ser assassinado, Zé Maria lutava para impedir que as empresas produtoras de frutas parassem de contaminar o solo e a água com os pesticidas. “Sou vítima três vezes do agrotóxico. A luta do meu pai começou justamente com a contaminação da água, quando eu tive um problema de pele por causa disso. Depois, foi com o seu assassinato. E também com a minha filha, que desde 1 ano e 3 meses sofre com puberdade precoce. Hoje ela tem 7 anos.” A audiência na Câmara dos Deputados foi motivada pela revelação, feita pela Repórter Brasil, de que agrotóxicos podem causar puberdade precoce – como é o caso da filha de Marcia Xavier e de pelo menos outras duas meninas que moram no local. Quando ainda eram bebês, elas foram diagnosticadas com telarca prematura, a primeira fase do desenvolvimento das mamas.

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Tão democrático quanto a morte, quem escapa da ação do tempo?

Tenho me observado com mais atenção. Descubro que, a pouquíssimos dias dos 62 anos, presto mais atenção ao calendário. Constato, com um misto de discreta melancolia e puro realismo, que o tempo agora está passando mais rápido... Por isso, lembrei-me dessa crônica que escrevi e publiquei no ultimo dia de 2013... Queria, com ela, alertar os meus amigos sobre os efeitos que essa instituição democrática exerce em todos nós. E confortar aqueles que não se conformam com o passar do tempo e a proximidade do "juízo final! Começo assim... Independente dos afazeres da Natureza e das pessoas, os 365 dias do ano não esperam por ninguém. Mal passamos por janeiro e fevereiro, não demora muito e lá vêm outra vez o Natal e o Ano Novo. Soldados, generais, deputados, presidentes, médicos, empresários, padres, pastores, operários, crianças, mendigos, prostitutas, criminosos, todos se submetem à lei e à ação do tempo, que se “impõem”, paradoxalmente, democráticos. Já imaginou se o dia, para nascer, tivesse que esperar a maré subir ou descer? Um pôr de sol “congelar” para que um casal de namorados possa ter mais tempo para juras de amor? A noite se estender por mais tempo para encobrir um roubo ou uma ação de guerra? Não! O tempo não espera algo ou alguém. Não transige. Ao contrário, é igual, redondo, exato, se milimetricamente cronometrado. Tem a lenda do galo que acreditava que, para amanhecer, precisaria cantar. Um dia farreou demais com a galinha, dormiu mais da conta e, quando acordou, o sol já estava alto... Mamãe me dizia: “O tempo é o melhor remédio para todos os males. Basta esperar. Mas o tempo, é bom que se diga, não espera...” Mesmo assim, com essa onipresença e onipotência, muitos tentam se eximir da mão poderosa do tempo. O melhor seria aceitá-lo, aproveitá-lo, enquanto é tempo. Do tempo, diz-se que tem duas caras. Se bem aproveitado, será um grande aliado. Se não, será seu pior inimigo. Mário Lago dizia que “o tempo não comprou passagem de volta”. Portanto, viva sempre a favor do tempo, sabendo que perder tempo é desperdiçar a vida, e correr contra o tempo é maltratar o coração. O que é seu chega com o tempo. O que não é, vai-se com ele. Lembre-se de Millor Fernandes: “Quem mata o tempo não é assassino. É suicida”. Para os mais sofisticados, surrealisticamente falando, Platão disse: “O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel”. Plutarco aliviou: “O tempo é o mais sábio dos conselheiros”. Cazuza, exaltando Quintana, cancionou que “o tempo não para”... Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo. Como Mário Lago, fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo. Nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra. Para os erros, perdão. Para os fracassos, uma nova chance. Para os amores impossíveis, o tempo. O tempo é algo que temos grande dificuldade em administrar. Estamos sempre a um passo atrás ou à frente. Para terminar, alerto: ou a gente passa o tempo ou o tempo passa a gente. E não deixe a borracha do tempo me apagar do seu coração. Espero que tenham tempo de ler toda a crônica...

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Jornalista que virou Uber: “É difícil fugir da sensação de fracasso”

Jornalista com 30 anos de carreira faz relato íntimo de como ele e outros colegas se tornaram motoristas de aplicativo em meio ao desemprego Evanildo da Silveira* Lá pelo início da década de 1990, eu frequentava um misto de bar e lanchonete que ficava no andar térreo do meu prédio, na rua Heitor Penteado, na zona oeste de São Paulo. O dono era um português que havia brigado com seu sócio, o próprio irmão, que, não sei por que cargas d’água, acabou virando taxista. Então o “portuga” costumava dizer que, quando alguém não serve para mais nada na vida, vai ser taxista. Mais ou menos pela mesma época, li em algum lugar o saudoso Paulo Francis dizer que esta categoria de profissionais deveria ser fervida em óleo. Tirando o preconceito dos dois, eu até que achava graça. A vida dá voltas e o castigo vem a cavalo, como dizem os clichês. Pois não é que cerca de 20 anos depois eu, jornalista com mais de 30 anos de carreira – que até havia pouco eu considerava mais ou menos bem- sucedida –, me transformei num desses profissionais. Não propriamente um taxista, mas um motorista de aplicativo, mais especificamente de Uber e 99. O que, pensando bem, é pior, pois se trabalha mais e se ganha menos que um verdadeiro taxista. São 10 ou 12 horas dirigindo pelo trânsito estressante de São Paulo, transportando todo tipo de gente, para os lugares mais estranhos ou perigosos, para faturar cerca de R$ 200 ou 250 por dia. Se o carro for alugado, como é o meu caso, mal dá para a locação e o combustível. Ninguém merece. É claro, tanto o trabalho dos taxistas como o nosso de motoristas de aplicativos são dignos e merecem respeito. Mas para mim, e alguns colegas na mesma situação com quem conversei, é difícil, no entanto, fugir daquela sensação de fracasso. O sujeito se pergunta: onde foi que eu errei? E se lembra – pelo menos eu – daquela trilogia de filmes De volta para o futuro. Num dos episódios, o personagem de Michael J. Fox pega um desvio no tempo e vai parar numa época em que seu pai é um fracassado. Felizmente – para ele – o carro é um DeLorean, que funciona como máquina do tempo, e pode voltar e pegar o caminho certo. Infelizmente – para mim – não é meu caso. Estou preso no tempo errado. Não serve de consolo, claro – não poderia me sentir reconfortado por existirem colegas na mesma situação –, mas não sou o único jornalista que virou motorista de aplicativo a pensar que não deu certo na vida. “Olha, eu também tenho essa sensação de fracasso sim, mas não acho que é necessariamente por causa de um erro meu”, diz a colega Sílvia Marino, 34 anos de profissão e há três motorista de aplicativo. Mas o que diz a seguir pode até ser interpretado como uma contradição. “Como sempre trabalhei em veículos pequenos, não fiz networking e confesso que sou muito ruim nisso”, admite. “Talvez isso seja uma má característica minha.” Francisco Reis, 57 anos, é mais um colega que se dirige pela mesma trilha. “Também tenho a sensação de fracasso”, confessa. “O problema é entender onde nós fracassamos. Nós paramos no tempo. Por exemplo, agora estou procurando emprego e vi uma vaga, que exige conhecimento de vários programas como Adobe, Photoshop e não sei mais o quê. Todos de imagem, que não é nossa função. Nosso trabalho é escrever. Agora estamos competindo com molecadinha de 22, 23 anos que devora o computador, sabe tudo de informática. Aí fica complicado. É difícil esta sensação de fracasso, mas temos que ir em frente.”

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Eleitores – do PSOL ao PSDB – estão conquistando e implodindo grupos de fake news bolsonaristas no WhatsApp

 Cansasada de brigar por causa de política com o pai, um ferrenho eleitor de Jair Bolsonaro, a estudante Brenda Silva decidiu adotar uma estratégia diferente. Em vez de discutir com ele, passou a agir onde sabia que o pai gastava boa parte do tempo: em grupos de WhatsApp pró-Bolsonaro. Tudo começou quando Silva foi convidada a entrar nos grupos de que o pai participava. Ela comprou um chip novo, para que não fosse reconhecida pelo número de telefone, e passou a enviar notícias e vídeos – reais – que expunham os problemas do presidente. A ideia era apenas rebater argumentos, em geral baseados em fake news, que se cansara de ouvir. À época, o principal assunto nos grupos era o atentado à faca contra Bolsonaro. Os integrantes dos grupos diziam, sem provas, que o mandante havia sido o ex-presidente Lula. A estudante rebatia com fatos da investigação. O pai dela ficou possesso, mas Silva não parou até que conseguisse implodir todos os grupos, um a um. “Eu o vi xingando ‘aquele fake’ sem saber que era a filha dele. Até que minha madrasta reclamou que ele perdia muito tempo brigando nos grupos e ele resolveu sair de todos”, riu a estudante. Mas aí quem não queria parar era ela. “Já tinha tomado gosto pela coisa.” Silva, que vive em Goiânia, percebeu que invadir o terreno em que bolsonaristas radicais se sentem mais confortáveis – os grupos de WhatsApp – é uma forma efetiva de combater a proliferação de fake news a favor do presidente. A ferramenta de envio de mensagens instantâneas foi essencial para a eleição de Bolsonaro – as evidências indicam que a avalanche de fake news distribuídas no mundo oculto dos grupos de zap beneficiou mais a ele do que a qualquer outro candidato. Guerrilha digital A goiana está longe de ser a única “guerrilheira digital” dedicada a combater fake news e intolerância em grupos de mensagens. Em algumas semanas de pesquisa, conheci dezenas de pessoas – eleitoras de Ciro Gomes, Fernando Haddad, Guilherme Boulos, Marina Silva e Geraldo Alckmin – que resolveram se entregar à tarefa. É estafante: são até oito horas diárias com os olhos fixos no WhatsApp. “Cada um mantém a sanidade como consegue”, ela desabafou. É o caso dos 20 editores de uma página de esquerda no FAcebook. Durante a campanha eleitoral, eles entraram em grupos bolsonaristas para entender o que pensavam os apoiadores do capitão reformado. Passado o pleito, decidiram continuar por ali, na esperança de mudar opiniões. A tática escolhida é curiosa, mas vem surtindo efeito: fingindo ser eleitores de extrema direita, eles lançam mão de argumentos ainda mais radicais que os que habitualmente circulam nos grupos. Um dos participantes, um bacharel em filosofia que mora em São Paulo e pediu para não ser identificado para não ser descoberto nos grupos, posta coisas como: “Bolsonaro não é só um político, ele é Melquisedeque, a presença do Senhor na Terra, o patriarca de uma nova geração de governantes”. Ou: “A Amazônia está pronta para receber o povo de Israel, meu pastor disse que aqui será a nova Jerusalém”, conta Amanda Audi, da Intercept Brasil

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