Artigo de Nonato Reis sobre Pesquisa Data M: “2014, luz sobre o ambiente eleitoral”

Artigo de Nonato Reis sobre Pesquisa Data M: “2014, luz sobre o ambiente eleitoral”

O jornalista Nonato Reis , que escreve aos domingos no Jornal Pequeno, fez a seguinte análise sobre a última pesquisa estadual do Instituto  Data M, registrada no TSE, sob número MA-00003:

 A pesquisa Data M de janeiro último, sobre a eleição para o governo do Maranhão, lança um feixe de luz no cenário eleitoral, possibilitando uma análise mais acurada acerca do estado de ânimo do eleitor em relação aos atores do pleito de 2014. A utilidade do estudo torna-se ainda maior em face da credibilidade do Data M, um instituto que ganhou notoriedade pela precisão que confere aos seus prognósticos, praticamente casando-os com os resultados das urnas.

Pena  que seja a primeira pesquisa Data-M sobre a eleição majoritária de 2014, o que impede uma análise comparativa. Nela, Flávio Dino alcança 55,3% das intenções de voto contra 13,7% do seu oponente mais próximo, o secretário Luís Fernando. Mais recuada, Eliziane Gama aparece com 6,9%. Foram ouvidas 1.500 pessoas de 58 municípios em diferentes regiões do Estado, no período de 28 a 31 de janeiro. O registro no TSE é MA-0003/2014.

Bom, mas o que significam esses números?  Que leitura se pode fazer das reações do eleitor maranhense? Numa tradução pura simples, eles revelam que o candidato da oposição tem fôlego suficiente para vencer a corrida eleitoral. Na verdade, com relação a Flávio Dino, não há nada de novo nesse levantamento.

Nas pesquisas realizadas pelos mais diferentes institutos de pesquisa, ele aparece em um patamar superior a 50% das intenções de voto, o que demonstra a solidez do seu nome. Do outro lado, Luís Fernando parece patinar em um terreno escorregadio. Ele já está na estrada há algum tempo, e em campanha aberta. Na prática é o governador do Estado, a quem cabe a prerrogativa de assinar ordens de serviço, inspecionar obras e anunciar novos projetos. Como ele próprio costuma dizer, não lhe cabe prometer, porém mandar fazer.

Era de se imaginar que estivesse numa situação mais cômoda. Menos de sete pontos o distanciam de Eliziane Gama, que, sem qualquer estrutura de campanha, ainda é uma ilustre desconhecida do eleitor do interior. Um dado da pesquisa que pode ajudar a explicar a inércia de Luís Fernando é o nível de desaprovação do governo Roseana Sarney, beirando a 70%. Roseana, aliás, enfrenta uma rejeição absurda na sua pretensão de retornar ao Senado Federal, 56%. A de Luís Fernando atinge 28,7%. É o que se chama de rejeição casada, porque, a rigor, isolado, seus índices neste item deveriam estar parelha com Dino, que possui 10%.

Não resta dúvida que a crise de Pedrinhas e a sua ampla repercussão na mídia nacional têm influência direta sobre esses números. Não por acaso, 75,8% dos entrevistos se manifestaram favoráveis a uma intervenção federal na segurança pública do Maranhão. Hoje, é bom que se diga, a programação das grandes redes de TV chega aos mais distantes pontos do Estado, por meio das antenas parabólicas, e deságua nas redes sociais, que possui uma capilaridade espetacular, capaz de alcançar os moradores dos grotões, famosos por garantirem a longevidade do grupo governista no poder.

Resta saber até que ponto Flávio Dino está consolidado e se o seu oponente tem condições de reverter esse quadro. Do meu ângulo de observação, creio que há espaço para Luís Fernando progredir, inclusive avançando sobre um naco do eleitorado de Dino. Vai depender de como o governo conduzirá a questão da segurança pelos próximos meses, dos investimentos a serem feitos no sistema carcerário e, conseqüentemente, da recuperação da imagem do Estado frente à opinião pública.

Uma coisa, que deve preocupar Roseana e aliados, é a fadiga do seu grupo, em razão do tempo de domínio da política no Maranhão. Isso sem dúvida gera cansaço e estimula o desejo de renovação. Houve uma época em que a máquina resolvia tudo sozinha. Bastavam a assinatura de convênios com prefeituras municipais e o derrame de dinheiro às vésperas das eleições para que se mudasse a tendência do eleitor, especialmente daqueles residentes nas localidades mais remotas. Hoje, com a globalização da informação, o mundo resumido a uma aldeia, um espirro se faz ouvir em todos os quadrantes na velocidade da luz.

A disputa de 2014 começa a tomar forma a partir de agora e exigirá dos atores bem mais que discursos e promessas mirabolantes. Eles terão que provar por palavras e atos que podem fazer melhor do que isso que aí está. E aqui se abre um horizonte em dois ângulos para o candidato governista. Por dispor da caneta, ele já pode na prática demonstrar a eficácia do seu projeto, ao contrário de Flávio Dino, que dependerá em demasia do próprio gogó. Por outro lado, esse quadro pode se revelar sombrio para Luís Fernando, caso o eleitor o enxergue como uma mera continuidade do grupo que lhe dá sustentação.  Se isso acontecer, será por culpa dele próprio.

José Machado

José da Silva Machado. Natural de Duque Bacelar - Maranhão, onde nasceu em 14 de junho de l957. Graduado em Comunicação Social, pela Universidade Federal do Maranhão, especialização Jornalismo. Foi repórter, editor e secretário de Redação nos jornais Pequeno, O Imparcial e Diário do Norte, em São Luís. Também foi diretor de Telejornalismo na TV Difusora (Rede Globo), no período 1985/198). Exerceu o cargo de Secretário de Estado de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado (2006-2007). É poeta e escritor, tem lançado o livro "As Quatro Estações do Homem" e conclui o livro; "Os vinte contos de réis". Pai de 5 filhos e 1 neto.

Este post tem 3 comentários

  1. Bruna

    Muito bom artigo, só faltou dizer que a Data M sempre acerta na mosca. haha

  2. Nonato Reis

    Machado, obrigado pela canja. A foto, realmente, ficou caprichada. Sou como vinho,quanto mais velho, melhor….kkkkk

  3. rusa gomes

    coleciono seus artigos, por achar muito bons

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