Cabo Silva, outra vítima da impunidade e do descaso para com a nossa  segurança

Cabo Silva, outra vítima da impunidade e do descaso para com a nossa segurança

O P I N I Ã O

O assassinato de Cabo Silva, líder comunitário na região do Cohatrac, joga por terra, de vez, a teoria do Governo do Estado, verbalizada, principalmente pelo secretario de Segurança, Aluísio Mendes, de que a onda de crimes sem precedentes na Grande São Luís – e, de resto em todo o Maranhão – tem como causa, basicamente, o tráfico e o consumo de drogas. É e não é, como diria o próprio Cabo Silva.

Até hoje, a polícia não elucidou – embora vozes silenciosas  apontem possíveis mandantes – o assassinato do comerciante “Biné”,  morto covardemente por pistoleiros, em 26 de março de 2011, por denunciar a invasão de uma grande  área pública no bairro da Cohab IV. Muitos outros crimes do gênero caíram no esquecimento e reforçam  o sentimento de impunidade por que passamos – nós, todos os maranhenses e, principalmente, os sanluisenses da Ilha de  Upaon-Açu.

Cabo Silva, muitos vezes insistente pelas ondas de rádio, por denunciar as mazelas do poder público em todas as esferas, tornou-se uma referência em São Luís como líder do inconformismo. Ultimamente vinha denunciando a invasão de área públicas dentro e nas cercanias do Cohatrac.Tá na cara que foi vítima da sua ousadia em pôr à luz muitos desmandos. Só precisa saber de onde partiu a ordem para sua execução, e isso o secretário de Segurança Pública tem que descobrir.

A morte do Cabo Silva reforça essa sensação geral de que não sabemos mais se, no dia seguinte,  um ou mais membros de nossa família,  foi assassinado.

Não dá mais para calar, Sr. Aluísio Mendes! Não dá mais para aguentar,  senhora governadora Roseana Sarney. É hora de agir ou declarar que não há competência no governo para enfrentar e conter a violência que está nas ruas e já invade os nossos lares.

Na mesma cidade e Estado onde, em passado recente, prometeram-nos que podíamos dormir até de portas e janelas abertas.

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 RECORDAR É VIVER

A reportagem a seguir, publicação do Jornal Pequeno, em 27/03/2011, serve para “refrescar” a memória  do sistema de segurança pública do Maranhão de que o assassinato de “Biné”, que se pocionou contra a invasão de uma área pública, no chamado “4° Conjunto da Cohab, ainda hoje não foi desvendado. O que “anima” os mandantes e executores de crimes dedsa natureza a continuar ceifando vidas de cidadãos de bem.

JORNAL PEQUENO

Publicado em: 27/03/2011 

Dono de bar é morto a tiros na Cohab-Anil

EXECUÇÃO

Benedito Carvalho, o ‘Biné’, foi atingido com 4 tiros, pelo menos; foi o segundo homicídio com característica de execução em pouco mais de 12 horas

 

POR JULLY CAMILO
e OSWALDO VIVIANI

Na madrugada de ontem, pouco mais de 12 horas depois de Robson Galvão Lindoso, de 27 anos, ter sido morto a tiros no bar Conterrâneo, na Praia do Meio, outro assassinato com característica de execução aconteceu em São Luís: o funcionário público Benedito Guimarães Carvalho, o “Biné”, de 48 anos, foi assassinado com ao menos quatro tiros em seu bar, situado na Avenida Joaquim Mochel, na Cohab-Anil 3. O estabelecimento fica perto de sua casa, na Rua 9, quadra 4, casa 2. “Biné” era um dos moradores que protestaram, em abril de 2010, contra a construção de um condomínio num terreno da Cohab-Anil, que a comunidade reivindica para ser área de lazer. O “Bar do Biné”, onde aconteceu o crime, está localizado nesse terreno.

Segundo o estudante João Américo, 23, sobrinho da vítima, testemunhas informaram que por volta de 2h dois homens ocupando um carro preto, provavelmente um Fiat Uno, estacionaram há duas ruas do “Bar do Biné” e desceram em direção ao estabelecimento.

“O bar estava cheio, e um dos homens, já portando uma arma de fogo, já ia atirando em outra pessoa, mas o outro homem teria identificado o meu tio e dito: ‘o homem é aquele ali’. Foi quando os disparos começaram e mesmo atingido no braço ele conseguiu se esconder atrás de um carro que estava na porta do bar, mas o matador foi atrás dele atirando. Dos seis tiros disparados, quatro atingiram meu tio e ele morreu na hora”, declarou João Américo.

O estudante revelou que os disparos atingiram o braço, o tórax e a cabeça de “Biné”. Os familiares, ainda muito abalados, disseram que “Biné” sempre foi uma pessoa tranquila, honesta e um homem muito trabalhador.

Pai de cinco filhos, o funcionário público tinha o bar há seis anos e o local era frequentado basicamente por amigos e familiares.

“O local onde o bar funcionava pertence à nossa família há muitos anos. Lá já foi comércio, galeteria e por último o bar. Há um ano começou uma briga dos moradores com construtoras que apareceram se dizendo donas da área, que além do bar abriga um campo de futebol”, disse João Américo.

O sobrinho da vítima explicou que, em decorrência dos rumores de que na área seria construído um condomínio residencial, um clima de tensão e revolta tomou conta dos moradores, que se opuseram a obra e promoveram manifestações e debates, no intuito de não permitir a construção.

A comunidade teria alegado que o espaço público deveria ser destinado à melhoria do campo já existente e à construção de uma área de lazer que beneficiasse a comunidade.

“O pessoal das construtoras sumiu e nunca mais ouvimos falar nada. Sobre o crime, a única certeza que temos é de que foi encomendado, mas não sabemos a mando de quem e nem por qual motivo, já que o ‘Biné’ não tinha inimigos. Meu tio ainda falou aos matadores que levassem tudo, mas não ferissem ninguém, mas mesmo assim foi morto”, afirmou João Américo.

O corpo do funcionário público Benedito Guimarães Carvalho foi liberado ontem mesmo pelo Instituto Médico Legal (IML) de São Luís e será sepultado na manhã de hoje (27) no cemitério Parque da Saudade, no Vinhais.

‘Biné’ e outros moradores enfrentaram construtoras

As construtoras Vila do Conde e Brecil estavam à frente da construção do condomínio rejeitado por “Biné” e os moradores da Cohab-Anil 3. A Consultoria Imobiliária e Construções Ltda tinha um estande de promoção de vendas no local.

Os moradores, com o apoio do vereador Isaías Pereirinha (PSL), presidente da Câmara Municipal de São Luís, conseguiram impedir o empreendimento depois de se mobilizarem em favor da transformação em área de lazer do terreno desejado pelas construtoras.

No auge da tensão na área, em 26 de abril do ano passado, Pereirinha chegou a fazer um pronunciamento na Câmara, dizendo-se ameaçado pelas construtoras e denunciando a presença frequente de “capangas armados” das empresas nas imediações do terreno.

As construtoras negaram qualquer ação truculenta e afirmaram que os moradores é que seriam agressivos, pois teriam destruído um estande de vendas da Consultoria Imobiliária, instalado no terreno da discórdia.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

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